Aquele abraço do papa: ''Eu me senti no paraíso''

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20 Novembro 2013

"Aqui é o Paraíso", exclamou simplesmente Vinicio, com olhos sonhadores, depois do abraço com o papa na semana passada no Vaticano durante uma audiência organizada para celebrar os 110 anos da Unitalsi [União Nacional Italiana de Transporte de Doentes a Lourdes e a outros Santuários]. Ninguém nunca tinha feito isso antes, com exceção da irmã Morena e da tia Caterina, que cuidavam dos dois "meninos" desde quando eram pequenos e aquelas verrugas começaram a aparecer.

A reportagem é de Margherita De Bac, publicada no jornal Corriere della Sera, 18-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Hoje, aos 53 anos, Vinicio está coberto por elas, da cabeça aos pés. Grandes furúnculos escuros que não se limitam a deturpá-lo, mas se enfiam no seu corpo, criando dor, coceira e feridas. Girou o mundo a imagem do Papa Francisco que envolve as suas costas, o aproxima de si e o beija com ternura, mesmo onde as protuberâncias são mais carnudas.

"Eu achei que ele nunca iria deixá-lo ir", conta Caterina, que naquele dia estava plantada ao seu lado, orgulhosa e comovida ao ver o sobrinho extasiado. Um homem gravemente ferido por uma doença rara, de origem genética, a neurofibromatose, forma tumoral benigna que cobre o corpo de cistos também internos e que sobre ele se manifestou em potência máxima. Tendo crescido com pouco amor e atenção, senão a de pessoas que, pela rua, apontam para ele e se esquivam, ou de mães que afastam os seus filhos da sua passagem. Ele não está infectado. É um homem muito bom, e, por trás do seu aspecto à la Elephant Man, esconde-se uma alma transbordante de sentimentos.

Na Ilha Vicentina, onde ele mora em um apartamento da prefeitura, eles o amam. Conhecem-no e "sabem". Sabem que a mãe morreu de câncer, afetada pela mesma síndrome, depois transmitida aos filhos. Sabem que o pai saía de madrugada e voltava à noite, e não tinha tempo para aquelas crianças um pouco feias das quais poupava afeto e gestos de amor. Sabem de todas as operações que Vinicio teve que sofrer, desde os dois anos de idade.

Tudo começou com um angioma, depois o coração, três vezes no olho, a garganta e, depois, incisões profundas para extirpar alguns cistos grandes que penetraram até a espinha dorsal. Ele tinha 30 anos quando entrou no hospital para uma operação que deveria ser a última. Os médicos disseram que ele não sobreviveria.

Mas agora ele está do outro lado do telefone e fala conosco, "escoltado" pela tia Caterina que, de vez em quando, traduz para ele quando as palavras se tornam incompreensíveis. A voz é rouca por causa da recente operação na garganta, às vezes se torna um sussurro em dialeto.

Vinicio, o que aconteceu com o Papa Francisco? "Ele explodiu o meu coração". E depois? "Eu me senti no Paraíso. O Paraíso é ali". E à noite, como você passou a noite? "Eu não dormi". De quem você gosta? "Da tia e da Morena". E dos outros? "Aqueles que me conhecem há anos são bons. Aqueles que não me conhecem são maus". Do que você mais gosta? "De ir o restaurante e comer risoto de frutos do mar". Como está a sua irmã? "É mais bonita do que eu". O que vocês fazem quando estão juntos? "Implicamo-nos como cães e gatos".

A sua vida transcorre entre um trabalhinho socialmente útil junto ao Instituto Bresson (ele empilha caixas e as coloca em ordem), as breves caminhadas pela cidade com a bicicleta elétrica (até banca de jornal e de volta) e os compromissos com o cuidado amoroso da tia Caterina que o lava, passa as pomadas, nem todas reembolsadas pela autoridade sanitária local, e o ajuda nas pequenas tarefas.

O subsídio de 500 euros por mês por invalidade de 100% a ser dividido com a irmã Morena, no início da doença, não permite luxos. As únicas distrações são as viagens a Lourdes com o grupo da Unitalsi, que o levou a Roma de ônibus e, depois, ao Vaticano até o papa. A verdadeira festa, no entanto, é ir ao restaurante todos os três, Vinicio, Morena e Caterina. Eles são felizes, muito felizes. Apesar de tudo.

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