Papa no avião: ''Não à cultura do descarte''

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23 Julho 2013

A bordo do avião papal em rota para o Brasil nessa segunda-feira, o Papa Francisco disse aos cerca de 70 jornalistas que viajavam com ele de Roma ao Rio de Janeiro que ele quer que a Jornada Mundial da Juventude inclua um foco maior sobre os idosos, também, lutando contra a cultura do "descarte" que frequentemente negligencia as pessoas em ambas as extremidades da vida.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio National Catholic Reporter, 22-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francisco não realizou uma coletiva de imprensa, dizendo sem rodeios: "Eu não dou entrevistas". Ele falou sem anotações por cerca de cinco minutos aos jornalistas a bordo do avião. O papa, em seguida, parou na frente da ala econômica do avião por quase uma hora, cumprimentando cada jornalista, um por um.

Antes das breves considerações do papa, o padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, pediu que um veterano correspondente da televisão mexicana dissesse algumas palavras ao papa em seu espanhol nativo, em nome dos órgãos de imprensa.

Valentina Alazraki Crastich, da Televisa, disse a Francisco que os repórteres geralmente não são santos, ao menos do tipo religioso, e às vezes podem ser como leões. Ela presenteou Francisco com um ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, tradicionalmente venerada como padroeira da América Latina.

O que se segue é uma transcrição das considerações do papa, que ocorreram cerca de duas horas depois da decolagem às 8h45min, horário de Roma. Francisco falou em italiano.

Eis o texto.

Bom dia a todos vocês! Disseram... eu ouvi dizer coisas um pouco estranhas sobre vocês: vocês não são "santos da minha devoção" [a referência é à saudação da jornalista Valentina Alazraki, que assim havia definido os jornalistas no voo]. Estou aqui entre os leões, nem tão leões, por enquanto... Mas obrigado. Realmente eu não dou entrevistas, porque eu não sei, não posso... Para mim é um pouco cansativo, mas agradeço essa companhia.

Esta primeira viagem é justamente para encontrar os jovens. Mas os jovens não isolados da própria vida: gostaria de encontrá-los no tecido social, na sociedade, porque, quando isolamos os jovens, fazemos uma injustiça: tiramos deles o seu pertencimento. Os jovens têm um pertencimento, pertencimento a uma família, a uma pátria, a uma cultura, a uma fé. Eles têm um pertencimento! E não devemos isolá-los de toda a sociedade. Eles realmente são o futuro de um povo, isso é verdade. São o futuro. Mas não só eles. Eles têm o futuro porque têm a força, são jovens, irão em frente.

Mas o outro extremo da vida, os idosos, também são o futuro de um povo, porque um povo tem futuro se vai em frente com todas as duas forças: com os jovens, com a sua força, porque o levam em frente; e com os idosos, porque dão a sabedoria da vida.

Muitas vezes eu penso que nós fazemos uma injustiça para com os idosos. Deixamo-los de lado, como se não tivessem nada a nos dar, enquanto eles têm a sabedoria, a sabedoria da vida, a sabedoria da história, a sabedoria da pátria, a sabedoria da família. E disso nós precisamos.

Por isso eu digo que eu vou encontrar os jovens, mas no seu tecido social, principalmente com os idosos. É verdade que a crise mundial não faz coisas boas com os jovens. Eu li na semana passada os percentuais dos jovens sem trabalho. Pensem que nós corremos o risco de ter uma geração que não teve trabalho. Do trabalho vem a dignidade da pessoa, ganhar o próprio pão.

Os jovens, neste momento, estão em crise. Nós também nos acostumamos um pouco com essa cultura do "descarte". Com os idosos, faz-se isso muito frequentemente, e agora também se faz com esses muitos jovens sem trabalho. Para eles, também chega a cultura do "descarte". Devemos cortar esse hábito do "descartar".

Não. Cultura da inclusão, cultura do encontro. Devemos fazer um esforço para trazer todos para a sociedade. É esse um pouco o sentido que eu quero dar a esta visita aos jovens. Aos jovens na sociedade.

Agradeço-os muito, caríssimos "santos não da minha devoção", e nem tão leões...

Peço-lhes que me ajudem nessa viagem, pelo bem, pela sociedade, pelos jovens e, principalmente, pelos idosos, juntos, sem serem esquecidos. Agradeço a todos. Estou um pouco triste como o profeta Daniel, porque vi que na cova os leões não são tão ferozes! Obrigado, muito obrigado, e um abraço a cada um.

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