Ao lado de Marina, Campos defende agronegócio

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29 Outubro 2013

Ao lado da ex-senadora Marina Silva (PSB), o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, defendeu ontem a aproximação do governo com o agronegócio "sustentável". Pré-candidato à Presidência, Campos ressaltou a importância do setor na economia e afirmou que "o mundo" precisa que o Brasil aumente sua produção agrícola.

A reportagem é de Cristiane Agostine e publicada pelo jornal Valor, 29-10-2013.

No primeiro encontro entre lideranças nacionais do PSB e da Rede Sustentabilidade para discutir as diretrizes do programa de governo presidencial para 2014, Campos e Marina procuraram minimizar suas divergências. "Temos diferenças e vamos saudar as diferenças. Isso nos permite um diálogo fraterno, respeitoso", desconversou o pré-candidato, em entrevista a jornalistas, durante a reunião, na capital paulista.

Questionado sobre as discordâncias em relação à ex-senadora sobre o agronegócio, Campos disse que não tem preconceito com o setor. "Quando se fala do agronegócio, da agricultura familiar, não temos nenhum preconceito com quem vive no campo, quem produz no campo. Pelo contrário. Nós vemos a necessidade dessa aproximação. É o que nós defendemos", disse. "Há sobre o Brasil uma expectativa enorme mundo afora. O mundo precisa que o Brasil acelere a produção de grãos de alimentos para vencer a fome, dar conta do aumento da população da Terra", afirmou Campos. "O agronegócio é responsável por 25% do PIB, por 25% do emprego, pelo dobro do saldo da balança comercial...Queremos fazer isso com sustentabilidade, porque o mundo também não está querendo comprar absolutamente nada de quem não respeita valores que está em busca", disse.

O tema foi o primeiro a gerar atrito entre Marina e integrantes do PSB desde que filiou-se ao partido, há três semanas. A ex-senadora criticou o líder do DEM na Câmara Ronaldo Caiado (GO), por sua atuação como ruralista e Caiado rompeu o acordo eleitoral que costurava com o PSB em Goiás e colocou em xeque o apoio do DEM a Campos em 2014.

Na coletiva de imprensa, Marina evitou o tema "agronegócio".

As convergências de Campos e Marina, no entanto, foram enfatizadas a uma plateia de cerca de 150 lideranças do PSB e da Rede. Ambos marcaram a provável chapa presidencial como de oposição. "Nós ganhamos 2013 na medida em que muitos pensavam que iam nos aniquilar. Esse processo vai nos permitir vencer o debate de 2014. E mais do que vencer o debate, temos as condições de fazer o povo brasileiro vencer a partir de 2015", afirmou Campos.

Em sintonia, defenderam legados das gestões Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e só apresentaram críticas ao falar do atual governo, da presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT).

"Nosso compromisso é preservar as conquistas que o Brasil fez. Ter clareza de que não pode jogar fora as conquistas que fizemos. (...) Essas conquistas correm risco", disse Campos. "Nossa democracia pode andar para trás. A estabilidade corre risco. Proteger o legado é estratégico.

Além da defesa das gestões passadas, Marina e Campos defenderam outros dois pontos, que serviram de base para a discussão das diretrizes do plano de governo por seus aliados: a "democratização da democracia" e desenvolvimento sustentável. O grupo deve fazer mais cinco encontros para traçar propostas.

O documento que baseou o debate classifica o modelo de desenvolvimento econômico da gestão Dilma como caduco e ataca o loteamento de cargos na gestão pública. O texto afirma que a "base do sistema político permanece impregnada de práticas atrasadas", com "uma persistente cultura patrimonialista que se transformou no eixo do modelo de governabilidade, voltado principalmente para acordos circunstanciais de ocupação de postos de poder". Em outro trecho, ataca a "distribuição de feudos dentro do Estado".

Apesar da crítica no texto, Campos governa Pernambuco com um amplo leque de alianças e tem a participação de pelo menos 14 partidos em sua gestão e já chegou a 16 legendas. Na coletiva de imprensa, Marina saiu em defesa da gestão de seu aliado. Já Campos disse que a participação de filiados políticos não significa loteamento.

À plateia, Marina defendeu a aliança com o PSB e pediu "paciência" e diálogo. Depois de citar trecho de música de Caetano Veloso, que diz que "Narciso acha feio aquilo que não é espelho", a ex-senadora pediu a seus seguidores que aceitem o que é defendido pelo PSB. "Estamos aqui para achar bonito o que não é espelho", disse. "Não é possível a troca na mesmice. Só é possível estabelecer a troca na diferença".

Em seu discurso, Campos afirmou que "aqueles que pensam com a cabeça da política tradicional" vão "errar" sobre sua aliança com Marina. "Se acham que vão me jogar contra Marina, ou Marina contra mim, os militantes da Rede vão disputar a cotovelada com o PSB, estão completamente errados. Não estamos nesse jogo. Se Marina quisesse um partido para ser candidata, ela tinha. Se o PSB quisesse só ter uma opção, ele também só tinha uma opção", afirmou. "Sabemos de onde viemos, temos história no campo democrático e de esquerda desse país, temos história de coerência de nossa fala e de nossa prática, temos o reconhecimento de povo, temos a condição de andar pelo país de cabeça erguida".

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