O confessor do Papa prevê o fim da “lua de mel” com Francisco

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Por: André | 07 Junho 2013

Através de um portal croata tomou-se conhecimento, em Buenos Aires, de uma carta que o sacerdote franciscano Frei Berislao Ostojic OFM, confessor na Argentina do então cardeal Jorge Mario Bergoglio, enviou ao seu irmão Mario Marcos, nascido na Argentina, mas que, atualmente, mora em Zagreb, na Croácia. Na carta, o sacerdote dá uma visão particular do Papa Francisco.

A reportagem está publicada no sítio argentino Valores Religiosos, 06-06-2013. A tradução é do Cepat.

Entre outras coisas, frei Berislao disse que a mídia mundial “exalta o novo Papa”, mas que recomenda “evitar entusiasmos ingênuos”, já que “a experiência nos ensina que, com frequência, aqueles que hoje exaltam, amanhã, por razões ideológicas, tranquilamente estarão no lado oposto”. E acrescenta: “Basta pensar no que acontecerá quando o Santo Padre reafirmar o valor de toda vida humana e disser um claro ‘não’ ao aborto, e no que dirão quando ratificar o casamento entre um varão e uma mulher”, e muitos outros temas sensíveis. Então, “muitos entusiastas superficiais mudarão de lado, e o farão sentir o peso da cruz que não se negocia em detrimento da verdade do Evangelho”.

Em outro parágrafo, refere-se ao seu permanente pedido: “Rezem por mim”, e recorda que há pouco pediu: “Rezem por mim, para que me sinta melhor que ninguém”. Nesta simples súplica, disse o padre Ostojic, “está seu conceito de autoridade, que é serviço. E como está com os pés no chão e não vive de ilusões, sabe muito bem que o tentador não dorme e que os tesouros de graça estão em vasos de barro. Isto é puro realismo humano e espiritual”.

Ao escrever de onde vem “a audácia dos gestos e a alegria do serviço”, o frei franciscano explica: “Na minha percepção pessoal, a coisa me parece clara. A coluna vertebral, a partir da qual se articulam os gestos e as palavras, é preciso buscá-la e reconhecê-la na sua atitude orante, na capacidade de estar diante do Sacrário e beber na intimidade com Cristo as riquezas com as quais Jesus enche os corações que se abrem a ele para que os ilumine e os fortaleça”, e relata que na homilia que Bergoglio pronunciou na consagração do bispo de Azul, dom Salaberry, jesuíta, ao referir-se às dificuldades que se apresentariam na vida de bispo, “quando tudo parecer escuro”, o exortava: “Então, aprende a gastar os joelhos diante do Sacrário. Ele, Jesus, jamais defrauda”.