França estrategicamente atenta aos cristãos do Oriente

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Por: Caroline | 13 Novembro 2013

Entrou oficialmente na Cidade Velha com seu uniforme branco, acenando, como seus predecessores, o privilégio exclusivo de uma entrada solene ao Santo Sepulcro. Assim apresentou-se na terça-feira, em Jerusalém, o novo cônsul geral da França, Hérve Magro. A cerimônia solene – completa e com a caminhada da Porta de Jaffa (foto) até a basílica cruzada de Santa Ana – é um legado do histórico papel francês de potência “protetora” dos cristãos da Terra Santa, com profundas raízes na história das relações entre os reis de Paris e os sultões do Oriente.

A reportagem é de Giorgio Bernardelli, publicado por Vatican Insider. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/PVPAME

A primeira capitulação foi em 1535, isto é, o acordo assinado pelo turco Soleimán, o Magnífico, com o “mais católico dos reis”, Francisco I, que (no marco de uma aliança com Carlos V) reconheceu um papel especial ao poder francês frente à defesa dos cristãos da Terra Santa. Este papel foi reforçado em Paris, durante os séculos posteriores, com a criação do Consulado em Jerusalém, por Luis XIII, e com as numerosas intervenções sobre a jurisdição dos Lugares Santos ou sobre a defesa das minorias cristãs em todo o Oriente Médio (basta recordar a relação com o Líbano).
 
Contudo, a história não é uma mera lembrança do passado, muito menos em Jerusalém; o novo cônsul Magro demonstrou imediatamente que leva muito em conta este aspecto.  No discurso que pronunciou em sua chegada, partiu efetivamente do tema da “proteção” aos cristãos do Oriente. O conflito na Síria provocou o aumento, em muitas comunidades cristãs locais, do desgosto em relação a Paris: o apoio às forças que se opõem a Bashar al Assad foi interpretado, pela maior parte dos cristãos orientais, como um “cheque em branco” dado de presente às milícias islâmicas. E, justamente, pela ausência desta ação de defesa para os cristãos que a história do Oriente Médio conservou-se e saiu ilesa diante dos ventos da Revolução Francesa de 1789 e do laicismo da legislação francesa de 1905 (acerca da divisão entre a Igreja e Estado).
 
Um desgosto que, como o sítio Vatican Insider indicou há alguns dias, é acompanhado pelo crescimento de outro aspirante a “protetor”: A Rússia de Putin, que conta, cada vez mais, com a simpatia dos cristãos do Oriente. E é à luz de tudo isto que se teria que ler as afirmações pronunciadas pelo cônsul Magro, que declarou claramente a vontade férrea de Paris frente esta tarefa que a história lhe encomendou.  
 
“Para a França a continuidade do papel de protetora dos cristãos – declarou o novo cônsul em Jerusalém – não é retórica. É uma memória viva no presente. E se nos sugerem o esquecimento, serão os eventos que estão ocorrendo nesta região (nos quais a comunidade cristã sofre de forma particular) que irão nos impor um compromisso constante na missão de apoiar os cristãos do Oriente”.

Palavras que evidentemente deverão ser verificadas pelos fatos (e diante das quais, a atitude com repeito ao conflito na Síria será uma bússola importante). Mas, são palavras que indicam o temor que o expansionismo russo começa a despertar nas embaixadas ocidentais, frente à reorganização deste grande mosaico que representa o Oriente Médio. E, assim, um dos temas, como as garantias para os cristãos no mundo muçulmano, voltam a surgir depois de terem sido sacrificados em nome de outros interesses.