PT e aliados monitoram economia, mas acreditam em "banho maria" até 2014

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Por: Cesar Sanson | 01 Junho 2013

A um ano e meio da eleição, o crescimento de 0,6% no primeiro trimestre quando comparado aos últimos três meses de 2012 apenas aumentou as dúvidas dos aliados sobre a sucessão de 2014, especialmente quanto às possibilidades de a presidente Dilma Rousseff se reeleger no primeiro turno, como planeja o PT. Por enquanto, a maioria, especialmente no PMDB, se manifesta favorável à reedição da aliança eleitoral de 2010. Mas as incertezas em torno da economia fazem com que todos - sem exceção - procurem ganhar tempo, antes de fazer uma opção definitiva.

A reportagem é de Raymundo Costa e Leandra Peres e publicada pelo jornal Valor, 01-06-2013.

O que mais preocupa o governo, o PT e os aliados nem é o crescimento abaixo do esperado, mas a inflação, essa sim capaz de derreter a renda do eleitorado e os votos de que necessita a presidente Dilma Rousseff para se reeleger. A inflação foi destaque do programa do PSDB, levado ao ar ontem à noite em rede nacional de televisão. A estabilidade é um dos principais trunfos eleitorais dos tucanos.

Os rumos da política econômica, mesmo com o crescimento baixo, não devem ser alterados até 2015. A ordem no governo é "tocar o barco e evitar marolas". Até porque, o PT e o governo ainda apostam que o PIB baixo e os juros mais altos não farão um estrago notável no emprego e na renda dos eleitores. Mas ninguém mais acredita em um desempenho econômico memorável do governo Dilma. A descrição é de um fim de governo "em banho maria", onde nada muito diferente do que já foi feito sairá da gaveta, exceto, é claro, em caso de crise econômica.

No cenário extraoficial do governo, a economia continuará crescendo abaixo de 3% esse ano e talvez dê uma pequena acelerada em 2014. O desemprego se manterá ao redor de 6%, ainda baixo. Já há sinais de desaceleração da massa salarial, mas nada intenso.

A inflação, a maior preocupação no PT e entre os aliados, no entanto, passou a incorporar um risco maior. Os índices tendem a cair nos próximos meses, mas uma aceleração da economia americana terá reflexos no câmbio e pode até obrigar o Banco Central a ser mais agressivo nos juros, como fez anteontem ao elevar em 0,50 ponto a taxa Selic. O dólar, que se mantinha na casa dos R$ 2,0 fechou a quarta-feira custando R$ 2,11. O efeito pode ser positivo para as contas externas com exportações mais baratas, mas o impacto sobre inflação não será desprezível.

"Não teremos aquele sentimento de bem estar do governo Lula. As pessoas não vão deixar a nova classe média, mas também não vão crescer como vinha acontecendo", diz um observador privilegiado com trânsito no governo.

Um interlocutor privilegiado de Dilma comentou, sobre as incertezas na economia que tanto deixam inquietos os dirigentes partidárias: "O que os trabalhadores conquistaram, a guerrilha ameaça perder". A referência é óbvia: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente em busca da reeleição. O primeiro foi operário no ABC; ela integrou a luta armada nos chamados "anos de chumbo".

Os "sinais" são ruins mesmo onde o governo acertou, segundo dirigentes aliados. Esse seria o caso, por exemplo, das concessões: o governo decidiu fazer, "mas demorou muito". As contas externas também pioraram, e não foi por falta de aviso. O ambiente também é ruim no Congresso, que reclama da dupla interlocução ou da ausência de um interlocutor claro no Palácio do Planalto.

"Não é à toa que surgiu o movimento Eduardo Campos", diz o chefe de uma das capitanias do PMDB. Assim como o movimento Marina Silva (20 milhões de votos em 2010) foi uma aba do mensalão, o beneficiário de eventual deterioração da economia pode ser o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos.

Isso se o beneficiário não for o senador Aécio Neves, virtual candidato do PSDB, partido que tem a estabilidade como bandeira. A percepção de líderes aliados é que Aécio começou a ganhar "corpo" como candidato.

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