''As pessoas morrem de fome, mas nos preocupamos com os bancos''

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20 Maio 2013

"Por causa da crise as pessoas morrem de fome, mas nos ocupamos com os bancos". Francisco cita um "midrash" hebraico sobre o local de construção da torre de Babel, onde "se um tijolo caía era um drama, se um operário caía não acontecia nada", durante o encontro na Praça de São Pedro com os movimentos católicos. E adverte: "Hoje, se os bancos de investimento caem, é uma tragédia, mas se as pessoas morrem de fome, não acontece nada".

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no sítio Vatican Insider, 18-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Para o papa, "o testemunho de uma Igreja pobre e para os pobres vai contra essa mentalidade". Advertência de Bergoglio para a necessidade da ética na vida pública. "A falta de ética na vida pública faz mal à humanidade inteira", alertou. A missão da Igreja é não se fechar e ir ao encontro das periferias existenciais. "Quando a Igreja se torna fechada, adoece. Pensem em uma sala fechada por um ano. Uma Igreja fechada está doente. A Igreja deve sair para as periferias existenciais, sejam elas quais forem. Jesus nos diz: 'Vão, preguem, deem testemunho do Evangelho'", afirmou o papa durante o encontro na Praça de São Pedro com os movimentos e associações.

"O que está em crise é a pessoa como imagem de Deus, uma crise profunda. Nesse momento de crise, não podemos nos preocupar somente conosco", acrescentou o papa, sublinhando a exigência de "não se fechar diante dos problemas". Além disso, "há mais mártires hoje do que nos primeiros séculos da Igreja, irmãos e irmãs nossos. Eles levam a fé até o martírio, mas o martírio nunca é uma derrota, é o grau mais alto grau do testemunho". Palavras acolhidas pela ovação de 200 mil fiéis.

Perguntas e respostas

"O Santo Padre conhecia as perguntas e havia anotado alguns conceitos no papel, mas falou completamente de improviso", explicam nos Palácios do Vaticano. A fórmula escolhida para o encontro entre Bergoglio e os movimentos eclesiais é a de um denso "question time" diante do qual o pontífice não recuou.

A "fragilidade da fé", a evangelização, a ética, a política, a pobreza e a falta de trabalho e, finalmente, a perseguição aos cristãos: são os temas das quatro perguntas dirigidas a Francisco por muitos expoentes de associações católicas na vigília de Pentecostes.

"Muitas vezes nos damos conta de como a fé é um gérmen de novidade, um início de mudança, mas depois custamos a investir a totalidade da vida. Ela não se torna a origem de todo o nosso conhecer e agir", é uma passagem da primeiro pergunta.

"Como o senhor conseguiu alcançar na sua vida a certeza sobre a fé? E qual caminho nos indica para que cada um de nós possa vencer a fragilidade da fé?". "Somos feitos para o infinito – disse a segunda representante dos movimentos –, mas tudo ao nosso redor e ao redor dos nossos jovens parece dizer que é preciso se contentar com respostas medíocres, imediatas, e que o ser humano deve se adaptar ao finito sem buscar outra coisa". "Qual é, segundo o senhor, a coisa mais importante a que todos nós, movimentos, associações e comunidades, devemos olhar para implementar a tarefa a que somos chamados? Como podemos comunicar de modo eficaz a fé hoje?".

"Como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres", é a frase do papa citada na terceira pergunta lida na Praça de São Pedro por um representante dos movimentos católicos. "E a crise agravou tudo. Penso na pobreza que aflige todos os países e que se assomou também ao mundo do bem-estar, na falta de trabalho, nos movimentos migratórios de massa, nas novas escravidões, no abandono e na solidão de tantas famílias, de tantos idosos e de tantas pessoas que não têm casa ou trabalho".

Associações e movimentos, portanto: "Qual a contribuição concreta e eficaz podemos dar à Igreja e à sociedade para enfrentar essa crise que toca a ética pública, o modelo do desenvolvimento, a política, em suma, um novo modo de ser homens e mulheres?".

Finalmente, a quarta contribuição gira em torno "dos nossos muitos irmãos e irmãs que sofrem" por causa da fé, "a quem no domingo de manhã deve decidir se quer ir à missa porque sabe que indo à missa arrisca a sua vida", "a quem se sente cercado e discriminado pela fé cristã em tantas, muitas partes do mundo". Daí a pergunta: "Gostaríamos de fazer mais, mas o quê? E como ajudar esses novos irmãos?".

Ministros

Os ministros italianos do Comunhão e Libertação, Mario Mauro (Defesa) e Maurizio Lupi (Infra-estrutura e Transportes) também participaram na Praça de São Pedro da vigília de Pentecostes, para a qual se reuniram em Roma cerca de 200 mil fiéis provenientes de todos os cantos do planeta. Na primeira fila, entre os responsáveis por movimentos e associações católicas, os líderes dos neocatecumenais (Kiko Argüello), da Ação Católica (Franco Miano), da Comunidade de Santo Egídio (Andrea Riccardi), dos focolarinos (Maria Voce), da Renovação no Espírito (Salvatore Martinez).

Após a entronização do ícone da Salus Populi Romani, trazida em procissão desde o centro da praça até o presbitério da basílica vaticana por 50 jovens, John Waters e Paul Batti tomaram a palavra para dois testemunhos. Cento e cinquenta realidades eclesiais diferentes com uma exigência em comum: "Dizer às pessoas de hoje que não se pode abrir mão de Cristo e para isso é preciso ser testemunhas críveis", destacou o arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização no seu discurso de boas-vindas à vigília de Pentecostes.

O prelado, recordando as várias realidades na Praça de São Pedro, observou que, "nesta praça, hoje, está realmente representado o mundo inteiro". Só para citar alguns países, as associações que participaram da jornada dos movimentos vêm da Argentina, da Bielorrússia, do Brasil, do Congo, da Índia, dos Estados Unidos, da Nova Zelândia. '' Uma mobilização de massa, essa é a resposta dos movimentos, das novas comunidades, das agregações e associações católicas ao convite para celebrar o Ano da Fé com o Papa Francisco'', escreveu o L'Osservatore Romano sobre a peregrinação ao túmulo do príncipe dos apóstolos.

Foram dois os momentos que marcaram a tarde: o primeiro, composto por cantos e música, e o segundo, por recolhimento e reflexão com o pontífice para a vigília de Pentecostes. Em um clima de partilha, Bergoglio ouviu as suas experiências e ofereceu as suas indicações.

Neste domingo, às 10h30, hora italiana, o ponto culminante da peregrinação com a missa celebrada pelo papa. Nesse sábado, pela primeira vez desde o início do seu pontificado, Francisco percorreu a bordo do carro descoberto boa parte da Via della Conciliazione para saudar e abençoar a multidão. Na praça, testemunhos de pessoas, italianas e estrangeiras, que contaram a sua própria jornada de fé, cônjuges, pais, mães, filhos, estudantes. Imagens e palavras retransmitidas por telões posicionados na Praça de São Pedro e ao longo da Via della Conciliazione.

Todas as ruas nos arredores do Vaticano foram fechadas ao tráfego. Com o uso de barreiras, foram criados "corredores de segurança" na Via della Conciliazione, para eventuais emergências de saúde ou de ordem pública. O Papa Francisco vence a si mesmo. Com as 200 mil presenças oficializadas nessa tarde pela Sala de Imprensa da Santa Sé, foi superado hoje o número de pessoas que participaram da cerimônia de posse do próprio Bergoglio no dia 19 de março. À época, falou-se de 150 mil fiéis. Um recorde hoje, que já estava no ar desde a manhã, quando ainda na primeira hora começou o fluxo de peregrinos.

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