''O papa é um vulcão''. Entrevista com Francisco vira livro

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06 Dezembro 2013

"Esse papa é um vulcão, uma mina inesgotável, e a sua espiritualidade é feita de rostos humanos: Cristo, a Virgem, Santo Inácio, São José". Óscar Rodríguez Maradiaga, cardeal e arcebispo hondurenho coordenador do Conselho dos oito cardeais nomeados pelo Papa Francisco para apoiá-lo na complexa reforma da Cúria Romana, fala com entusiasmo e evidente simpatia humana de Bergoglio. Diante dele, na Sala Pio X, a um passo da Via della Conciliazione, estão todos os colegas cardeais do restrito colégio ("falam de nós como o G8 do Vaticano, mas seria mais correto dizer C8..."), o novo secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, o superior geral dos jesuítas, Adolfo Nicolás,  e também Giuliano Ferrara, o arcebispo Vincenzo Paglia, Ettore Bernabei.

A reportagem é de Paolo Conti, publicada no jornal Corriere della Sera, 05-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A ocasião é a apresentação do livro La mia porta è sempre aperta, publicado pela editora Rizzoli, que contém o longo diálogo-entrevista do Papa Francisco com o padre jesuíta Antonio Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, a revista cultural da Companhia de Jesus que já publicou no caderno 3918, de 19 de setembro do ano passado, uma parte do diálogo.

Ao lado do cardeal Maradiaga, na mesa redonda coordenada pela jornalista argentina Elisabetta Piqué, o diretor do Corriere della Sera, Ferruccio de Bortoli, o padre Antonio Spadaro e Giuseppe De Rita, presidente da fundação Censis. Maradiaga descreve o pontífice como um "homem livre, animado justamente por uma grande liberdade espiritual, plenamente envolvido nas dinâmicas da vida, mas que não renuncia aos temas que trazem conflitos. E aquela 'porta sempre aberta' do título é um símbolo de luz, amizade, confiança. Para ele, a pior doença é a homogeneização do pensamento. A sua ação retoma os princípios dos jesuítas: missionariedade, comunidade e disciplina. E, depois, há a sua genialidade contra a decadência de um pensamento estéril que gera tristeza, solidão, abandono".

Ferruccio de Bortoli reflete sobre a comunicação escolhida pelo Papa Bergoglio: "É como se o pontífice tivesse abertos amplas consultas entre os fiéis. É um homem que vem ao nosso encontro, não nos julga, põe de lado uma visão sombria da fé pouco inclinada à modernidade, como vimos nos últimos tempos também. Isso me lembra de outro jesuíta, talvez diferente dele, o cardeal Carlo Maria Martini, que sugeria que era preciso se sentar ao lado dos outros e entender os seus sofrimentos. O papa nos fala de esperança. Ele prefere esta ao otimismo".

Giuseppe De Rita, ex-aluno dos jesuítas romanos, indica o conceito de paternidade "como elemento fundamental para entender esse papa". E também cita a "capacidade de ordenar o tempo" dos jesuítas. Para o Papa Bergoglio, diz De Rita, "o primado é do tempo com relação ao espaço, e o verdadeiro poder está na gestão do tempo, seguindo os processos que se desenvolvem justamente no tempo. Ou seja, na capacidade de decidir o processo, mas de esperar que o processo simplesmente se manifeste".

Muito franco e sincero foi Antonio Spadaro: " O encontro com o Papa Francisco para mim foi uma extraordinária experiência espiritual. Foi difícil para mim pensar nesse acontecimento como uma entrevista, como um livro. Eu encontrei diante de mim um homem resoluto, livre, indômito, pronto para exercer a sua paternidade, principalmente vi um homem imerso em Deus. Fui tomado por uma onda de graça, da qual não sou digno de agradecer ao Senhor".