Meios de comunicação. Crime, pobreza e invisibilização

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Por: André | 18 Novembro 2013

Roberto Samar garante que para o jornalismo nem todas as vítimas são iguais e que os pobres tornam-se visíveis na hora da criminalização.

A reportagem é de Roberto Samar e publicada no jornal Página12, 14-11-2013. Samar é licenciado em Comunicação Social e professor de Comunicação e Segurança Cidadã na Universidade Nacional de Río Negro, Argentina. A tradução é de André Langer.

A discriminação da pobreza incide nas coberturas jornalísticas de duas maneiras: por um lado, associa-se a pobreza à criminalidade e, por outro, invisibiliza-se esses grupos quando ocupam o lugar de vítimas.

Kevin Molina foi assassinado no sábado, 07 de setembro, com um tiro, durante o enfrentamento entre duas quadrilhas. Em meio à dor, houve sérias denúncias dos vizinhos de que existiu uma zona liberada pelas forças de segurança.  Pois bem. Você viu a família de Kevin falando na TV? O caso foi capa dos meios hegemônicos? Não. Porque Kevin era de Zavaleta, não vivia no Bairro Norte. As vítimas pobres são invisíveis. A militante trans da zona de Constitución Yhajaira Falcón foi acusada de roubar 150 pesos de um taxista, armada com uma tesoura. Na investigação não apareceu a tesoura, não há testemunhas e não se soube nada do taxista. No entanto, ela esteve presa vários meses. Esta situação de abuso, fruto de sua vulnerabilidade, só foi notícia para o Página12 e o Tiempo Argentino.

As vítimas não são iguais. O olhar do jornalismo, dos meios de comunicação, de grandes setores da sociedade e do Estado sensibiliza-se quando afeta determinados setores sociais e ignora a outros.

Mas os pobres tornam-se visíveis na hora de serem criminalizados. Nesse sentido, o livro Boas Práticas na Comunicação Pública, do Inadi, sustenta que “o caso prototípico da estigmatização da pobreza é aquele que a associa à delinquência. O preconceito mais comum, utilizado de maneira recorrente pelos meios de comunicação, é que as pessoas em situação de pobreza saem para roubar em assentamentos, vilas ou bairros populares e que isto está diretamente vincula com os crimes e homicídios ligados à ideia de “insegurança”.

Para ter a dimensão real do problema, segundo uma pesquisa sobre a percepção de práticas discriminatórias do Inadi de 2008, a principal causa de discriminação na Argentina é a pobreza.

Como dizíamos anteriormente, este imaginário social criminalizador atravessa os diferentes setores sociais, assim como também os poderes do Estado. Neste sentido, o jovem pobre que responde ao estereotipo do “delinquente” tem mais possibilidades de ser denunciado por vizinhos, de ser para a polícia o primeiro suspeito de um crime e de receber do Poder Judiciário uma prisão preventiva até que o processo seja concluído.

No entanto, se a segurança é um serviço público, o Estado deve garanti-la para todas e todos, mas sobretudo para os setores mais vulneráveis, já que contam com menos ferramentas para exercer seus direitos. Ou seja, se queremos construir uma sociedade mais segura e inclusiva, devemos desenvolver discursos e imaginários sociais que dissociam a pobreza da criminalidade. Paralelamente, em matéria de segurança devem-se desenvolver políticas ativas que coloquem o eixo não apenas nos grupos hegemônicos da sociedade, mas sobretudo nos setores historicamente vulneráveis. Uma política que torne visível o Kevin e a Yhajaira.

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