Bispo alemão se declara favorável à reforma para divorciados em segunda união

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26 Novembro 2013

O bispo de Rottenburg-Stuttgart, Dom Gebhard Fürst, anunciou novas reformas no direito do trabalho para os empregados da Igreja Católica. E algo também se move com relação à questão da admissão aos sacramentos.

A reportagem é de Christoph Arens, publicada no sítio Domradio.de, 23-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Igreja Católica na Alemanha já pretende introduzir reformas com relação à atitude para com os divorciados em segunda união. O anúncio foi feito em Bonn pelo bispo de Rottenburg-Stuttgart, Dom Gebhard Fürst, no sábado, diante da assembleia geral do Comitê Central dos Leigos Católicos Alemães (ZdK).

"As expectativas, a impaciência e a irritação estão muito altas", disse Fürst com relação ao clima que se respira entre os católicos. Desde 2010, diz ele, os bispos têm refletido muito intensamente sobre esse assunto e realizado debates abertos e aprofundados. Agora seriam delineados "progressos modestos, mas reais".

Segundo Fürst, isso significa tanto reformas na Igreja, no âmbito do direito do trabalho, quanto também a questão da admissão aos sacramentos dos divorciados em segunda união.

A extensão do problema já é mostrada pelas estatísticas: em 2012, na Alemanha, cerca de 179.100 casamentos foram dissolvidos. Cerca de 37% de todos os matrimônios contraídos em 2012, segundo as estatísticas, devem se concluir com uma separação dentro de 25 anos. A tendência está em crescimento.

E já hoje cerca de 25% de todos os matrimônios contraídos são segundas núpcias. Daí deriva o problema da credibilidade: a Igreja muitas vezes é percebida como cruel, afirmou o bispo de Rottenburg-Stuttgart. Em uma carta aos coirmãos em junho, ele ressaltava: "A demanda de conceder a absolvição e de admitir à comunhão também é uma questão que se coloca ao anúncio da Igreja sobre culpa, retorno e reconciliação". Como a Igreja pode ser percebida como o lugar da reconciliação se ela mesma não percebe a necessidade de fé de muitos divorciados em segunda união?

Mesmo como empregadora, a Igreja Católica tem crescentes problemas para ser aceita: em Königswinter, a prefeitura notificou a Igreja como gestora da creche, depois que o pároco demitiu a diretora por motivos de adultério. O Tribunal do Trabalho de Erfurt, em 2011, decidiu que o diretor de um hospital católico de Düsseldorf tinha que permanecer no cargo apesar de ter se casado novamente.

No que respeita ao direito do trabalho – com a Cáritas, a Igreja Católica é a maior empregadora da Alemanha –, os bispos, segundo Fürst, têm maiores possibilidades de movimento, pois não se trata de questões dogmáticas. Os colaboradores da Igreja deveriam ser leais com relação ao seu empregador, mas a vida privada não deveria incidir sobre isso. Por essa razão, os divorciados em segunda união, no futuro, deveriam poder continuar trabalhando nos órgãos eclesiais, disse o bispo. No entanto, atividades ligadas ao anúncio, como o trabalho dos diáconos, dos representantes paroquiais ou pastorais, deveriam ser avaliadas mais severamente.

O secretário geral da Cáritas, Georg Cremer, desejou "soluções em justiça", em uma primeira reação. Saber em quais casos os divorciados em segunda união podem ser demitidos de órgãos eclesiais é um problema que deve ser resolvido para todos de modo compreensível, justificável. Ao mesmo tempo, se colocaria a questão de saber se pessoas envolvidas no anúncio se tornam realmente "não críveis" por causa do insucesso do seu matrimônio.

Com relação à admissão dos divorciados em segunda união à comunhão e à confissão, o bispo de Rottenburg-Stuttgart disse que os bispos alemães gostariam de aprovar uma reforma na sua assembleia geral da primavera, em março. Fürst reiterou o fato de que a indissolubilidade do matrimônio para a Igreja não é negociável. No entanto, se trataria de levar mais em consideração a realidade concreta de muitos casais e famílias.

Segundo o projeto atualmente apresentado, os divorciados em segunda união deveriam ser admitidos aos sacramentos em casos individuais motivados. O pressuposto seria uma decisão pessoal responsável tomada em consciência e uma conversa com o diretor espiritual.

Para isso, os bispos alemães se baseariam no "documento de Friburgo", apresentado no início de outubro, e na carta pastoral publicada em 1993 pelos bispos de então da região sudoeste da Alemanha, Walter Kasper (Rottenburg-Stuttgart), Karl Lehmann (Mainz) e Oskar Saier (Friburgo). Ambos os documentos incorreram na rejeição do Vaticano.

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