Sindicatos aderem às manifestações e governo precisará de "tato", afirma jornal francês

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11 Julho 2013

Gesto simbólico ou mobilização de verdade? O "Dia Nacional de Lutas com Greves e Manifestações", convocado pelas centrais sindicais brasileiras para quinta-feira (11), um mês após o início dos protestos contra a piora do transporte público, da saúde e da educação, pode mudar a natureza da crise social e política que vem atingindo o país.

A reportagem é de Paulo A. Paranagua, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 1-07-2013.

"Estamos mobilizando nossos membros", afirma uma representante da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em frente a um banco da avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo. A CUT, presidida por um bancário, Vagner Freitas, faz campanha contra a terceirização, a precarização em voga no Brasil, que consiste em transformar o empregado em trabalhador autônomo e em externalizar o máximo possível de empregos.

"Vamos fechar as lojas", reforça um representante do sindicato dos comerciários da UGT (União Geral dos Trabalhadores), no centro antigo da cidade. Este apoia totalmente as manifestações de junho, convocadas pelas redes sociais, e acredita que agora cabe aos sindicatos dar continuidade.

O mesmo tom era visto na sede da Força Sindical, na Liberdade, bairro japonês de São Paulo: "Não é uma greve geral, pois parar o Brasil é muito difícil," explica João Carlos Gonçalves, o "Juruna", secretário-geral do sindicato. "Mas os metalúrgicos, o metrô, a construção civil, os portuários, operários da indústria química, siderúrgica e automobilística farão paralisações no trabalho".

George Avelino, cientista político da FGV (Fundação Getúlio Vargas), instituição de pesquisa e ensino, permanece cético: "É um blefe, os sindicatos perderam sua representatividade, em parte porque foram cooptados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também por causa do refluxo do movimento operário em escala internacional".

Por trás de uma união de fachada, as centrais estão divididas

As centrais adotaram uma plataforma comum, que inclui as aposentadorias, as quarenta horas de trabalho semanal sem redução de salário e um freio na precarização, sem esquecer as reivindicações populares em matéria de saúde, educação e segurança, bem como um lembrete sobre a reforma agrária e a oposição à privatização do petróleo em águas profundas.

No entanto, por trás de sua união de fachada, as centrais estão divididas. A CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT) de Lula e da presidente Dilma Rousseff, alega apoiar o governo, ao passo que a Força Sindical critica sua política econômica.

"Se os caras da CUT gritarem 'Plebiscito agora' para apoiar a reforma política lançada pela presidente, vamos vaiar a Dilma", avisam os dirigentes da Força Sindical. A manifestação única convocada para o meio-dia de quinta-feira, no coração da avenida Paulista, pode virar uma batalha de palavras de ordem e faixas.

As manifestações de junho foram feitas sem o PT e, em alguns casos, contra o partido presidencial. Agora, a direção do PT está tentando retomar o controle das coisas com a mobilização sindical, esperando conter melhor suas tropas. O sucesso não é garantido.

Se a CUT, fundada em 1983, continua sendo a maior central em número de membros (20 milhões), é amplamente por causa dos trabalhadores agrícolas. Ela é o maior sindicato entre os servidores. No entanto, a longa greve das universidades federais em 2012 foi conduzida pela Conlutas, uma cisão da extrema esquerda da CUT nascida em 2004. Outras organizações dissidentes, como a Intersindical e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil competem com a CUT.

A Força Sindical, que conta com 10 milhões de membros e que se originou em 1991, domina o setor privado. Seu presidente é um metalúrgico, Paulo Pereira da Silva, 57, o "Paulinho", deputado do Partido Democrático Trabalhista (PDT, centro-esquerda), um partido da coalizão governamental, membro da Internacional Socialista.

Paulinho é impulsivo e eloquente: "Eu briguei com a Dilma pouco depois de sua posse, quando ela quis rever para baixo o mecanismo de aumento do salário mínimo", ele conta. "O estilo de Dilma não tem nada a ver com os trabalhadores", diz Paulinho. "Lula era diferente. Muitos membros da Força Sindical estariam dispostos a apoiar sua candidatura em 2014." Quando a presidente recebeu as centrais em Brasília, no final de junho, ela falou durante 40 minutos e depois deixou 5 minutos para cada um dos representantes sindicais, que não gostaram nada.

Aumento da precarização e continuidade da economia informal

Para Paulinho, o estopim do descontentamento popular foi a inflação, que corroeu os salários, o que a CUT nega. "A inflação está diminuindo em relação a 2012", garantem na sede da CUT, no Brás, antigo bairro dos imigrantes italianos.

De qualquer forma, as negociações por setor, a partir de agosto, prometem ser difíceis, caso a mobilização do dia 11 de julho consiga reforçar os sindicatos. O patronato se mostra preocupado: "Não há margem para aumentos de salários", acredita Gesner Oliveira, economista da FGV.

O emprego é uma outra preocupação que separa a Força Sindical da CUT. "Não existe a criação de bons empregos", lamenta Paulinho. "A indústria está periclitante e não contrata. Somente os serviços e o comércio oferecem vagas."

As distorções do mercado de trabalho, com o aumento da precarização e a continuidade da economia informal, também explicam os protestos de junho. "Os jovens, que ingressam na universidade com bolsas, não querem depois trabalhar por R$ 800", afirma João Carlos Gonçalves. "Falta mão-de-obra qualificada na construção civil, na indústria do petróleo e do gás", explica Mario Marconini, consultor empresarial.

Com a adesão dos funcionários do setor privado e público, a situação de Dilma Rousseff se complica, enquanto a coalizão governamental vai enfraquecendo e os militantes do PT iniciam um processo de discussão interna destinado a renovar seus dirigentes. "Os manifestantes abriram as comportas, e agora todo mundo está apresentando suas próprias reivindicações", observa Marconini. "O governo precisará de muito tato."

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