''Existem sérios mal-entendidos'' com o Vaticano, afirma presidente da LCWR

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06 Maio 2013

Existem "sérios mal-entendidos" entre as autoridades do Vaticano e as irmãs católicas, disse nesse sábado a presidente do grupo de irmãs norte-americanas que foi obrigado a se colocar no âmbito da revisão dos bispos, por ocasião do encontro que reúne cerca de 800 coirmãs suas de todo o mundo.

A reportagem é de Joshua J. McElwee, publicada no sítio National Catholic Reporter, 04-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A irmã franciscana Florence Deacon, presidente da Leadership Conference of Women Religious (LCWR), dirigiu-se às irmãs durante a Assembleia Plenária da União Internacional das Superioras Gerais (UISG), grupo de cerca de 2.000 líderes religiosas de todo o mundo.

As observações de Deacon constituíram a narrativa mais pública da LCWR sobre as suas relações com o Vaticano.

Em um discurso detalhado de 20 minutos, Deacon detalhou para as suas coirmãs como o seu grupo, que representa cerca de 80% das cerca de 57 mil irmãs norte-americanas, havia sido ordenado a ser revisado em abril passado pela Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano.

"Nós da Leadership Conference of Women Religious - LCWR - nos encontramos em um lugar muito difícil agora", começou Deacon, que também é superiora geral das Irmãs de São Francisco de Assis, em St. Francis, Wisconsin.

Citando várias vezes o mandato da Congregação vaticana que dá a três bispos dos EUA a competência de revisar e reformar a LCWR, Deacon disse que o grupo havia sido "responsabilizado por outros indivíduos e por áreas além da nossa autoridade" e "além do nosso propósito".

O mandato, que foi lançado em abril de 2012, nomeou o arcebispo de Seattle, Peter Sartain, como o "arcebispo delegado" do grupo e deu a ele a autoridade final sobre as suas ações.

Várias ex-lideranças da LCWR expressaram dor e decepção semanas atrás, quando um comunicado de imprensa do Vaticano disse que o Papa Francisco "reafirmava" a medida da Congregação doutrinal, inicialmente tomada sob o Papa Bento XVI.

Em um ponto de sua palestra, Deacon questionou que conhecimento o novo papa tinha sobre a situação das irmãs norte-americanas, mencionando que um comunicado de imprensa anterior da Congregação doutrinal do Vaticano, emitido após a sua primeira reunião com Francisco, não citava a questão.

"Isso nos faz pensar o que realmente foi levado até o papa", disse Deacon, referindo-se ao fato de que, antes da sua eleição como papa, o cardeal Jorge Bergoglio foi arcebispo de Buenos Aires, Argentina.

"Eu duvido que ele nos acompanhava muito de perto quando ele estava na Argentina", disse.

Deacon terminou sua palestra mencionando novamente o novo papa, referindo-se às suas considerações na noite da sua eleição ao papado, quando ele disse às pessoas reunidas na Praça de São Pedro, ao vê-lo pela primeira vez, que ele buscava iniciar um "caminho de fraternidade, amor e confiança".

"Isso é o que estamos pedindo e esperando especificamente", disse Deacon. "Rezamos para que a eleição do Papa Francisco marque uma nova relação entre as irmãs católicas e a hierarquia do Vaticano nesse caminho de fraternidade, confiança e amor – bispos e povo juntos tentando viver o Evangelho como fiéis cristãos em nossos dias".

Antes dessa expressão de esperança, no entanto, Deacon deu uma lista detalhada de várias das afirmações do Vaticano contra o seu grupo, que foram emitidas em um relatório formal chamado de "avaliação doutrinal" em abril de 2012.

Muitas das afirmações feitas nesse relatório, disse Deacon durante a palestra, deturparam o trabalho ou as funções da LCWR. Refutando especificamente vários dos pontos do relatório, Deacon disse que vários deles interpretaram erroneamente a LCWR como única autoridade sobre as irmãs católicas norte-americanas.

Em um exemplo, ela disse que as autoridades vaticanas "estavam preocupadas com o programa de formação das congregações individuais".

"A LCWR não tem autoridade sobre os programas de formação de uma congregação individual", disse. "Essa é uma responsabilidade dela".

"Nós somos uma organização de desenvolvimento de liderança, uma organização em rede", continuou. "O nosso objetivo não é estabelecer uma organização para ensinar a doutrina da Igreja".

Deacon disse que a LCWR observou particularmente que o mandato vaticano para a reforma do seu grupo pedia para "dar um lugar de prioridade" à celebração da Eucaristia em sua conferência anual.

"Sempre temos a Eucaristia diária na nossa conferência", disse. "Ao colocar aqui que devemos fazê-lo, eles pensaram que não fazíamos isso e pensaram que deviam nos dizer que fôssemos mulheres de oração".

Várias vezes, Deacon também mencionou que o Vaticano havia dito que não estava comentando o trabalho das irmãs individuais, mas sim apenas da sua organização de lideranças.

"Eles fizeram a distinção de que estavam preocupados com a conferência de lideranças e não com as irmãs", disse. "Mas nós somos eleitas pelas nossas irmãs. E as nossas irmãs e os leigos e o Povo de Deus assumiram isso não como uma censura contra um grupo de lideranças particular, mas sim contra as irmãs dos Estados Unidos. E as irmãs viram isso como uma crítica a elas mesmas e ficaram profundamente ofendidas com isso".

"O que essa avaliação mostra é que há um sério mal-entendido entre as autoridades do Vaticano e as religiosas, e a necessidade de oração, discernimento e escuta profunda", disse.

Após a palestra de Deacon, algumas das cerca de 800 irmãs reunidas se levantaram para fazer perguntas a ela sobre a situação norte-americana. Uma delas agradeceu-lhe por dar uma "resposta não violenta" à medida do Vaticano.

A irmã dominicana italiana M. Viviana Ballarin, que atua como presidente da contrapartida da LCWR em seu país, a União das Madres Superioras da Itália, disse que queria oferecer "solidariedade" a Deacon e à LCWR em nome do seu grupo.

"Reafirmamos a comunhão na oração e na nossa identidade como religiosas consagradas", disse Ballarin, para os aplausos do grupo.

As perguntas sobre a situação da LCWR também permearam algumas das conversas paralelas durante a reunião plenária de cinco dias do grupo internacional de irmãs.

Em um coffee-break na sexta-feira, várias superioras de ordens australianas disseram ao NCR que estavam esperando uma resposta da LCWR.

"Isso teve um impacto enorme na Austrália", disse a irmã da Misericórdia Catherine Ryan, que lidera a sua congregação em Parramatta, Austrália.

"Nós vemos isso com muito cuidado, porque a LCWR tem um enorme significado para as nossas vidas", disse Ryan. "Eu não vejo que as religiosas da Austrália sejam diferentes das religiosas dos Estados Unidos".

"Nós estamos fazendo todas essas coisas em nome da Igreja, em nome de Cristo", afirmou. "Eu acho que nós temos uma grande capacidade de estar onde Jesus quer que estejamos. E me preocupa o fato de que as questões que estão sendo levantadas sobre a LCWR são questões que nós também poderemos enfrentar, porque estamos fazendo as mesmas coisas".

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