Massacre de jesuítas, em El Salvador, completa 24 anos

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Por: Caroline | 12 Novembro 2013

A Universidade de El Salvador se prepara para lembrar o massacre dos sacerdotes jesuítas, ocorrido em 16 de novembro de 1989, em plena guerra civil (1980-1992), quando os soldados do batalhão de infantaria do Exército, Atlácatl, treinados nos Estados Unidos, invadiram a Universidade Centro-Americana José Simeon Cañas (UCA) (foto) e assassinaram o reitor, o espanhol Ignacio Ellacuría, e também os jesuítas Ignacio Martín Baro, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e o salvadorenho Joaquín López, além da cozinheira Elba Julia Ramos e sua filha, de 15 anos, Celina Mariceth Ramos.

A reportagem é de Alver Metalli, publicada por Vatican Insider, 10-11-2013. A tradução é do Cepat.

Fonte: http://goo.gl/Lw31iP

A frase que será o tema de diferentes manifestações para lembrar estes fatos é proveniente do artigo “Utopia e profetismo na América Latina”, escrito por Ignacio Ellacuría (o mais conhecido entre as vítimas): “Não há humanidade sem solidariedade compartilhada”. As atividades incluem uma mostra fotográfica; a exposição de cartazes dos 24 anos passados; a inauguração do auditório da Universidade dedicado a Elba e Celina Ramos, a mulher assassinada com os jesuítas e sua filha adolescente; a projeção de um filme sobre a vida do bispo brasileiro Pedro Casaldáliga; e a apresentação de um mural sobre os jesuítas. A semana dedicada aos “mártires da UCA”, como foi chamada, culminará com a missa, no dia do assassinato, em frente a túmulo de dom Romero.
 
Por estes episódios sangrentos, um coronel, dois tenentes, um subtenente e cinco soldados foram julgados em 1991. Sete deles foram absolvidos e dois condenados a 30 anos de prisão (o coronel Guillermo Benavides e o tenente Yusshy Mendoza), entretanto, ambos haviam se beneficiado com um indulto decretado em 1993, pelo então presidente Alfredo Cristiani (1989-1994), poucas horas antes da publicação de um relatório da Comissão da Verdade da ONU, que atribuía à cúpula militar a responsabilidade pelo massacre.
 
Com a anistia, o caso permaneceu arquivado em El Salvador, mas voltou à luz em 2009, baseado em uma denúncia apresentada na Espanha pela Associação Pró-Direitos Humanos Ibérica e pela organização estadunidense Center For Justice & Accountability. A UCA segue exigindo que se esclareçam totalmente os fatos e as responsabilidades do massacre, fruto do “mesmo ódio que matou a dom Romero”, disse seu sucessor, o arcebispo de São Salvador, Arturo Rivera Damas.
 
Um jornal salvadorenho, “El Faro”, acabou de publicar um documento pouco conhecido, que é parte de um relatório mais amplo arquivado no Centro de Justiça e Responsabilidade, e que leva o título de “O Coronel Montano e a ordem de matar”. Ele reconstrói os dois dias cruciais, com as reuniões nas quais se tomou a decisão de realizar o massacre. Após uma primeira reunião, à tarde, lê-se no documento: “O coronel Ponce chamou o coronel Guillermo Alfredo Benavides e, à frente de outros quatro oficiais, ordenou-lhe eliminar o Padre Ellacuría, sem deixar vestígios”. Segundo confissões posteriores, feitas por alguns dos soldados acusados pelos assassinatos, o coronel Benavides saiu da reunião do Estado Maior e informou aos oficiais do Colégio Militar que havia recebido uma ordem nestes termos: “Ele [Ellacuría] deve ser eliminado e não quero vestígios”.
 
A operação durou cerca de uma hora. O relatório a descreve da seguinte forma: “o padre Martín-Baró abriu a porta da residência deixando, voluntariamente, que entrassem os soldados. Depois de ordenar aos cinco sacerdotes que ficassem de bruços sobre a grama, dois soldados dispararam contra eles, um a um. A poucos metros de distância, outro soldado matou Elba Ramos, que abraçava sua filha Celina. O tenente José Ricardo Espinoza Guerra, o único soldado que cobriu o rosto com graxa de camuflagem, confessou, depois, que ele deixou o recinto universitário em lágrimas: o padre Segundo Montes, que estava morto no chão, havia sido reitor quando ele era estudante no Internato São José. Outro agente recordou que os sacerdotes não eram perigosos, visto que já estavam “muito velhos, sem armas” e “de pijamas”. Contudo, ele disse que seu coronel lhe havia dito que os sacerdotes eram “delinquentes terroristas”, e que eram “seus cérebros o que interessava”.

Todos os corpos foram encontrados com tiros de misericórdia. Um sexto sacerdote morreu pedindo que não o assassinassem, enquanto os soldados discutiam entre eles a atribuição da responsabilidade do massacre à Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).

Massacre de jesuítas, em El Salvador, completa 24 anos

A Universidade de El Salvador se prepara para lembrar o massacre dos sacerdotes jesuítas, ocorrido em 16 de novembro de 1989, em plena guerra civil (1980-1992), quando os soldados do batalhão de infantaria do Exército, Atlácatl, treinados nos Estados Unidos, invadiram a Universidade Centro-Americana José Simeon Cañas (UCA) e assassinaram o reitor, o espanhol Ignacio Ellacuría, e também os jesuítas Ignacio Martín Baro, Segundo Montes, Amando López, Juan Ramón Moreno e o salvadorenho Joaquín López, além da cozinheira Elba Julia Ramos e sua filha, de 15 anos, Celina Mariceth Ramos.

A reportagem é de Alver Metalli, publicada por Vatican Insider, 10-11-2013. A tradução é do Cepat.

A frase que será o tema de diferentes manifestações para lembrar estes fatos é proveniente do artigo “Utopia e profetismo na América Latina”, escrito por Ignacio Ellacuría (o mais conhecido entre as vítimas): “Não há humanidade sem solidariedade compartilhada”. As atividades incluem uma mostra fotográfica; a exposição de cartazes dos 24 anos passados; a inauguração do auditório da Universidade dedicado a Elba e Celina Ramos, a mulher assassinada com os jesuítas e sua filha adolescente; a projeção de um filme sobre a vida do bispo brasileiro Pedro Casaldáliga; e a apresentação de um mural sobre os jesuítas. A semana dedicada aos “mártires da UCA”, como foi chamada, culminará com a missa, no dia do assassinato, em frente a túmulo de dom Romero.
 
Por estes episódios sangrentos, um coronel, dois tenentes, um subtenente e cinco soldados foram julgados em 1991. Sete deles foram absolvidos e dois condenados a 30 anos de prisão (o coronel Guillermo Benavides e o tenente Yusshy Mendoza), entretanto, ambos haviam se beneficiado com um indulto decretado em 1993, pelo então presidente Alfredo Cristiani (1989-1994), poucas horas antes da publicação de um relatório da Comissão da Verdade da ONU, que atribuía à cúpula militar a responsabilidade pelo massacre.
 
Com a anistia, o caso permaneceu arquivado em El Salvador, mas voltou à luz em 2009, baseado em uma denúncia apresentada na Espanha pela Associação Pró-Direitos Humanos Ibérica e pela organização estadunidense Center For Justice & Accountability. A UCA segue exigindo que se esclareçam totalmente os fatos e as responsabilidades do massacre, fruto do “mesmo ódio que matou a dom Romero”, disse seu sucessor, o arcebispo de São Salvador, Arturo Rivera Damas.
 
Um jornal salvadorenho, “El Faro”, acabou de publicar um documento pouco conhecido, que é parte de um relatório mais amplo arquivado no Centro de Justiça e Responsabilidade, e que leva o título de “O Coronel Montano e a ordem de matar”. Ele reconstrói os dois dias cruciais, com as reuniões nas quais se tomou a decisão de realizar o massacre. Após uma primeira reunião, à tarde, lê-se no documento: “O coronel Ponce chamou o coronel Guillermo Alfredo Benavides e, à frente de outros quatro oficiais, ordenou-lhe eliminar o Padre Ellacuría, sem deixar vestígios”. Segundo confissões posteriores, feitas por alguns dos soldados acusados pelos assassinatos, o coronel Benavides saiu da reunião do Estado Maior e informou aos oficiais do Colégio Militar que havia recebido uma ordem nestes termos: “Ele [Ellacuría] deve ser eliminado e não quero vestígios”.
 
A operação durou cerca de uma hora. O relatório a descreve da seguinte forma: “o Padre Martín-Baró abriu a porta da residência deixando, voluntariamente, que entrassem os soldados. Depois de ordenar aos cinco sacerdotes que ficassem de bruços sobre a grama, dois soldados dispararam contra eles, um a um. A poucos metros de distância, outro soldado matou Elba Ramos, que abraçava sua filha Celina. O tenente José Ricardo Espinoza Guerra, o único soldado que cobriu o rosto com graxa de camuflagem, confessou, depois, que ele deixou o recinto universitário em lágrimas: o Padre Segundo Montes, que estava morto no chão, havia sido reitor quando ele era estudante no Internato São José. Outro agente recordou que os sacerdotes não eram perigosos, visto que já estavam “muito velhos, sem armas” e “de pijamas”. Contudo, ele disse que seu coronel lhe havia dito que os sacerdotes eram “delinquentes terroristas”, e que eram “seus cérebros o que interessava”.

Todos os corpos foram encontrados com tiros de misericórdia. Um sexto sacerdote morreu pedindo que não o assassinassem, enquanto os soldados discutiam entre eles a atribuição da responsabilidade do massacre a Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).
 

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