Nova crítica de Bergoglio à ''fé de museu''

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31 Outubro 2013

Do púlpito improvisado no átrio de São Pedro, no domingo, o papa jesuíta se pronunciou contra aqueles que pretendem arquivar o depositum fidei em uma urna de museu, juntando poeira. A fé, diz Francisco, não pode ser embalsamada.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 29-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma mensagem dirigida mais uma vez àqueles "cristãos ideológicos", afetados por uma doença grave que o pontífice já tinha diagnosticado há algumas semanas. Então, no alvorecer do hotel de Santa Marta, ele havia proferido uma homilia em que explicava que "quando um cristão se torna discípulo da ideologia perdeu a fé e não é mais discípulo de Jesus".

A ideologia como mal supremo, portanto, como "doença nada nova que assusta, afasta as pessoas e afasta a Igreja das pessoas". O cristão presa da ideologia torna-se rígido, moralista, eticista, mas sem bondade. E se ele se torna isso, concluía Francisco, "é porque não reza". E se não houver oração, acrescentava Jorge Mario Bergoglio, "você sempre fecha a porta".

Atitude oposta à desejada pelo papa que veio quase do fim do mundo para a sua Igreja, que ele prefere "acidentada", mas viva, em vez de fechada em si mesma e triste. O modelo a imitar, o exemplo a seguir é São Paulo, o apóstolo das gentes. Ele, já no crepúsculo da vida e tencionado a fazer um balanço da sua existência terrena após a fulguração no caminho de Damasco, disse ter "guardado a fé". Um digno epitáfio, que não por acaso o Papa Montini também repetia no dia 29 de junho de 1978 na Basílica Vaticana, sentindo-se "neste limiar extremo confortado e sustentado pela consciência" por ter servido incansavelmente a Igreja.

Francisco explicou na homilia pronunciada durante a missa para a Jornada da Família (um dos últimos eventos centrados no Ano da Fé, que irá se concluir no próximo dia 24 de novembro) que existem formas e formas para guardar a fé, e que São Paulo certamente não a "colocou na caixa-forte, não a escondeu no subsolo, como aquele servo um pouco preguiçoso".

O "fidem servavi" de Paulo chega depois de ter combatido o bom combate e já ter terminou a corrida. "Ele guardou a fé porque não se limitou a defendê-la, mas a anunciou, irradiou, a levou longe". Ele "se opôs decisivamente contra aqueles que queriam conservar, embalsamar a mensagem de Cristo nas fronteiras da Palestina". E, por isso, em vez de "fazer passar a fé por um alambique, fazendo-a se tornar ideologia", ele fez escolhas corajosas, "foi a territórios hostis, deixou-se provocar pelos distantes, por culturas diferentes, falou francamente sem medo".

São Paulo, acrescentou o papa, "guardou a fé porque, assim como a tinha recebido, ele a doou, indo até as periferias, sem se encastelar em posições defensivas". Uma mensagem destinada também àqueles setores que, como Bergoglio ressaltava na longa entrevista concedida à Civiltà Cattolica, ainda hoje não aceitam a "irreversibilidade da leitura do Evangelho atualizado para hoje". Uma leitura filha do Concílio que vê na liturgia um dos seus pontos centrais, um dos seus "enormes frutos".

O papa advertia, então, contra o "risco de ideologizar o Vetus Ordo", a antiga missa em latim. Francisco se dizia "preocupado com a sua instrumentalização". O perigo, acrescentara o pontífice argentino, é o de ser oprimido pela soberba, de ser "sujado" por ela. Essa atitude, no longo prazo, leva a "perder a fé e a humildade".

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