Ecumenismo: as disputas ortodoxas que pisam no freio no diálogo

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08 Agosto 2013

Se o diálogo ecumênico-teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas se arrasta há anos entre pequenos avanços e longas fases de stand-by, parece cada vez mais claro que quem está segurando o freio de mão puxado, em primeiro lugar, são as reservas e as divisões que eclodem no campo ortodoxo.

A reportagem é de Gianni Valente, publicada no sítio Vatican Insider, 06-08-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A última confirmação disso foi dada pelo Metropolita Hilarion de Volokolamsk, chefe do departamento para as relações eclesiais externas do Patriarcado de Moscou: em uma entrevista recente à agência KNA, o alto representante da ortodoxia russa expressou em termos claros a sua insatisfação perante o modus operandi da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas, o órgão bilateral de alto nível que, nos últimos anos, está tentando encontrar um apaziguamento católico-ortodoxo sobre a questão divisiva do primado e do exercício da autoridade na Igreja.

Nessa Comissão Mista, justamente Hilarion representa as instâncias do poderoso Patriarcado de Moscou. Por isso, as suas palavras soam como um distanciamento inevitável. "Equivocamo-nos", disse Hilarion, dentre outras coisas, "quando tentamos representar as tradições teológicas das nossas Igrejas como se estivessem aproximadas no mais alto nível", reiterando que o diálogo teológico não deve esconder, mas sim definir com clareza as divergências existentes entre as duas confissões cristãs.

As pontualizações de Hilarion confirmam, mais uma vez, que a Comissão Mista para o Diálogo Teológico goza atualmente de uma consideração quase mínima por parte de Moscou. Ainda na sua primeira reunião plenária dedicada ao tema do primado e da autoridade na Igreja, realizada em Ravenna, em 2007, os representantes russos haviam abandonado os trabalhos em protesto contra a decisão tomada pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla de convidar para a delegação ortodoxa também os representantes da Igreja da Estônia, removidos da jurisdição de Moscou depois da queda da URSS.

Ainda em novembro passado, em Paris, uma reunião do Comitê Restrito da Comissão acabou quase em nada por causa de uma nova recusa por parte dos representantes do Patriarcado de Moscou de assinar um texto de trabalho que abordava, com uma abordagem mais teológica e menos histórico-eclesiológica, a questão do primado.

As atuais adversidades do diálogo teológico são, em grande parte, um efeito colateral dos conflitos latentes que desde sempre marcam o campo ortodoxo. O Patriarcado de Moscou, política e numericamente preponderante, obstina-se a propor aos católicos uma aliança sobre as batalhas éticas e a manifestar falta de apreço pelo caminho teológico do diálogo com a Igreja de Roma.

No campo teológico-doutrinal, o líder da ortodoxia é inevitavelmente o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, e quem "dá as cartas" é o Metropolita Iohannis Zizioulas, que muitos consideram como o maior teólogo cristão vivo. Segundo os russos, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I gostaria de posar como "papa" ortodoxo, assumindo poderes jurisdicionais que são estranhos para a concepção eclesiológica do Oriente cristão. E isso enquanto o renascimento da superpotência russa reacende pulsões "imperiais" no Patriarcado moscovita.

Em todo caso, as "rixas" intraortodoxas também serão chamados, mais cedo ou mais tarde, a se confrontar com a nova temporada inaugurada na Igreja Católica pelo pontificado do Papa Francisco. Bartolomeu I, com um gesto simbólico marcante, presenciou o início do ministério do novo bispo de Roma e convidou-o a Jerusalém para repetir com o Papa Bergoglio o abraço que, há 50 anos, uniu Paulo VI ao Patriarca Atenágoras.

Mas também na frente russa o modus operandi do atual sucessor de Pedro poderia neutralizar desconfianças atávicas. Os russos não deixaram escapar as palavras que o Papa Bergoglio dedicou ao seu maior gênio literário na entrevista aérea concedida no retorno do Rio de Janeiro: "Quando se lê Dostoiévski", afirmou Francisco, "percebe-se qual é a alma russa, a alma oriental. É algo que nos faz muito bem. Precisamos dessa renovação, desse ar fresco do Oriente, dessa luz do Oriente".

O sensus Ecclesiae e o desarmante ardor apostólico do papa que costuma se definir como bispo de Roma também poderia encontrar palavras novas para falar ao coração dos irmãos cristãos do Oriente. Trazendo para dentro dos limites devidos as questões anteriormente primaciais e sugerindo a todos que o único caminho para a unidade é abraçar como irmãos a missão que Cristo confiou à sua Igreja, antes do seu retorno.

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