E depois de 40 anos a palavra ''gay'' entra no Vaticano

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02 Agosto 2013

As raízes da palavra "gay" se perdem no mundo provençal, e lá devem ser buscadas antes de se passar para a Inglaterra. Se, no primeiro caso, o significado era "alegre", "gaio", já no século XVIII, para os súditos de Sua Majestade, o valor se tingia com negativo e também podia significar "dissoluto".

A reportagem é de Armando Torno, publicada no jornal Corriere della Sera, 31-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O moralismo do século XIX deu o golpe de misericórdia: o termo, no mundo britânico, indicava agora luxúria. Uma Gay House – literalmente traduzida como "casa alegre" – nada mais era do que um bordel. Certamente ainda não havia a identificação com a homossexualidade.

Mas o salto ocorrerá graças aos EUA: começa a se difundir na América do Norte, alguns anos depois, o primeiro conflito mundial. Na Itália, "gay" obtém cidadania nos anos 1970, substituindo lentamente outras palavras ofensivas e grosseiras.

Agora, um papa a utiliza. Às margens desse perfil, sobre o qual se poderia escrever muito mais, é necessário acrescentar que a Igreja se expressou sobre o assunto em diversos ocasiões nas últimas décadas. Uma declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, no início de 1976, falou dos homossexuais de "tendência transitória" e daqueles "de instinto inato ou de constituição patológica".

Dez anos depois, o documento De pastorali personarum homosexualium cura (Cuidado pastoral das pessoas homossexuais), proveniente da mesma Congregação e que trazia a assinatura do cardeal Ratzinger, sublinhava que a "particular inclinação da pessoa homossexual, embora não seja em si mesma um pecado, constitui, no entanto, uma tendência, mais ou menos acentuada, para um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral". A palavra-chave é "homossexual", com nuances ao redor.

Os documentos e as declarações, entretanto, aumentam. Quem quisesse estudá-los do ponto de vista do léxico se encontraria diante de termos como "tendências", "relações", "atos" de homossexualidade, e nem sempre encontraria interpretações concordes.

Abrindo o Catecismo da Igreja Católica (aprovado de forma definitiva em 1997), na terceira parte, A vida em Cristo, lembra-se que, entre os pecados gravemente contrários à castidade, estão a masturbação, a fornicação, a pornografia e as "práticas" homossexuais (2.396).

Certamente, a intervenção do Papa Francisco é revolucionária, se pensarmos que, durante séculos, a linguagem eclesiástica salientou o pecado de "sodomia" (de Sodoma, cidade da Pentápole destruída com Gomorra pela justiça divina, como se narra em Gênesis 19), e Dante aborda ele no XV canto do Inferno, onde encontra Brunetto Latini.

Paulo, na Epístola aos Romanos, não é leve: "... suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Os homens fizeram o mesmo: deixaram as relações naturais com a mulher e arderam de paixão uns pelos outros, cometendo atos ignominiosos com homens" (1, 26-27).

E a Enciclopédia Católica, publicada entre 1948 e 1954, não dedicou nenhum verbete nem a "sodomia" nem a "homossexual".

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