Esquerdista Humala adere a bloco liberal

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13 Junho 2013

Muitos no Peru e em Wall Street temiam que Ollanta Humala pudesse ser um novo Hugo Chávez na América do Sul. Da mesma forma que o falecido líder populista venezuelano, Humala, de 50 anos, é um ex-militar que liderou um levante fracassado e defendeu um maior papel do Estado na economia para ajudar os pobres.

A reportagem é de Robert Kozak, publicada no The Wall Street Journal e reproduzida no jornal Valor, 12-06-2013.

Mas, quase dois anos após assumir a Presidência do Peru, Humala se reuniu com o presidente Barack Obama como um líder que busca se aproximar do setor empresarial e alinhar a economia com a de países defensores do livre mercado, como o Chile, enquanto vizinhos como Bolívia e Equador se inclinavam na direção do socialismo.

Ontem, ele e Obama discutiram uma série de temas, incluindo a expansão econômica, o comércio e a luta contra o tráfico de drogas.

"Concordamos sobre a importância de construir uma democracia que respeita os direitos humanos, melhorar a abertura econômica, trabalhar relações comerciais, porque isso nos permite expandir nossas economias e nos desenvolver mais", disse Humala.

A mudança de Humala sinaliza o declínio na América Latina do modelo econômico populista proposto por Chávez, com estatização e gastos desenfreados, em favor de políticas que elevam a estabilidade, o comércio e investimento.

O presidente da Câmara de Comércio dos EUA, Tom Donohue, que recentemente visitou Humala, em Lima, considera o governante parte de um grupo "pragmático, conectado com o empresariado, que atualmente está moldando o panorama econômico dos países em toda a América Latina".

A economia peruana, orientada para as exportações, quase dobrou de tamanho entre 2002 e 2012, à medida que a produção ajustada pela inflação cresceu à taxa média anual de 6,3%, o maior crescimento médio num período de dez anos da história do Peru, diz o FMI.

Embora o aumento do preço das commodities nos últimos dez anos tenha impulsionado grande parte da América Latina, os países com mercados mais abertos passaram a ter um desempenho superior desde que a crise financeira dos EUA provocou uma desaceleração no crescimento global. Nos últimos cinco anos, por exemplo, o Peru cresceu a uma média anual de 6,6% contra apenas 2,1% na Venezuela, que é rica em petróleo.

A mudança do estilo e da orientação política de Humala surpreendeu muita gente, dada a sua formação e trajetória política. Ele foi criado numa família de políticos, na capital do Peru, onde a filosofia marxista era tema de conversas na mesa do jantar. Seu pai, Isaac Humala, liderou um movimento político de base étnica que defendia a ideia de que os descendentes dos incas devem comandar o Peru.

Depois de uma carreira no Exército, Humala tornou-se uma figura pública quando, em 2000, ele e seu irmão Antauro lideraram uma revolta de soldados no sul do Peru, que foi rapidamente controlada, para protestar contra os esquemas de corrupção montados pelo ex-presidente Alberto Fujimori, que hoje cumpre pena de 25 anos de prisão por crimes que incluem o envolvimento com esquadrão da morte. A revolta terminou pacificamente e Humala foi posteriormente perdoado pelo Congresso (ele recusou esta semana um pedido de asilo político de Fujimori).

Na época da revolta, os populistas da América Latina estavam voando alto. Chávez, com o cofre cheio de petrodólares, foi ganhando popularidade em casa e no exterior, e outros populistas haviam assumido o poder no Equador, na Argentina e na Bolívia. O plano de um acordo de livre comércio no continente apoiado por Washington foi derrubado pela Venezuela e outros governos. Mas o ponto de virada ocorreu em 2006.

À medida que a economia do Peru continuava crescendo rapidamente, Humala moderou seu discurso e começou a vestir terno e gravata. No fim de 2010, visitou Wall Street, onde se encontrou com um grupo de investidores para lhes assegurar que não haveria mudança na política macroeconômica do Peru. Em 2011, ele venceu com uma margem pequena a disputa com Keiko Fujimori, filha de Fujimori, pela Presidência.

O governo de Humala iniciou uma série de programas sociais, como um plano de previdência para os idosos pobres e outro que dá ajuda a alunos da rede pública. Mas, ao mesmo tempo, ele assumiu uma postura firme na promoção de projetos de mineração que estavam sob ataque de ativistas que os acusavam de representar um perigo para o meio ambiente.

"Em 2006, ele era realmente um candidato parecido com Chávez, e isso não funcionou. Em 2011, decidiu falar sobre o modelo brasileiro. Então mudou o foco para os EUA e para um modelo [de união de países] do Pacífico, que é muito mais conservador ", diz Maxwell Cameron, cientista político da University of British Columbia.

Críticos veem em Humala um oportunista que mudou de postura para se ajustar à maré política.

Este ano, Humala voltou atrás no plano de o governo do Peru comprar uma participação em uma refinaria e outros ativos colocados à venda pela espanhola Repsol depois que o projeto atraiu críticas da comunidade empresarial, derrubando seu índice de popularidade em meio a temores sobre mudança na política econômica.

"Até a classe trabalhadora em Lima está preocupada com políticas que matariam a galinha dos ovos de ouro", diz Cameron.

Analistas dizem que ainda não se convenceram de que Humala se converteu num verdadeiro defensor do livre mercado, assim como o ex-presidente Alan Garcia.

"Garcia passou a ser um verdadeiro defensor da globalização, mas eu não caracterizaria Humala como um verdadeiro convertido", diz Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue. "A única forma de descobrir a resposta com certeza é se algo acontecer com a economia do Peru. Isso seria o verdadeiro teste. Mas, por ora, enquanto a economia está dinâmica, ele é inteligente o suficiente para seguir com ela."

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