Judeus e muçulmanos moderados em visita ao Papa Francisco. Entrevista com Marek Halter

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25 Julho 2013

"Sua Santidade, eu, judeu do gueto de Varsóvia, gostaria de lhe encontrar acompanhado por um grupo de imãs franceses". Assim começa a carta que Marek Halter enviou ao novo pontífice, pouco depois da sua eleição. O escritor imaginou um acontecimento simbólico que possa fazer avançar o diálogo entre civilizações e religiões. Algumas semanas atrás, chegou a resposta: um convite ao Vaticano para o dia 25 de setembro.

A reportagem é de Anais Ginori, publicada no jornal La Repubblica, 22-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

Como o senhor fez para convencer o Papa Francisco?

Pedi-lhe simplesmente para me receber. Ele conhece a minha história de perseguições, mas também a minha competência sobre o judaísmo. Junto comigo, haverá também uma dezena de imãs moderados: eles lideram mesquitas não financiadas do Qatar ou da Argélia e que são organizadas somente com as ofertas dos fiéis. Juntos, já fizemos uma viagem a Israel e Gaza.

E que mensagem querem levar?

Devemos construir juntos mais respeito e diálogo entre religiões e culturas. Vemos todos os dias como isso é necessário, também depois do que acaba de acontecer em Trappes, na banlieue parisiense. Foi suficiente que uma mulher velada fosse controlada por policiais para fazer estourar uma noite de confrontos violentos. Nunca como hoje a tolerância se tornou indispensável para a vida das nossas sociedades.

A mulher estava usando um véu completo proibido pela lei francesa.

Você defende que os policiais lhe faltaram com o respeito, o que é possível. Os agentes respondem que o marido foi violento, outra coisa possível. Todos têm razão. Para um escritor como eu, a única solução é falar, dialogar, abrir pontes entre diversas sociedades.

O senhor concorda com a proibição da burca e do niqab em lugares públicos?

Francamente, não acredito que deveria ser uma prioridade da République. Assim como não acho que seja urgente legalizar o casamento entre casais homossexuais, que poderiam tranquilamente coabitar sem velhas cerimônias. Em ambos os casos, desencadeia-se uma reação das instituições religiosas – as mesquitas ou a Igreja Católica – que eu acredito que não seja desejável e oportuna nestes tempos já bastante complicados.

A coabitação se baseia, contudo, em um pacto de civilização, com valores e princípios que deveriam valer para todos.

Diante dos integralismos religiosos, é preciso evitar integralismos de outro tipo. Eu não gosto do maniqueísmo, uma visão de mundo em que tudo é tudo é preto ou branco. Estou convicto de que apenas a racionalidade humana, com a sua capacidade de encontrar compromissos e captar as nuances da vida, poderá nos salvar. Dito isso, os muçulmanos também devem fazer uma revolução. Não somos nós que devemos tirar o véu das mulheres: elas devem fazer isso por si mesmas.

É isso que o senhor vai dizer o papa?

Há ao menos um bilhão de muçulmanos que não são como Mohamed Merah [o assassino que matou sete pessoas, incluindo três crianças, na escola judaica de Toulouse]. Devemos deixar de generalizar sobre o Islã só porque há uma pequena minoria de fanáticos. Os imãs franceses que irão comigo ao Vaticano não são extremistas, mas sim moderados. Juntos, já fomos rezar no memorial da Shoá e, depois, levar presentes para as crianças de Gaza. É desse Islã que devemos falar.

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