Bachelet defende reforma política e afirma que Aliança do Pacífico é ideológica

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Por: Jonas | 14 Agosto 2013

Vários meses se passaram desde o regresso de Michelle Bachelet (foto) ao Chile, tempo em que viajou por todo o país, venceu as primárias da Nova Maioria (antiga Concertação, principal força opositora do país), mas não deu entrevistas à imprensa. Nesta terça-feira (13/08), a candidata socialista ofereceu um café da manhã para correspondentes internacionais, no qual estava presente a reportagem de Opera Mundi.

 
Fonte: http://goo.gl/I7vfmq  

A reportagem é de Victor Farinelli, publicada no sítio Opera Mundi, 13-08-2013.

Entre os temas mais importantes, ela explicou seu projeto de nova constituição e como pretende implantá-lo, comentou sobre o protagonismo feminino na política chilena, sobre modelo educacional, igualdade de gênero e relações internacionais. Classificou como sexista a cobertura da imprensa sobre a disputa entre ela e a oficialista Evelyn Matthei e deu indícios claros da sua postura diante das novas conjunturas internacionais, em uma pergunta sobre a Aliança do Pacífico (acordo entre Chile, Colômbia, México e Peru, que tem sido prioridade da política externa do atual presidente, Sebastián Piñera): “não devemos submeter as relações internacionais a conceitos ideológicos”.

Integração Regional

“A política exterior do Chile desde o retorno da democracia priorizou a integração do país com toda a América Latina e o impulso por uma integração transversal no continente. No meu governo, fomos impulsores do acordo que gerou a Unasul [União das Nações Sul-Americanas] e tive o prazer de exercer a primeira presidência temporária do organismo. Também participamos da criação da CELAC [Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos] e sempre estaremos em favor das políticas integracionistas transversais”.

Aliança do Pacífico

“Não devemos submeter as relações internacionais a conceitos ideológicos. Eu entendo que as alianças estejam limitadas a questões geográficas, como a Comunidade Andina, por exemplo, mas tanto essas quanto outras instâncias devem respeitar sempre a decisão soberana da cidadania de cada país, e não pode estabelecer que tais países a conformam somente se seus governantes são desta ou daquela corrente política, por uma questão de respeito às normas democráticas”.

Nova Constituição

“Nossa proposta de nova constituição está enfocada em impulsar o debate sobre o sistema político. Primeiro, o sistema de eleição dos parlamentares, que hoje estabelece verdadeiros ferrolhos legislativos, que fazem as minorias terem direito de vetar as reformas propostas pela maioria. Também discutir nosso sistema presidencial, que hoje estabelece que um presidente só pode ter quatro anos e sem direito a reeleição. Queremos que a sociedade decida se esse é o melhor modelo ou se poderia ser estabelecida a reeleição, não visando beneficiar o mandatário vigente, não é algo que planteio para mim, ou se voltamos ao mandato único de seis anos. Além disso, nossa carta magna precisa reconhecer finalmente a autonomia dos nossos povos originários. Creio que também é necessário estabelecer constitucionalmente as leis de igualdade de gênero, porque de outra forma acho difícil que essas medidas se tornem efetivas”.

“Não sei porque é tão sexy essa discussão sobre o mecanismo para as mudanças constitucionais. É claro que o que seria mais adequado seria uma mudança que incluísse a participação popular, e para isso estamos trabalhando também para conseguir vencer o sistema eleitoral parlamentário, que favorece o empate, buscando ter uma bancada no Congresso que permita as mudanças pela via institucional. Depois, esperamos que os deputados e senadores eleitos tenham a grandeza de entender os números eleitorais, especificamente os que expressam o desejo da cidadania por mudanças (em referência a iniciativa Marca AC para Assembleia Constituinte), justamente porque se ignoram o desejo da cidadania, se não a representam, estarão fomentando em seus próprios eleitores o anseio por soluções fora da institucionalidade”.

Igualdade de gênero

“Muitos projetos de igualdade de gênero lançados pelo meu governo foram travados no Congresso e lamento que não tenha sido por causa do ferrolho constitucional, mas sim por um temor masculino injustificado. Por exemplo, no caso da lei que estabelecia cotas para mulheres na política, eu vi parlamentares homens dizendo abertamente que ‘o problema é que se vocês entram alguns de nós terão que sair’ e essa visão é um pouco mesquinha. A ideia é fomentar que os espaços sejam disputados por todos em pé de igualdade”.

Evelyn Matthei

“A cobertura da imprensa nas últimas semanas tem sido bastante sexista, com esse destaque exacerbado ao fato de haver duas mulheres presidenciáveis. No passado, ninguém enfatizava o fato de que a disputa era entre dois homens. O essencial na minha disputa com a candidatura oficialista não é nossa condição de mulheres, e sim o fato de que representamos projetos de país completamente diferentes”.

Modelo educacional

“No meu governo nós tivemos um projeto para acabar com o lucro nas escolas e universidades estatais, mas esse foi um dos projetos que foi travado no Congresso pelo veto das minorias, porque precisava de dois terços dos votos para ser aprovado. Nosso compromisso é com um modelo em que a educação de qualidade volte a ser um direito de todos e não um fator de endividamento familiar; que as verbas públicas para a educação não sejam usadas para enriquecimento de privados. Claro que a experiência nos faz ver que não podemos fazer isso enquanto as regras legislativas continuem a favorecer as minorias que não querem essas reformas”.

Lei Antiterrorista

“Quando voltei para ser candidata, disse que assumiria os erros que tivesse que assumir, e um deles foi o de ter aplicado a Lei Antiterrorista contra uma comunidade mapuche em 2007. O povo mapuche não é um povo violento. Queremos começar essa nova relação com todos os nossos povos originários trabalhando em favor do reconhecimento constitucional que eles merecem e da inclusão social dessas comunidades, com políticas públicas pensadas especificamente para cada realidade”.

Dilma e Cristina

“Tenho muito respeito e admiração pela presidente Dilma Rousseff, pela boa relação que estabelecemos quando tivemos o prazer de conversar e também pela sua bela história de vida. Também respeito muito a presidente argentina Cristina Kirchner. Um cenário com três mulheres presidentes na região é gratificante, mas não garante o essencial, que é um cenário onde as mulheres realmente possam disputar todos os espaços políticos em igualdade de condições com os homens. Isso só se consegue com leis estabeleçam uma mínima participação feminina”.

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