Por: Jonas | 09 Outubro 2013
O próximo Sínodo será realizado de 5 a 19 de outubro de 2014 e terá como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da Evangelização”, conforme anunciou a Secretaria do Sínodo, após a sessão de trabalho da qual participou o papa Francisco. Uma primeira novidade é a duração: duas semanas de trabalhos e não três.
A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 08-10-2013. A tradução é do Cepat.
O Ford Focus azul, com placas SCV 920, sem escolta, nem séquito, passou pela Via da Conciliação por volta de 16h15min de ontem. Francisco quis participar pessoalmente da sessão de trabalho da Secretaria do Sínodo dos Bispos, cuja sede é o Palazzo Bramante da mesma via romana (no número 34). E retornou esta manhã. Há algumas semanas, o Papa enviou como núncio para Alemanha o secretário do Sínodo, Nicola Eterovic, que foi substituído pelo arcebispo Lorenzo Baldisseri, que até aquele momento era o “número dois” da Congregação para os Bispos. Baldisseri chegou à Secretaria do Sínodo com um mandato preciso: repensar as normas que regulam os trabalhos sinodais, para que sejam mais eficazes e para fomentar a participação.
Na semana passada, a reunião do “C8” dos cardeais do “conselho” nomeado pelo papa Francisco, para que o ajude no governo da Igreja universal e a reforma da Cúria, começou suas atividades estudando exatamente o tema do Sínodo, por motivos de urgência, pois era preciso anunciar o tema da próxima assembleia. O Papa quis que o tema da reunião fosse justamente “Os desafios pastorais da família no contexto da Evangelização”. Francisco, além disso, quer que o Sínodo se realize em novas modalidades.
Haverá maior comunicação e consulta, inclusive através da Internet, conforme apontou o cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga em algumas entrevistas nestes dias. Também está se estudando um proceder “em etapas”, que prevê uma extensão temporal nos trabalhos e que tenha uma maior participação da base e das Igrejas locais, que deverão expressar suas opiniões sobre os pontos das discussões. Depois de uma primeira sessão de trabalho, em Roma, as propostas deverão ser compartilhadas com as Igrejas locais, para retornar novamente a Roma.
Com sua participação nos trabalhos da Secretaria Geral do Sínodo, que também conta com a participação de alguns dos cardeais do “C8”, o papa Francisco demonstra mais uma vez seu estilo de governo e a forma como escuta e se envolve pessoalmente no trabalho cotidiano dos organismos curiais.
O Sínodo será uma oportunidade para enfrentar o tema dos divorciados que se casam novamente e sua participação na vida da comunidade cristã. A convocação do Sínodo Extraordinário sobre o tema da pastoral da família “é muito importante”, declarou o porta-voz vaticano, padre Federico Lombardi. “Esta é a forma pela qual o Papa tem a intenção de seguir o caminho da reflexão e da comunidade da Igreja com a participação responsável do episcopado das diferentes partes do mundo”, explicou.
“É justo que a Igreja se mova comunitariamente na reflexão e na oração – continuou Lombardi -, e que adote as orientações pastorais comuns sobre os pontos mais importantes – como a pastoral da família – sob a condução do Papa e dos bispos. A convocação do Sínodo Extraordinário sugere claramente esta via. Neste contexto, propor soluções pastorais particulares, por parte de pessoas ou entidades locais, pode acarretar que haja o risco de confusão. É bom insistir na importância de se realizar um caminho na plena comunhão da comunidade eclesial”.
Estas palavras, evidentemente se referem à iniciativa de alguém da Diocese de Freiburg, Alemanha, que há poucos dias parece que aprovou a possibilidade de comunhão para os divorciados. No Sínodo extraordinário participam ao redor de 150 pessoas (praticamente todos os presidentes das Conferências episcopais); a metade destas pessoas participa normalmente no Sínodo ordinário.