Combate à malária avança, mas lentamente

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29 Agosto 2013

A revista semanal "Science" publicou, no dia 9 de agosto, encorajadores resultados preliminares obtidos por uma equipe americana de pesquisadores no desenvolvimento de uma vacina contra a malária, o que reavivou a esperança de que um dia seja vencida essa doença que, a cada ano, provoca no mundo todo entre 660 mil - segundo números da OMS (Organização Mundial da Saúde) - e 1,2 milhão de mortes, conforme um estudo publicado na "The Lancet" em fevereiro de 2012.

A reportagem é de Paul Benkimoun, publicada no Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 28/08/2013.

Embora a busca por uma vacina eficaz venha esbarrando há décadas na complexidade do parasita do gênero Plasmodium, causador da malária, foram feitos grandes progressos no tratamento e na prevenção dessa doença transmitida por um mosquito, o Anopheles. Assim, nos dez últimos anos, 1,1 milhão de mortes associadas à malária foram evitadas.

Mas essa conquista continua sendo frágil. Dos US$ 5,1 bilhões (cerca de R$ 12 bilhões) necessários a cada ano para garantir o acesso universal aos tratamentos contra a malária, só metade está de fato disponível. Acima de tudo, surgiram resistências aos tratamentos na Ásia e na África, onde os inseticidas começam a não funcionar mais contra certos mosquitos.

Em que ponto estão as pesquisas em busca de uma vacina? Os impressionantes resultados dos testes preliminares efetuados pela equipe americana de Robert Seder e Stephen Hoffman sobre uma vacina experimental contra a malária foram publicados no início de agosto na revista "Science". Concebida segundo uma abordagem não convencional, essa candidata a vacina gerou um elevado nível de proteção --até 100%-- em 12 dos 15 voluntários.

Geralmente as vacinas testadas contra a malária contêm proteínas do parasita para que se leve à formação de anticorpos na pessoa vacinada. Cerca de quinze candidatas a vacina desse tipo estão sendo testadas atualmente. Financiada pela Fundação Bill Gates, a mais avançada, em termos de experimentação, é a RTS, S/AS01 do laboratório GlaxoSmithKline, mas a proteção que ela proporciona continua sendo pequena.

Robert Seder e Stephen Hoffman administraram diretamente, por via intravenosa, parasitas tirados das glândulas salivares de mosquitos e previamente atenuados por irradiação. Testes posteriores permitirão saber se sua vacina é duradoura e realmente eficaz.

"Devemos aprender com a abordagem clássica, sem abandonar esta, e ao mesmo tempo ir atrás de novas pistas, experimentando com prudência e respeitando regras éticas", acredita Ogobara Doumbo, diretor do Centro de Pesquisas e de Formação sobre a Malária em Bamaco.

E qual é a estratégia recomendada em escala internacional? Os Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio têm como meta "controlar a malária e outras doenças graves e começar a reverter a tendência atual" até 2015. Essa meta não será atingida no caso da malária na África.

Entretanto, nos cinco últimos anos atingiram-se progressos nítidos, graças a uma mobilização financeira sem precedentes. "Se conseguirmos cobrir 80% da população-alvo --crianças com menos de 5 anos e mulheres grávidas-- através das ferramentas de prevenção e de tratamentos, teremos um impacto significativo", acredita o professor Doumbo.

Quais são as ferramentas atuais contra a malária? Transmitida pela picada de um mosquito fêmea, a malária é causada por um parasita cujas cinco espécies podem infectar humanos. Doença da pobreza, ela desapareceu dos países desenvolvidos, onde prevaleceu por muito tempo.

"Atualmente dispomos de ferramentas muito eficazes para a prevenção e o controle dessa doença: mosquiteiros impregnados de inseticida de longa duração, tratamento intermitente preventivo e tratamento preventivo sazonal recomendados pela OMS, testes rápidos, combinações terapêuticas à base de artemisinina...", explica Ogobara Doumbo.

As resistências do parasita aos medicamentos contra a malária ainda não se expandiram muito na África Ocidental. Mas "se não utilizarmos rapidamente esses medicamentos para eliminar o parasita dentro de cinco anos, o índice de resistência pode vir a ser muito grande", alerta o pesquisador malinês.

E haveria tratamentos eficazes disponíveis? Nos anos 1970, devido à guerra do Vietnã, o Centro de Pesquisas do Exército americano era um dos poucos a trabalharem em tratamentos novos contra a malária. Desde então, instituições públicas, laboratórios farmacêuticos e iniciativas novas, como a Drugs for Neglected Diseases --"medicamentos para as doenças negligenciadas" -, lançada pela Médicos Sem Fronteiras, vêm se dedicando a isso.

Esses esforços permitiram que fossem criadas combinações terapêuticas à base de artemisinina, uma substância obtida da artemísia, que se tornaram tratamentos de referência. Mas surgiram resistências no Sudeste Asiático.

"O que se observa, mais exatamente, é uma demora na eliminação do parasita, acima de sete dias onde normalmente se efetuaria em três dias", explica Ogobara Doumbo.

Por que não colocar todas as pessoas expostas em tratamento preventivo? A longo prazo, a ingestão de medicamentos anti-malária provoca efeitos indesejáveis. Acima de tudo, uma imunidade parcial vai se desenvolvendo ao longo dos anos nas pessoas que vivem permanentemente em zonas infectadas por malária.

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