''A verdadeira renúncia do papa é ao poder. Como queria São Francisco''. Entrevista com Chiara Frugoni

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07 Outubro 2013

Chiara Frugoni colocou no centro da sua própria atividade científica de historiadora medievalista o estudo das figuras de São Francisco e de Santa Clara. A visita do papa a Assis confirma a recuperação e a centralidade da mensagem franciscana, indicando o novo curso da Igreja.

A reportagem é de Gabriele Santoro, publicada no jornal Il Messaggero, 05-10-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Professora Frugoni, como é possível aproximar a a figura de São Francisco à do novo pontífice?

No século XIII, São Francisco viveu em uma sociedade que tinha problemas muito semelhantes e outros diferentes dos nossos. Não se pode pensar que São Francisco voltou, mas o papa se move nesse rastro. Por exemplo, no discurso dessa sexta-feira em Assis, eu retracei muitas analogias na referência ao encontro e na acolhida dos migrantes.

A senhora acredita que seja possível hoje o sonho de São Francisco de uma Igreja dos pobres para os pobres?

O conceito de pobreza deve ser entendido de uma forma mais aprofundada. Francisco se despojou de tudo diante do bispo e renunciou à riqueza da sua família. Mas ele não fez isso porque queria se tornar um mendicante. Ele trabalhava. Ele queria se libertar das coisas que nos tornam agressivos com relação aos outros,daquilo que alimenta a inveja. Na Idade Média, a palavra pobre não se contrapõe a rico, mas sim a poderoso: quem é pobre não tem poder. O Papa Francisco quer uma Igreja mais pobre e essencial. Mas, acima de tudo, eu acredito que ele a entenda na acepção mais ampla de renúncia ao poder.

Nos primeiros meses do pontificado, ele mostrou uma força comunicativa surpreendente. Isso representa uma chave da mudança?

Esse pontífice utiliza uma linguagem muito simples, mas ao mesmo tempo concreta: isenta de palavras complicadas ou ornamentos. E ele tem o dom da gestualidade. Quando ele afirma: "Devemos lutar pelo trabalho", ele restitui centralidade a um tema fundamental hoje. O seu propósito de uma Igreja aberta a todos se reflete na clareza da linguagem.

A verdadeira revolução é a fidelidade ao Evangelho?

Com relação ao passado, ele colocou novamente o Evangelho em primeiro plano, deixando muito de lado a doutrina e as proibições sobre o que se deve ou não se deve fazer. Como São Francisco, ele busca acima de tudo para falar com a mensagem de Cristo para uma Igreja inclusiva.

O papa, muitas vezes, se dirige aos jovens: "Não deixem que roubem a sua esperança". Qual a importância do exemplo de vida de Francisco e de Clara?

Eles eram jovens. E, acima de tudo, eram leigos. Eles trabalhavam pela sua própria subsistência e estavam sempre prontos para ajudar os pobres. Voltando o olhar para o mundo que os cercava, eles decidiram mudá-lo. Eles fizeram isso dedicando-se aos últimos: porque, neles, eles viram o rosto de Deus. Clara prefigurou um papel ativo da mulher na Igreja.

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