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11 Julho 2013

Quem quer o escalpo de Francisco? Desde o primeiro "boa noite" do papa argentino, jorrou uma corrente subterrânea de ataques que brota, se esconde e depois se reapresenta para sabotar os esforços de reforma de Bergoglio, para retratá-lo como um ingênuo desinformado, para ridicularizá-lo fingindo defendê-lo. Em última análise, para deslegitimá-lo.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 10-07-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Após o abalo provocado pela viagem a Lampedusa, o tiro ao alvo recomeçou. "Uma coisa é a pregação religiosa, outra é a gestão por parte do Estado" do fenômeno da imigração em que se movem grupos criminosos, criticou o expoente do PDL Fabrizio Cicchitto. No tripúdio das flechas envenenadas, encontraram-se Il Giornale, Giuliano Ferrara, Rádio Padania.

Ferrara, em uma melosa carta ao "caro Francisco", praticamente chama o papa de deficiente, porque não teria entendido que a globalização e a liberdade dos mercados garantem "emancipação e libertação" para as massas do Terceiro Mundo. Na realidade, Bergoglio e toda a doutrina social da Igreja de Wojtyla em diante nunca condenaram a globalização, mas sim o liberalismo selvagem que abusa dela. Pouco importa, Ferrara adverte Bergoglio contra os "demagogos".

Na mesma linha, Giordano Bruno Guerri, no Il Giornale, evoca melancolicamente o risco de que Francisco seja transformado em "fã dos clandestinos". Guerri protesta contra aqueles defensores do papa, que seriam "pecadores públicos, infratores de meia dúzia de mandamentos, indivíduos sem arrependimento".

Mais forte é a ferocidade da Rádio Padania. A "católica" Laura se diz indignada porque "eu nunca ouvi o papa se preocupar com os massacres que estes combinam". "Estes" são naturalmente os imigrantes... "Por que ele não os leva ao Vaticano?", grita um tal Luigi. Uma certa Giovanna vai direto ao ponto: "Eu esperava algumas palavras para aqueles que são mortos e estuprados por eles".

Não é apenas folclore. Nos bastidores, o núcleo granítico do conservadorismo eclesiástico, especialmente nas suas camadas mais reacionárias, sorri satisfeito com as polêmicas. Chega desse "papa bonzinho", deu a entender há tempos atrás o site Messa in Latino. A hierarquia eclesiástica antirreforma, por enquanto, se cala. É típico nos sistemas em que vigora o poder absoluto de um só homem e em que todas as estruturas formalmente lhe devem obediência – e há ao menos mil anos, desde Gregório VII, a Igreja Católica é isso – que os dignitários da oposição se mantenham discretamente nas sombras, deixando que estourem conflitos sobre questões aparentemente marginais, utilizando alfinetes até torná-los uma arma letal.

Durante a perestroika de Gorbachev, um ataque dos mais violentos contra a política de renovação partiu de uma obscura professora de Leningrado, Nina Andreeva, que enviou uma carta ao jornal Soviestkaya Rossia. Os grossos calibres antiperestroika se aproveitaram e reforçaram a sua campanha contra os reformadores.

O Papa Francisco irrita os conservadores obtusos, os prelados briguentos, os cínicos amantes do poder: por causa da limpeza que ele quer introduzir nos assuntos vaticanos, por causa da coerência que ele espera do clero, por causa das críticas aos bispos-príncipes, por causa da intenção de abolir a monarquia absoluta católica, fazendo com que os bispos participem no governo da Igreja. Uma reforma nada pequena da Cúria! E assim há meses – sob o olhar complacente de velhos grupos de poder de vestes violetas ou de cor púrpura – teve início o turbilhão de golpes baixos em sites e jornais.

Ferrara denunciou-o por "ternura demais", Marcello Veneziani o comparou a uma possível "caricatura", Marco Bertoncini, no jornal Italia Oggi, o acusou hoje de distorcer o Evangelho, que condenaria apenas a "riqueza injusta", o sociólogo Gianfranco Morra o fustigou porque ele não foi ao famoso concerto, definindo toda a sua comunicação com os fiéis como marcada por "arquétipos populistas".

É a acusação à qual aderem tantos sites, que o imputam de "populismo, pauperismo, demagogia"... Sem falar das críticas por ter transgredido os textos litúrgicos, lavando os pés na Quinta-feira Santa na prisão de Casal di Marmo de mulheres e até de muçulmanos!

O jornal Avvenire, dos bispos italianos, no entanto, parece muito preocupado com os ataques antipapais do ex-muçulmano, ex-católico, ex-ocidentalista apaixonado Magdi Allam (bem conectado com o catolicismo mais nostálgico), que, nas Lettere dessa terça-feira, lhe dedica um espaço desproporcional. O diretor Marco Tarquinio se diz entristecido. "Alarmado" seria a palavra certa. Porque quanto mais o Papa Bergoglio continuar no caminho que ele estabeleceu para si mesmo, mais fortemente se elevará a onda da oposição prelatícia subterrânea.

O momento mais perigoso será quando ele conseguir dar ao episcopado mundial algum poder qualquer de codecisão, como antecipou o cardeal hondurenho Maradiaga, coordenador do "conselho da coroa" de oito cardeais.

Não é por acaso que, entre o povo romano, desde março, circula a pergunta: "Até quando deixarão Francisco agir?".

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