O papa e a misericórdia de Deus para com aqueles que não creem

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13 Setembro 2013

Até agora não se tinha visto um papa que dialoga com alguém que "não é crente" e que "não busca a Deus", mas nessa quarta-feira o jornal La Repubblica publicou a longa resposta do Papa Francisco às perguntas que Eugenio Scalfari lhe tinha feito em dois editoriais do dia 7 de julho e 7 de agosto. Eram oito perguntas sobre a fé, em que a central – mais insidiosa – era sobre a responsabilidade moral do não crente aos olhos do crente, à qual o papa respondeu que decisivo é "obedecer à própria consciência".

O comentário é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 12-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Uma resposta já clássica, de Newman a Ratzinger, mas também uma resposta nova na sua articulação, porque a questão não perguntava simplesmente o que seria do não crente, mas perguntava sobre o "pecado" de quem não crê, e o papa argentino introduziu – na resposta – o elemento da "misericórdia", típico da sua pregação e que, nesse contexto, é uma novidade.

Pergunta: se o não crente "comete aquilo que para a Igreja é um pecado, ele será perdoado pelo Deus cristão?". Resposta: "Posto que – e é a coisa fundamental – a misericórdia de Deus não tem limites se nos dirigimos a Ele com coração sincero e contrito, a questão para quem não crê em Deus está em obedecer à própria consciência. O pecado, mesmo para quem não tem fé, existe quando se vai contra a consciência. Ouvir e obedecer a ela significa, de fato, decidir-se diante do que é percebido como bem ou como mal".

Outra pergunta crucial de Scalfari sobre o não crente que se recusa a aceitar verdades "absolutas" e reconhece apenas "verdades relativas": aqui, se diria que o papa marca um ponto, porque, na oposição scalfariana de absoluto e relativo, ele introduz uma terceira via que é a "relacional" e opta por ela: "Eu não falaria, nem mesmo para quem crê, em verdade 'absoluta', no sentido de que absoluto é aquilo que é desvinculado, aquilo que é privado de toda relação. Ora, a verdade, segundo a fé cristã, é o amor de Deus por nós em Jesus Cristo. Portanto, a verdade é uma relação! Tanto é verdade que cada um de nós a capta, a verdade, e a expressa a partir de si mesmo: da sua história e cultura, da situação em que vive etc. Isso não significa que a verdade é variável e subjetiva, longe disso. Mas significa que ela se dá a nós sempre e somente como um caminho e uma vida".

As outras perguntas eram sobre o monoteísmo trinitário, o mandamento do amor, o Holocausto, o destino da própria ideia de Deus quando "a nossa espécie acabar". O papa nega que, acabando "este mundo", o ser humano "deixe de existir" e, portanto, sempre "de um modo que nós não sabemos", ele vai se relacionar com Deus, que é "Realidade com 'R' maiúsculo e não uma ideia do pensamento humano".

Sobre o Holocausto, ele afirma que ele não desmente as "promessas" de Deus a Abraão: e aqui Francisco apela à afirmação do apóstolo Paulo de que Deus "não falha à sua aliança feita com Israel" e indica uma prova disso no fato de que, em tantos séculos de "terríveis provações", os judeus conservaram a sua fé.

Francisco, portanto, não dialoga só com os atribulados que lhe escrevem nas provações da vida, mas também com os intelectuais não crentes. De Roncalli a hoje, os papas tinham dialogado com muitos interlocutores – de Montanelli a Guitton, a Frossard, a Gawronski, a Seewald –, mas se tratava de católicos, ou o intercâmbio era sobre a política eclesiástica: esse é o primeiro debate sobre a fé com alguém que "não busca a Deus". É um novo passo daquela que Francisco chama de "saída" ao mundo.

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