Redespertar sentido e esperança: a evangelização segundo Francisco

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16 Outubro 2013

Primado do testemunho; urgência de ir ao encontro; projeto pastoral centrado no essencial: esses são os pontos centrais da evangelização segundo o Papa Francisco.

Publicamos aqui o discurso do Papa Francisco aos participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, na última segunda-feira, 14-10-2013. O discurso foi publicado pelo jornal L'Osservatore Romano. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Caros irmãos e irmãs,

Saúdo a todos vocês e lhes agradeço por aquilo que vocês fazem a serviço da nova evangelização e pelo trabalho do Ano da Fé. Obrigado de coração! O que eu gostaria de lhes dizer hoje pode ser resumido em três pontos: primado do testemunho; urgência de ir ao encontro; projeto pastoral centrado no essencial.

1. No nosso tempo, verifica-se muitas vezes uma atitude de indiferença para com a fé, considerada não mais relevante na vida do homem. Nova evangelização significa redespertar no coração e na mente dos nossos contemporâneos a vida da fé. A fé é um dom de Deus, mas é importante que nós, cristãos, mostremos que vivemos de modo concreto a fé, através do amor, da concórdia, da alegria, do sofrimento, porque isso suscita perguntas, como no início do caminho da Igreja: por que vivem assim? O que os impulsiona? São interrogações que levam ao coração da evangelização que é o testemunho da fé e da caridade. O que precisamos, especialmente nestes tempos, são testemunhas críveis que, com a vida e também com a palavra, tornem visível o Evangelho, redespertem a atração por Jesus Cristo, pela beleza de Deus.

Muitas pessoas se afastaram da Igreja. É equivocado jogar a culpa de um lado ou de outro; ao contrário, não se trata de falar de culpas. Há responsabilidades na história da Igreja e dos seus homens, há também em certas ideologias e nas pessoas individuais. Como filhos da Igreja, devemos continuar o caminho do Concílio Vaticano II, despojarmo-nos de coisas inúteis e prejudiciais, de falsas seguranças mundanas que pesam a Igreja e danificam o seu rosto.

Há a necessidade de cristãos que tornem visível aos homens de hoje a misericórdia de Deus, a sua ternura por cada criatura. Todos sabemos que a crise da humanidade contemporânea não é superficial, é profunda. Por isso, a nova evangelização, enquanto chama a ter a coragem de ir contra a corrente, de converter-se dos ídolos ao Deus único e verdadeiro, não pode senão usar a linguagem da misericórdia, feita de gestos e de atitudes antes ainda que de palavras. A Igreja, em meio à humanidade de hoje, diz: Venham a Jesus, todos vocês que estão cansados e oprimidos, e encontrarão descanso para as suas almas (cf. Mt 11, 28-30). Venham a Jesus. Só Ele tem palavras de vida eterna.

Cada batizado é "cristóforo", isto é, portador de Cristo, como diziam os antigos Santos Padres. Quem encontrou Cristo, como a Samaritana no poço, não pode manter para si essa experiência, mas sente o desejo de compartilhá-la, para levar outros a Jesus (cf. Jo 4). Todos devemos nos perguntar se quem nos encontra percebe na nossa vida o calor da fé, vê no nosso rosto a alegria de ter encontrado Cristo!

2. Aqui passamos ao segundo aspecto: o encontro, o ir ao encontro dos outros. A nova evangelização é um movimento renovado na direção daqueles que perderam a fé e o sentido profundo da vida. Esse dinamismo faz parte da grande missão de Cristo de trazer vida ao mundo, o amor do Pai para a humanidade. O Filho de Deus "saiu" da sua condição divina e veio ao nosso encontro. A Igreja está dentro desse movimento, cada cristão é chamado a ir ao encontro dos outros, a dialogar com aqueles que não pensam como nós, com aqueles que têm outra fé, ou que não têm fé. Encontrar a todos, porque todos temos em comum o fato de sermos criados à imagem e semelhança de Deus. Podemos ir ao encontro de todos, sem medo e sem renunciar ao nosso pertencimento.

Ninguém está excluído da esperança da vida, do amor de Deus. A Igreja é enviada a redespertar em toda a parte essa esperança, especialmente onde ela é sufocada por condições existenciais difíceis, às vezes desumanas, onde a esperança não respira, sufoca. Há a necessidade do oxigênio do Evangelho, do sopro do Espírito de Cristo Ressuscitado, que a reacenda nos corações. A Igreja é a casa em que as portas estão sempre abertas, não só para que cada um possa encontrar nela acolhida e respirar amor e esperança, mas também para que podemos sair para levar esse amor e essa esperança. O Espírito Santo nos impele a sair do nosso lugar e nos guia até as periferias da humanidade.

3. Tudo isso, porém, na Igreja, não está entregue ao acaso, à improvisação. Exige um empenho comum por um projeto pastoral que reponha o essencial e que seja bem centrado no essencial, isto é, em Jesus Cristo. Não serve se dispersar em tantas coisas secundárias ou supérfluas, mas sim concentrar-se na realidade fundamental, que é o encontro com Cristo, com a sua misericórdia, com o seu amor, e amar os irmãos como Ele nos amou. Um encontro com Cristo que também é adoração, palavra pouco usada: adorar Cristo. Um projeto animado pela criatividade e pela fantasia do Espírito Santo, que nos leva também a percorrer novos caminhos, com coragem, sem fossilizarmo-nos! Poderíamos nos perguntar: como é a pastoral das nossas dioceses e paróquias? Ela torna visível o essencial, isto é, Jesus Cristo? As diversas experiências, características, caminham juntas na harmonia que o Espírito Santo dá? Ou a nossa pastoral é dispersiva, fragmentária, pela qual, no fim, cada um segue por conta própria?

Nesse contexto, gostaria de enfatizar a importância da catequese, como momento da evangelização. O Papa Paulo VI já o fez na Evangelii nuntiandi (cf. n. 44). De lá, o grande movimento catequético levou adiante uma renovação para superar a ruptura entre Evangelho e cultura e o analfabetismo dos nossos dias em matéria de fé. Já lembrei várias vezes um fato que me impressionou no meu ministério: encontrar crianças que não sabiam nem fazer o Sinal da Cruz! Nas nossas cidades! É precioso para a nova evangelização o serviço que os catequistas desempenham, e é importante que os pais sejam os primeiros catequistas, os primeiros educadores da fé na própria família, com o testemunho e com a palavra.

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