Transparência no IOR e na Cúria. Entrevista com Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga

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15 Mai 2013

"O IOR? Veja, em princípio eu não poderia dizer nada. Mas eu não acho que o problema seja o fechamento, ao menos agora. Mas uma redefinição sim. A transparência sempre será um grande bem. As coisas misteriosas não vão bem...".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 13-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O cardeal Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, 70 anos, se apresenta como em um simples clérigo e cumprimenta cada um murmurando "Deus lhe abençoe". A Universidade de Parma recém lhe conferiu o grau de doutor honoris causa em International business and development pelo seu compromisso com a defesa dos deserdados e contra a pobreza, seja como arcebispo de Tegucigalpa, seja como presidente da Cáritas Internacional. Uma lição sobre ética e desenvolvimento.

"A crise global nasceu por ganância, falta de transparência e crimes financeiros". A amizade com Bergoglio é de longa data. Maradiaga está em Roma, e eles logo se verão. O papa quis que ele fosse o coordenador do grupo cardinalício que ele instituiu para "aconselhá-lo" e estudar a reforma da Cúria.

Eis a entrevista.

Também do IOR, eminência?

Antes do conclave, quando nós, cardeais, pedimos informações, eles nos disseram:" O IOR não é um banco, mas sim uma fundação". E então como é que, ao longo do tempo, ele se apresentou e agiu como um banco?

Por exemplo as contas privadas?

O essencial é que se redefina o seu papel, que se esclareça. Além do mais, todos os bancos apresentam as suas atividades. Não é nenhum mistério se as coisas não vão bem. Repito: a transparência é um grande bem. Há alguns que falam também de uma espécie de banco ético, no sentido em que ele é definido hoje. Veremos.

O que significa a "Igreja pobre e para os pobres" de Francisco?

Significa que os pobres não são uma estatística, mas sim pessoas reais, que têm um rosto concreto e vivem em uma situação desumana. Para nós, a opção preferencial pelos pobres significa que devemos trabalhar mais para que haja mudanças no mundo e a pobreza seja combatida como um problema humano, não somente econômico.

O papa disse que o Concílio ainda não foi aplicado totalmente. É isso?

Sim, eu estou convencido disso. Porque, veja, depois de alguns anos de entusiasmo, permaneceu-se em uma espécie de limbo, quase como se houvesse um pouco de indiferença. Mas, ao invés, o Espírito Santo nos chama sempre a renovar faciem terrae, a face da Terra. E tornar o mundo mais humano.

O "grupo" vai no sentido do Concílio, a colegialidade entre o bispo de Roma e os outros bispos?

É claro que, mesmo antes do conclave, havia entre os cardeais muitas vozes que pediam um esforço maior de colegialidade. É assim que recebemos esse encargo.

O Vaticano especificou: "grupo", não "conselho".

Tudo bem, eu não acho que seja um problema de termos. Há uma coisa que não existia antes e por isso eles ainda não têm uma definição mais clara. Nem nós sabemos!

Em outubro, vocês irão se reunir. Qual será o papel de vocês?

Os cardeais têm um papel na Igreja, ser como que conselheiros do Santo Padre. Pois bem, essa é uma outra forma de aconselhar. Acima de tudo, é um modo de oferecer uma informação diferente com relação à que chega ao Santo Padre através das nunciaturas, através da Secretaria de Estado... Desta vez, nas reuniões pré-conclave, pediu-se que o papa também tivesse outras informações.

Mas qual era o problema? Um espécie de funil?

Sim, havia como que um funil. Pensava-se que só chegava ao pontífice uma informação limitada...

O bispo Marcello Semeraro, secretário do grupo, notava o mesmo problema entre o papa e os chefes de dicastério na Cúria...

Sim, o essencial está nas informações. Essa nova modalidade será uma riqueza para a Igreja. Nós estamos entusiasmados com isso. Nestes dias, haverá uma assembleia dos bispos da América Latina e eles já decidiram que irão transmitir as suas informações ao cardeal Errázuriz Ossa como representante da área dentro do grupo.

Francisco continuamente adverte contra fechamentos e hipocrisia. Por quê?

Porque o Senhor Jesus disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Isso significa que devemos ser transparentes na verdade de Cristo. É sempre melhor expressar a verdade.

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