As devoções tão tradicionais do Papa Francisco

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08 Maio 2013

É um aspecto ainda pouco enfatizado do pontificado de Francisco, talvez porque não corresponda a um certo clichê "progressista", mas, ao invés, está plenamente inserido profundamente no tecido popular da piedade popular que a Igreja latino-americana indicou como um tesouro precioso para a transmissão da fé.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 06-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Em menos de dois meses, o Papa Bergoglio já visitou duas vezes a Basílica de Santa Maria Maior, a mais antiga igreja dedicada a Nossa Senhora, onde ele quis se dirigir no dia seguinte à eleição para pedir, diante da "Salus Populi Romani", o ícone mariano que lá é venerado, a proteção para a diocese de Roma. E para lá voltou no dia 4 de maio, primeiro sábado do mês dedicado a Maria, para rezar o rosário.

"Que Nossa Senhora conserve a nossa saúde", disse o papa. "Que ela nos ajude a crescer, a enfrentar a vida, a sermos livres". Francisco se confirma, assim, como um papa profundamente mariano, que não abre mão de testemunhar o seu apego a formas devocionais que uma certa teologia pós-conciliar olhou durante muito tempo de cima para baixo, considerando-as incrustações do passado.

Uma dessas devoções marianas, que Bergoglio contribuiu para difundir na Argentina, é a de "Maria desatadora dos nós". Uma devoção que tem origem a partir de uma imagem votiva da Baviera, que remonta a 1700 (Maria Knotenlöserin), realizada pelo pintor alemão Johann Melchior Schmidtner, agora conservada no altar de uma capela da igreja românica de São Pedro em Perlach, mantida pelos jesuítas no coração da cidade de Augsburg, na Baviera.

Aqui, lembrou Stefania Falasca no jornal Avvenire, durante a sua permanência de estudo em Ingolstadt, o padre Bergoglio a descobriu e, tendo voltado para a Argentina, começou a divulgar o seu conhecimento. Como auxiliar de Buenos Aires, ele fez com que, para essa efígie, fosse dedicado um santuário. E, como arcebispo, continuou inaugurando capelas dedicadas a ela, servindo-se também dessa imagem como seu "cartão de visita" pessoal a ser inserido na sua correspondência. Nossa Senhora se apresenta com a intenção de desfazer pequenos e grandes nós de uma fita que lhe é passada pelos anjos.

"Todos – explicou Bergoglio muitas vezes – temos nós no coração, faltas, e passamos por dificuldades. O nosso bom Pai, que distribui a graça a todos os seus filhos, quer que confiemos n'Ela, que lhe confiemos os nós dos nossos males, os emaranhados das nossas misérias que nos impedem de nos unirmos a Deus, para que Ela os desfaça e nos aproxime do seu Filho, Jesus. Esse é o significado da imagem".

Na oração que é indicada na parte de trás do santinho da imagem, divulgada com o imprimatur do então arcebispo de Buenos Aires, lê-se: "O maligno nunca foi capaz de te enganar com as suas confusões. E intercedendo junto ao teu Filho pelas nossas dificuldades, com toda a simplicidade e paciência, tu nos deste um exemplo de como desatar o emaranhado das nossas vidas".

Francisco também é muito devoto de São José, o guardião da infância de Jesus, sob cuja proteção ele começou o seu pontificado com a missa inaugural celebrada justamente no dia 19 de março, festa do esposo de Maria.

Entre os santos com os quais o novo papa tem uma relação especial está Teresa de Lisieux, padroeira das missões, cuja devoção Bergoglio quis difundir especialmente nas "villas miseria", as favelas de Buenos Aires. "Quando eu tenho um problema, confio-o a ela", contou o cardeal a Stefania Falasca. "Eu não lhe peço que o resolva, apenas que o tome em suas mãos e me ajude. Como sinal, eu quase sempre recebo uma rosa".

A tradicional piedade popular, aquele rio subterrâneo de devoções que, mesmo nos anos da crise e da secularização, manteve tantas pessoas unidas aos santuários, é, portanto, um elemento importante para a nova evangelização, expressão de uma fé do povo, daquela fé dos simples que o magistério – como afirmava o então cardeal Ratzinger – deve proteger, exercendo justamente desse modo a sua tarefa "democrática", dando voz a quem não têm voz, a quem não escreve nos jornais e não aparece na televisão para expressar as suas opiniões teológicas.

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