''O Papa Francisco também envia um sinal ao Irã''. Entrevista com Hans Küng

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12 Setembro 2013

O escritor e teólogo suíço, conhecido pelas suas posições muitas vezes heterodoxas no campo da moral, afirma: ''Os ataques contra a Síria seriam contra o direito".

A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 07-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Professor Küng, como o senhor julga o apelo do Papa Francisco para o jejum, uma prática que é comum às três religiões monoteístas, em nome da paz na Síria?

O gesto nos mostra o vasto horizonte ecumênico do Papa Francisco, o fato de que ele se dirige aos seres humanos de todas as religiões e, além disso, a todos os seres humanos de boa vontade. O fato de se dirigir a todas as três religiões mostra que ele leva a sério e com sucesso o ensino e a mensagem que ele nos deu quando, eleito papa, escolheu o nome de São Francisco de Assis. E decidiu aproveitar a oportunidade para também enviar indiretamente um sinal ao Irã.

Que sinal?

O sinal a todos os iranianos e a todos os seres humanos envolvidos pelo caso Irã do convite a se concentrarem na oração e na vontade de paz que é ensinamento verdadeiro da oração, e de convidar, assim, a todos, também os governantes, a refletir nesse sentido.

O apelo do Papa Francisco nos ensina, portanto?

Ensina e ajuda a nos tornarmos conscientes da importância da religião, das religiões, para o objetivo da obtenção da paz. Ele quer nos ajudar a compreender que, sem paz entre as religiões, não haverá paz no Oriente Médio.

O Papa Francisco também pensa no caso Irã?

Sim, ele aproveitou a oportunidade para tentar levar o Irã para fora do isolamento que ele escolheu sozinho. O novo presidente iraniano, Rohani, e isso certamente não escapou do Papa Francisco, pela primeira vez, enviou saudações aos judeus de todo o mundo, não só àqueles que vivem no Irã, mas a todos, inclusive os israelenses, votos pelo início do ano novo judaico. Um sinal também aos judeus cidadãos de Israel, em clara contradição com o seu antecessor, Ahmadinejad, que dizia que queria apagar o Estado de Israel do mapa do mundo. Também é importante que o novo ministro das Relações Exteriores iraniano, Sarif – Francisco também deve ter captado essa novidade –, membro comigo do conselho de 20 pessoas escolhidas pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, para o diálogo entre as culturas, me apoiou ao pedir a importância do Weltethos, da ética mundial na qual eu trabalho, como sistema de valores e normas comuns para entendermo-nos melhor. Seria uma base para a paz no Oriente Médio.

E se, ao contrário, chegar o ataque contra a Síria?

Um ataque armado na Síria sem mandato da ONU seria contra o direito internacional, prolongaria e aprofundaria o conflito ao invés de resolvê-lo. Não seria uma guerra de 60 dias apenas. O outro caminho é mais promissor. Associo-me ao apelo de Jeffrey Sachs, que pediu que os EUA produzam na ONU provas claras sobre as armas químicas e o seu uso por parte do regime, e que peçam ao Conselho de Segurança que condene os responsáveis pelos crimes e confie no Tribunal Internacional de Justiça. Obama também deveria procurar impor que todos ratifiquem a convenção da ONU contra as armas químicas. Se não tiver sucesso, diplomaticamente e de forma transparente, Rússia e China poderiam sair do seu isolamento.

O senhor imediatamente saudou a eleição de Francisco, esperando fortes gestos de renovação. Agora, as mudanças na cúpula da Cúria vieram, e depois esse apelo. São sinais fortes?

Ele age com coerência. Substituiu o secretário de Estado por uma pessoa capaz e chamou a atenção com esse apelo. Ele evita os erros do seu antecessor e do ex-secretário de Estado, Bertone, que agiam de modo bem meditado na política mundial.

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