Por que que João XXIII será santo sem milagre

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16 Julho 2013

Para João XXIII também houve o pedido de proclamá-lo "santo já". Assim começa o artigo de Stefania Falasca que, no jornal Avvenire, dos bispos italianos, explica as motivações que levaram à decisão de canonizar o Papa Roncalli mesmo sem o reconhecimento de um segundo milagre ocorrido depois da canonização. Em meio aos trabalhos conciliares, o teólogo Yves Congar escrevia no seu diário que o cardeal belga Léon Joseph Suenens queria concluir a intervenção sobre o esquema "De Ecclesia" exigindo uma canonização por aclamação de João XXIII. "Um objetivo – escrevia Congar – a ser obtido já".

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 15-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um pedido compartilhado por muitos outros padres conciliares e por multidões de fiéis. No da 5 de julho passado, o Papa Francisco promulgou o decreto sobre o milagre por intercessão do Bem-aventurado João Paulo II e, ao mesmo tempo, aprovou os votos favoráveis expressos pela sessão ordinária dos cardeais e dos bispos para a canonização "pro gratia" do Bem-aventurado João XXIII.

"Isso significa – escreve o Avvenire – que o Papa Bergoglio acolheu favoravelmente as motivações apresentadas pela Congregação dos Santos a pedido da postulação da causa de João XXIII, para poder prosseguir com a sua canonização, mesmo na ausência de um milagre formalmente reconhecido, como é de praxe para chegar à proclamação da santidade".

"Segundo a atual normativa canônica – lê-se ainda no artigo – pode-se ter acesso à canonização somente depois da aprovação de um milagre atribuído à intercessão de um candidato ao culto da Igreja universal, seja ele mártir, seja confessor da fé, já beatificado. No entanto, não é uma novidade absoluta a proclamação da santidade com base em outros elementos e motivações que podem substituir um milagre científica e teologicamente comprovado".

Não se trata, portanto, nem de atalhos, nem de simplificações, nem de decisões arbitrárias. Trata-se, ao invés, de uma exceção contemplada na prática, que teve diversos precedentes.

"Na história recente das canonizações – reconstrói o Avvenire – uma exceção à práxis é representada, por exemplo, pelos Santos Mártires Chineses (Agostinho Zhao Rong e 119 companheiros), proclamados santos por João Paulo II em 2000. Os mártires, que a Igreja celebra no dia 9 de julho, chegaram à beatificação com um procedimento regular em momentos diferentes. As suas causas foram depois unificadas e, com a assinatura do decreto 'De signis', João Paulo II, dispensando cada um deles do milagre, os inscreveu diretamente entre os santos no dia 1º de outubro do ano do Grande Jubileu. Os elementos que levaram a essa determinação por parte de Wojtyla foram: uma indiscutível e crescente fama signorum (isto é, uma fama de sinais e milagres) atribuída a eles depoois da beatificação e a influência particular que a sua memória havia exercido na perseverança da fé em contextos extremos e difíceis".

As principais razões pelas quais se pode prosseguir à canonização são essencialmente duas. "A primeira diz respeito à excepcional vastidão do culto litúrgico já prestado ao bem-aventurado, que, com um prévio pedido de autorização, foi concedido pela Santa Sé a diversas dioceses do mundo, da Ásia às Américas. A memória litúrgica de João XXIII, oficialmente inscrita nos calendários de Igrejas particulares, de fato, já se configura como semelhante ao de um santo canonizado".

"A esse culto – lembra o Avvenire – também se une uma crescente fama de sinais e milagres que acompanha no povo de Deus a memória do Papa Bom. Desde o dia da sua beatificação, ocorrida no dia 3 de setembro de 2000, chegaram à postulação de todo o mundo inúmeros sinais de graças e favores obtidos por intercessão do bem-aventurado, muitas vezes acompanhados de documentação médica. São cerca de 20 os casos mais interessantes".

A segunda motivação importante é dada justamente pelo pedido daqueles Padres do Concílio Vaticano II que, imediatamente após a morte de Roncalli, "desejaram a sua imediata canonização até mesmo como ato do próprio Concílio. Nenhum candidato à canonização pode, por isso, se orgulhar atualmente de tal excepcionalidade: um culto litúrgico já difundido na Igreja universal e um pedido de canonização por aclamação expresso em um Concílio. Essas, portanto, são as principais razões que o Papa Francisco aprovou para levar em consideração o prosseguimento da canonização do Bem-aventurado João XXIII".

Também não se deve esquecer, explica Falasca no Avvenire, que 50 anos após a morte de Roncalli já é possível subtrair "a sua figura de emoções e manobras do momento e dissecar até mesmo nas dobras mais íntimas a sua vida e a sua ação. Isso levou a um seguro e profundo conhecimento do patrimônio dos seus escritos e da sua obra, fazendo surgir de maneira luminosa a sua santidade".

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