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“É possível alimentar o mundo”, diz presidente do Comitê de Segurança Alimentar da FAO

Ao contrário do que dizem muitos pessimistas e conservadores, o mundo, que hoje tem um pouco mais de 7 bilhões de habitantes e em 2050 poderá chegar aos 9 bilhões, tem condições de alimentar todos eles, caso tiver vontade, com a produção atual de alimentos. Basta corrigir algumas atitudes, mudar algumas leis, dar financiamentos e difundir tecnologias para que os 842 milhões de pessoas que ainda vão dormir sem comer. Estes são os objetivos, em suma, do Comitê de Segurança Alimentar da FAO, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, cuja sede mundial fica em Roma. Estão representados no comitê os países membros da ONU, mas também o setor privado e a sociedade civil através de organizações não governamentais e outros organismos.

A reportagem é de Elena Llorente e publicada no jornal argentino Página/12, 24-10-2013. A tradução é de André Langer.

“Temos a tecnologia, os conhecimentos, os materiais, temos tudo para alimentar as 9 bilhões de pessoas. O problema é que os pequenos produtores da Ásia e, especialmente, da África, não têm acesso às terras, nem a financiamentos, nem ao conhecimento ou aos desenvolvimentos tecnológicos. Em muitos destes países, além disso, as mulheres não são levadas a sério”, disse a holandesa Gerda Verburg, atual presidente deste Comitê, em um encontro com um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros, nesta quarta-feira, em Roma. Explicou, além disso, que se perde um terço da produção mundial de alimentos. Como? Metade desse total se perde antes ou imediatamente depois da produção. Por exemplo, se um camponês tem cabras e destina o leite à produção de queijo, se não puder conservá-lo adequadamente, o leite se perderá em pouco mais de um dia. O mesmo acontece com o queijo se não for resfriado adequadamente. A outra metade se perde como “desperdícios” que são criados pelos consumidores. Por exemplo, na Holanda, contou Verburg, de cada cinco bolsas de alimentos comprados em um supermercado, o normal é que uma bolsa se perde. Ou seja, 20% dessa compra. A comida é jogada no lixo porque cozinhou demais, porque ficou muitos dias na geladeira, porque se serviu demais no prato. “Podemos fazer muito para melhorar esta situação e evitar chegar em 2020 com pessoas que ainda passem fome”, destacou Verburg, que foi ministra da Agricultura da Holanda.

O que você descreveu em relação à perda de alimentos é o que acontece nos países desenvolvidos. Mas o que acontece no resto do mundo?

Nos países em desenvolvimento, em geral, perde-se menos de 10% dos alimentos. E são perdidos antes ou depois da colheita, muitas vezes porque não têm condições de chegar aos mercados ou por falta de estruturas de armazenamento. Mas em muitos países, especialmente da África, a perda de alimentos é muito maior e pode chegar a 30% ou 40% – e, às vezes, ultrapassar essa cifra – da produção total.

Você mencionou entre os objetivos do Comitê conseguir dar aos camponeses acesso a terra, a financiamentos, aos mercados. Mas, como?

Os governos devem criar infraestruturas e, sobretudo, caminhos, para ajudá-los. De resto, tudo o que tem a ver com a informação que recebem, que pode ser proporcionada pela tecnologia. Se os agricultores tivessem um smatphone, por exemplo, seria muito fácil oferecer-lhes informações sobre mercados, qualidades das sementes, mudanças climáticas, etc. Em muitos países da África os agricultores criaram cooperativas e compraram um computador para se manterem informados. Alguns agricultores sabem ler, outros não, e estes recebem informações através do telefone. Se os pequenos agricultores se organizarem, é possível criar um poderoso mercado, negociar preços melhores, etc.

Qual é a situação alimentar na América Latina?

A América Latina é um grande produtor de alimentos e muito ativo em questões relativas à agricultura e à alimentação. Foram feitas duas reuniões importantes neste sentido no Rio de Janeiro, em 2002 e 2012. Na minha opinião, é uma região que é cada dia mais protagonista em matéria de agricultura, em relação à legislação e à produção de alimentos, mas também em segurança alimentar.

Alguns países da América Latina foram criticados por destinar parte da sua produção agrícola, de milho e soja, mas também de cana de açúcar, à produção de biocombustíveis. Qual é a sua opinião?

Há duas semanas, aconteceu uma reunião sobre este tema na FAO. Há diversas pesquisas que indicam que o uso do milho e da soja para a produção de energia está provocando uma alta dos preços dos alimentos, razão pela qual não contribuiria para a segurança alimentar. Mas há outros relatórios que dizem que não é bem assim, mas que proporciona rendas maiores aos agricultores. Nós discutimos isto e se viu que em cada país pode haver situações muito diferentes. Mas chegou-se a um acordo para que a produção de biocombustíveis e de alimentos não entre em conflito. Este acordo foi obtido entre os governos, o setor privado e a sociedade civil, para que assim possa ser aplicado em nível regional ou nacional.

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