"CUT não mudou porque quis", diz pesquisador

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21 Agosto 2013

O sociólogo do trabalho Ricardo Antunes estuda sindicalismo e estava no Congresso de Fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983. Hoje, a central tem 3.806 entidades filiadas e, de acordo com os dados mais recentes do Ministério do Trabalho, de 2011, representa 36,7% dos trabalhadores sindicalizados. Em entrevista concedida ao Valor, Antunes analisa as mudanças da CUT ao longo dos últimos 30 anos.

A entrevista é de Camilla Veras Mota e publicada pelo jornal Valor, 21-08-2013.

Eis a entrevista.

As mudanças estruturais da Central foram uma adaptação às transformações econômicas e sociais ou aconteceram de maneira mais proativa?

Nesses últimos 30 anos, o país viveu um furacão. Não foi só no Brasil, ele teve uma dimensão global. No caso brasileiro, acentuou-se fortemente a partir dos anos 90, quando combinou um movimento dúplice bastante articulado entre reestruturação produtiva em escala ampla e um ideário neoliberal muito privatista e "desregulamentador". A combinação dos dois elementos afetou profundamente o mundo do trabalho. Aumentaram a informalidade, a terceirização, a "feminização" da força de trabalho e houve mudanças geracionais importantes – o operário da indústria automobilística hoje é diferente daquele que existia há 30 anos.

Como isso afetou o movimento sindical e a CUT?

Afetou duramente os sindicatos, especialmente aqueles das épocas taylorista e fordista, como os que existiam em São Bernardo do Campo. A CUT não mudou porque quis, nem só porque as condições de trabalho mudaram. É uma combinação difícil entre mudanças no mundo da produção e vindas do cenário político e ideológico. Fundamentalmente, a CUT nasceu com um projeto contrário a essa estrutura sindical verticalizada e atrelada ao Estado. Era claramente contra o sindicalismo de Estado, contra o imposto sindical, contra o enquadramento que permitia que o Estado reconhecesse as centrais. Esse projeto mais autônomo, independente e classista foi sendo solapado ao longo dos anos 90 pela intensidade do neoliberalismo e da reestruturação produtiva.

Como o senhor vê a oposição da Força Sindical?

O dualismo sindical se tornou mais forte no Brasil quando a Força nasceu, nos anos 1990. Na época, era uma central que aceitava o ideário neoliberal, era a favor das privatizações, do desmonte dos direitos dos funcionários públicos. Depois ela mudou, por muitos motivos também – quando percebeu que perderia apoio se não lutasse pelos trabalhadores, inclusive os do funcionalismo público, mas isso é outra história. A CUT, de certo modo, passou a ter como polo de confrontação a Força Sindical. As demais organizações se articularam em outras centrais. Hoje temos uma espécie de pluralismo sindical de cúpula, com as duas mais fortes, mas, com a exceção do Conlutas e do movimento Intersindical, as demais são próximas do governo.

Mesmo com a queda das taxas de sindicalização no Brasil, a CUT ainda é a central mais representativa do país. Por quê?

A dessindicalização ocorreu, com raras exceções, em todos os países que passaram pela onda da reestruturação produtiva e do neoliberalismo, como Inglaterra, França e Itália. Há uma nova morfologia do trabalho: os terceirizados informais (que são entre 8 e 11 milhões dos trabalhadores brasileiros), as mulheres, a precarização. As plantas fabris agora são da "engenharia liofilizada", que elimina substâncias vivas. A CUT se mantém forte porque está fincada em setores importantes. O problema é que ela tem uma política próxima ao que era uma socialdemocracia sindical – negocial, institucionalista – em um período em que não há mais socialdemocracia sindical.

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