A Igreja de Francisco, Reino sem príncipes

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31 Julho 2013

No Rio, o papa anunciou que tipo de Igreja quer. Roma sentia aonde levam os passos da sua revolução, mesmo que a definição soe excessiva para a prudência vaticana. Igreja não só pobre para viver a pobreza junto com os pobres. Humilde, especialmente nos bispos e nos cardeais que não "podem sofrer do distúrbio psicológico de se sentirem príncipes". Eles tem que ir às ruas, ouvir as pessoas.

A reportagem é de Maurizio Chierici, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 30-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Prazeres perdidos. O pesar de Francisco é a jaula da segurança das polícias vaticanas. Protetoras demais para quem, em Buenos Aires, sempre saía por aí: a pé, de ônibus. Falava com todos, "porque as pessoas têm o cheiro das ruas". O cardeal caminhante. Fácil para quem o encontrou nos três cômodos do pequeno apartamento que ele dividia com um monsenhor paralisado e a sua enfermeira. Fácil imaginar que ele não se adaptaria com o luxo do apartamento pontifício.

"Não é luxuoso", ele corrige os jornalistas. Mas o isolava do encontro com padres e bispos que vivem em torno de Santa Marta. Ele não renuncia ao hábito de dialogar com uma franqueza que a rigidez das formas intimida. Nos dias brasileiros, ele avisou que prefere aqueles que dizem "não concordo" do que as inclinações verbais das respostas adoradoras: "Mas que bonito, mas que bom".

Em 2002, eu havia ido encontrá-lo no bispado e começaram a rir: ele não mora aqui. Acabada a conversa, pedi-lhe para chamar um táxi: "São dois passos a pé, é bom para você caminhar". Agora, ele não encontra pessoas pelas ruas que lhe ofereçam um café. Entre as "imprudências" do Rio, um abandono seu gelou o sangue dos “anjos da guarda” que o protegiam armados como no Iraque: um jovem correu atrás do papamóvel para lhe estender a cuia do mate, e o papa não resistiu à tentação argentina. Sorveu um gole da bomba na qual o doador tinha recém-acabado de encostar os lábios, quando todo chefe de Estado sai em viagem com o cozinheiro de confiança para evitar ser envenenado.

Nos discursos, nada de homossexualidade, de sacerdócio feminino, de comunhão aos divorciados em segunda união, mas quando encontra o clero latino-americano abre todas as portas. João Paulo II tinha fechado a porta às sacerdotisas; Francisco quase as reabre com respeito e cautela: "Na Igreja, a mulher é mais importante do que os bispos, assim como Maria era mais importante do que os apóstolos. Falta uma explicação teológica. Seria preciso uma teologia das mulheres". Sobre os lobbies dos padres gays, ele não recua. "Quem sou eu para julgar?". Mas distingue entre as pessoas e os lobbies gays, maçons, de negócios. E depois os pecados vaticanos, aquele Nunzio Scarano na prisão por ter lidado com capitais obscuros.

A resposta de Francisco parece ser recolhida em um café da cidade que sente a sua falta: "Temos um monsenhor na prisão porque ele não parecia a Beata Imelda", gíria portenha para dizer que ele "não é nada santo". Ele insiste na transformação da Igreja: contra o clericalismo que alimenta crentes de ocasião, contra procedimentos e burocracias que afastam os fiéis, latino-americanos, entende-se, mas Opus Dei, Pentecostais, Legionários de Cristo, Comunhão e Libertação tem seus pés em todos os cantos do mundo.

Sobre o IOR, ele muda de assunto com um drible de diplomata da simpatia: alguns sugerem que se faça um banco de negócios, outros um banco ético de ajuda, outros ainda querem fechá-lo e é isso. Ele confia na comissão. Francisco volta a Roma repetindo "eu confio". Confia em quem a renuncia às púrpuras preciosas, em quem caminha nos bairros devastados, em quem abraça todo pensamento com a fé. "Os mais silenciosos, os mais escondidos. Os outros fazem barulho". Agora Roma sabe.

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