Biologia sintética e a mercantilização da vida

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14 Outubro 2013

Os professores José Antônio Zamora e Jordi Maiso Blasco, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas – CSIC, de Madrid, Espanha, defenderam um enfoque humanista para as investigações no campo da biologia sintética durante mesa-redonda realizada na tarde de 10-10-2013 na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. O evento, denominado Projeto Biologia Sintética e Humanidades - nome do projeto em que ambos participam no CSIC – integra o II Seminário preparatório ao XIV Simpósio Internacional IHU: revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades. A modelagem da vida, do conhecimento e dos processos produtivos na tecnociência contemporânea.

     Fotos: Luciano Gallas

“Os problemas têm uma mediação social. Portanto, não é possível aplicar uma solução meramente técnica para resolvê-los. Isso resulta numa mercantilização total da vida, a qual responde a modelos sociais justificados nos processos de valorização do capital, na lógica da acumulação do capital, e em um sistema que expulsa cada vez mais setores da população para as margens da sociedade. Aplicar uma solução técnica implica em aplicar uma solução com esta mesma lógica capitalista-acumulativa. Se a produção de alimentos não contempla a necessidade mundial, não é uma solução técnica que vai resolver isso, e sim uma solução social”, argumenta José Antônio Zamora. “É necessário incorporar as mediações sociais dos problemas às soluções apresentadas. Isso não deve ser um atributo apenas da sociedade, mas também das próprias ciências”, complementa ele.

Jordi Maiso Blasco lembra que houve um grande desenvolvimento das pesquisas em biologia nas últimas décadas, notadamente nos estudos sobre o genoma humano a partir dos anos 1990. Isso fez com que as técnicas de investigação se tornassem cada vez mais acessíveis em termos econômicos e se popularizassem. Entretanto, as consequências deste conjunto de fatores nem sempre foram positivas ou respaldadas pela ética. Um exemplo disso foi a recriação em laboratório do vírus da chamada gripe espanhola, causador daquela que é considerada a mais grave pandemia de todos os tempos – acredita-se que tenha afetado metade da população mundial e matado de 20 a 50 milhões de pessoas entre 1918 e 1919.

Dinheiro e resultados

“Há nestas experiências um certo espírito aventureiro inovador, mas também provocador, de testar e superar limites. Elas lembram o comportamento de crianças de escola que tentam surpreender os colegas com seus trabalhos”, avalia Maiso. “Os pressupostos destas pesquisas não vieram da ética. Estão mais relacionados a um desejo de imitar Deus, de fabricar seres, de reconduzir neandertais à vida, a uma deia de ‘agora vamos poder fazer o que queremos’. Estes pressupostos também estão relacionados à possibilidade de se extrair valor dos processos biológicos. No sentido oposto, é preciso debater o modelo de desenvolvimento social, garantir a sustentabilidade a partir da tecnologia”, enfatiza ele.

 

“Estamos fazendo coisas sem saber exatamente o que fazemos. Estamos experimentando sem conhecer. As grandes empresas do mundo estão bombeando dinheiro nisso e estão exigindo resultados. Há uma corrida, uma competição, entre os laboratórios de pesquisa. Há muita pressão. Uma aceleração que contrasta com a lentidão da tomada de decisões, as quais exigem tempo, exigem debates sobre suas consequências. O processo de decisão política exige um tempo que a lógica de competitividade entre as instituições de pesquisa não dispõe”, ressalta Zamora.

Território inexplorado

Parte destas pesquisas fundamenta-se, como aponta Zamora, na tese de que os problemas que a técnica criar durante o seu desenvolvimento a própria técnica será capaz de corrigir. Entretanto, o professor adverte que é necessário debater esta questão. “Os filósofos não entendem de biologia. Eles estão realizando reflexões teóricas e apontando soluções que não conhecem. Da mesma forma, um biólogo de expertise, ao falar de ética, pode ter um entendimento que se aproxima do infantil, porque não está preparado pera debater a sociedade”, destaca ele.

Deste modo, os debates a respeito da biologia sintética acabam por se mostrar um território inexplorado, desconhecido nas próprias ciências humanas. Desconhecimento este, contudo, que não pode servir de álibi para a realização de experimentações estranhas à conduta ética e desvinculadas dos contextos sociais. Como afirma Zamora, também “o argumento de que ‘se eu não fizer, outro faz’ não serve de desculpa, pois essa é exatamente a forma de pensar nos regimes autoritários”.

(Por Luciano Gallas)

 Quem é José Antônio Zamora

 

 

José Antônio Zamora Zaragoza é filósofo, doutor pela Westfälische-Wilhelms-Universtät de Münster, Alemanha, e pesquisador titular no Instituto de Filosofia do Conselho Superior de Investigações Científicas - CSIC, Espanha. É autor de, entre outros, Theodor W. Adorno: pensar contra la barbarie (Madrid: Trotta, 2004) e Ciudadania, multiculturalidad e inmigración (Navarra: Verbo Divino, 2003).

 

 Quem é Jordi Maiso Blasco

 

 

Jordi Maiso Blasco é doutor em Filosofia pela Universidad de Salamanca, Espanha, e pesquisador no Instituto de Filosofia do Conselho Superior de Investigações Científicas - CSIC, Espanha. É autor de Elementos para la reapropiación de la Teoría Crítica de Theodor W. Adorno (Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca, 2010).

 

 

Para ler mais:

- Leituras políticas de Paulo de Tarso. Análise de José Antonio Zamora. Cadernos Teologia Pública nº 53.

- A memória, uma categoria central do cristianismo. Entrevista com José Antonio Zamora. IHU On-Line nº 352.

- Biopoder e o instante eterno. Entrevista com José Antonio Zamora. IHU On-Line nº 343.

- Walter Benjamin e o império do instante. Entrevista com José Antonio Zamora. IHU On-Line nº 313.

- O império do instante e a memória. Entrevista especial com José Antonio Zamora, publicada no sítio do IHU em 01-11-2009.

 

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