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18 Junho 2013

Sem partidos e sem clichês, os manifestantes da passeata-gigante saíram do Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo e conquistaram uma via nova da metrópole, a Faria Lima. Tomaram a avenida do shopping center Iguatemi com cartazes originais e agenda larga - mais segurança, melhoria no transporte público, mais respeito, pelo fim da corrupção, pela liberdade de protestar, contra Belo Monte, pelos povos indígenas, por um consumo menor, por mais educação. O protesto contra o aumento da tarifa de ônibus amarrava tudo, mas a pauta vazava pelas bordas. "Não é só os R$ 0,20", resumia um cartaz.

A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 18-06-2013.

É um movimento líquido e de demandas múltiplas, de comando difuso e que se organiza velozmente pelas redes sociais. Move-se espontaneamente e parece querer lembrar que há outras questões no Brasil além do Bolsa Família. "Abaixo a tarifa. Põe na conta da Fifa", rimava um grupo. "Desculpem o transtorno. Estamos mudando o país", carregava um jovem de blusão azul, no começo da manifestação. "Formamos uma quadrilha", brincava outra turma, todos de chapéu de palha e camisas de festa junina.

"Eles não têm uma palavra de ordem única e parecem estar querendo valores", dizia Salete de Almeida Cara, professora de literatura comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), enquanto observava a passeata da calçada. "É um despertar", analisava o psicanalista Mario Giovanetti, admirando os manifestantes. "Reclamávamos que a juventude de hoje não se manifesta. Ela respondeu maravilhosamente, olha aí."

"Estou muito orgulhoso", completava o empresário João Crestana, tentando estimar o tamanho da passeata. "Os brasileiros sempre foram muito alienados. Mas agora parecem estar dizendo que estão cansados de tanto desmando e querem algo melhor."

Na concentração, grupos vinham de todos os lados do Largo da Batata, praça que, antes da reforma, era tomada por barracas com produtos nordestinos a abastecer trabalhadores que vinham do centro e paravam por ali, para depois tomar outro ônibus e seguir para casa. "Não é por centavos, é por direitos", exibia o cartaz de uma manifestante.

"Vim para estar junto às minhas filhas e resgatar o otimismo ideológico da juventude", dizia Caroll Cohen, consultora comercial e uma das organizadoras do "Mães na Manifestação". Elas protagonizaram um dos momentos mais comoventes da passeata paulistana: quando o pequeno grupo chegou ao Largo da Batata, foi sonoramente aplaudido pelos jovens manifestantes. "Mãe, eu te amo! Mãe, eu te amo!", gritavam os estudantes, uma palavra de ordem inexistente nas passeatas do passado.

"Sem partido! Sem partido!" protestavam os jovens quando viam um pequeno grupo de bandeiras do PSTU e do PSOL se levantar. "Quero participar. É pelos direitos dos brasileiros", dizia Lucas Santos, 15 anos, da Escola Estadual Fernão Dias Paes, preparando-se para seu primeiro protesto.

À tarde, antes das 17h, lojistas da Teodoro Sampaio espiavam do lado de fora das lojas, num clima curioso e apreensivo. Pietro Mantovani, gerente da Brinquedos Ri Happy, dizia que só baixaria a porta de ferro se sentisse ameaça. "Não é um protesto sadio", reclamava. A poucos metros dali, funcionários do supermercado Pão de Açúcar preocupavam-se em como voltariam para casa. O movimento ontem foi mais fraco.

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