Padre e transexual escrevem ao cardeal

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30 Outubro 2013

Eles se casaram há quatro anos. E as suas núpcias fizeram explodir um caso. Sim, porque Sandra Alvino, a esposa, é hoje uma mulher para todos os efeitos, mas nasceu homem.

A reportagem é do jornal Corriere Fiorentino, 27-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para o quarto aniversário, o casal e o padre Santoro, o pároco que lhes deu a "bênção matrimonial", decidiram escrever ao cardeal Betori, arcebispo de Florença, Itália. Justamente por causa dessa iniciativa, o padre Santoro foi temporariamente afastado por Betori da comunidade de Piagge, que também assina a carta.

"Estamos aqui depois de quatro anos para fazer memória e para renovar o abraço de bênção que vivemos à época, e voltaram à mente as suas palavras de bispo ditas e escritas que consideravam, e ainda consideram, aquele ato 'privado de todo valor e eficácia', sobre as quais pensamos e repensamos, mas mais uma vez só podemos dizer à Igreja, da qual fazemos parte, que não conseguimos reconhecer e compartilhar aquelas suas palavras".

"O senhor – escrevem os autores à Igreja, dirigindo-se a Betori – considerou esse ato uma simulação de sacramento, apoiando-se no Código de Direito Canônico e fazendo força sobre a sua 'segurança' doutrinal".

E, referindo-se à recente entrevista do Papa Francisco à Civiltà Cattolica, o padre Santoro, Alvino (presidente da Associação Italiana de Transexuais) e o marido, Fortunato Talotta, dizem que "parece-nos que essas palavras são a via mestra com as quais as comunidades cristãs, os bispos e a Igreja no seu conjunto deveriam, com espírito sinodal, debater sobre os atos e sobre as escolhas que vivemos como Igreja. E é justamente à luz dessas indicações que continuamos pensando que deve ser reconhecida à bênção matrimonial de Sandra e de Fortunato a dignidade de sacramento. E, então, como pensar que não existe e não vale esse ato de matrimônio oficial firmado com fé e convicção pelos esposos, por mim como celebrante e pelas duas testemunhas há quatro anos? O que é preciso fazer com esse ato?".

Na carta, relata-se que, "hoje, na celebração eucarística da Comunidade, juntos reiteramos que uma história de amor fiel é um sacramento em si mesmo, que o ato de amor vivido com eles no dia 25 de outubro de quatro anos atrás supera o direito e a lei sempre e todos os momentos, e que a sua união é abençoada e consagrada".

"Mais uma vez, e desta vez de forma aberta e pública – continua o texto – pedimos ao senhor que possa começar a dialogar e a debater como Igreja em espírito sinodal sobre essa questão específica e sobre como dar dignidade de acolhida verdadeira na Igreja às diversas e várias relações de amor".