Comunidade de comunidades: uma nova paróquia. Entrevista com Leomar Brustolin

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04 Mai 2013

Entre os dias 10 e 19 de Abril, na cidade de Aparecida-SP, estiveram reunidos bispos de todo o Brasil para a realização da 51ª Assembleia Geral da CNBB. Padre Leomar Brustolin, que pertence ao clero da diocese de Caxias do Sul, participou do evento integrando uma Comissão que elaborou o texto do tema central:  “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”.

O blog Alegrai-vos, dos seminaristas da diocese de Caxias do Sul, entrevistou o padre Leomar sobre a avaliação das atividades da assembleia. A entrevista é de Elton Marcelo Aristides.

Eis a entrevista.

Qual balanço pode ser feito desta assembleia?

Padre Leomar: Basicamente, a assembleia tratou de três grandes questões. O tema central foi: Comunidade de comunidades, uma nova paróquia. Tratou-se também sobre a questão agrária e o diretório de comunicação. Os três textos ainda estão em estudo para a próxima assembleia refletir melhor. Além destes assuntos, também foi trabalhado sobre a questão indígena e a seca no nordeste. Novamente, apareceram pontos sobre a liturgia, como a tradução do novo missal e também sobre doutrina da fé. Foi uma assembleia com grande representatividade e com uma temática muito ampla.

Quais trabalhos puderam avançar e o que ainda demanda tempo para elaboração?

Falo do tema central, que é a minha Comissão. Nós fizemos um texto que foi elaborado por esta Comissão, nomeada pela CNBB, em novembro do ano passado. Trabalhamos em dezembro, janeiro e fevereiro para a construção do texto. Fomos presididos pelo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. Esta equipe ofereceu um texto no dia da assembleia, que fez algumas emendas e foi aprovado como documento de estudo. Era proposta da nossa Comissão não aprovar como documento azul, isto é, texto definitivo. Nós queríamos uma intensa participação e interatividade das comunidades para um tema que toca necessariamente a vida de cada comunidade.

Quais são as novidades? Aponto três aspectos. Urgência de conversão pastoral, que exige uma conversão pessoal, especialmente, dos padres, por que eles são os maiores responsáveis pela ação pastoral e depende muito deles.

O segundo ponto é vencer as estruturas obsoletas. Nós não conseguimos identificar exatamente quais são estas estruturas, mas, elas existem e constituem uma grande dificuldade para uma renovação paroquial.

Mas, o terceiro aspecto, e mais importante, é uma renovação das comunidades a partir de uma experiência de encontro com Jesus – partindo do texto dos Atos dos Apóstolos, com a comunhão, o ensinamento dos apóstolos, fração do pão e a oração. Isto, ocorrendo em comunidades pequenas.

Como o título sugere, é a setorização da paróquia, não para fazer comunidades menores em setores, onde organizam o dízimo, a catequese e a liturgia, mas, onde se vive a fé.  Para isto, usou-se uma imagem muito bonita, que é a ideia da paróquia como casa. Casa como lar. Casa da Palavra, casa do pão e casa da caridade e da amizade. É um lugar onde cresço na escuta do Senhor, onde eu vivo a experiência de comunhão com Deus e com os irmãos na Eucaristia e onde eu saio em missão, indo ao encontro dos pobres e doentes.

Já existe algum modelo deste trabalho no Brasil?

Não suficientemente consolidado. Tem-se trabalhado muito e se tem destacado muito o trabalho da CEBs. Mas, elas não têm crescido numericamente, e, isto é um limite. Estamos pensando em fortalecer comunidades a partir da leitura orante da Bíblia. Inclusive, os bispos insistem muito em conhecer experiências que pudessem inspirar novas experiências. Não há um modelo único para o Brasil por causa da pluralidade brasileira. Nós constatamos, pela experiência da nossa equipe que possuía representantes das cinco regiões do país, que, principalmente no norte e no nordeste, o preceito da comunhão dominical é anual. Isto, porque não há padres suficientes e as comunidades são distantes.

Outra questão debatida na assembleia foi em relação aos índios. Qual é a situação atual deste assunto?

Nesta questão há um problema de demarcação de terras, do respeito à cultura e da presença da Igreja no meio deles. O debate ocorrido na assembleia foi para entender como defender a vida deles. Eles estão profundamente ameaçados e uma das questões mais delicadas é cultural. Não só o celular, mas estas novas tecnologias e o jeito branco, entre aspas, ocidental e tecnológico de ser, influencia o estilo de vida do indígena. Isto descaracteriza muito o seu jeito comunitário, que está ligado às tradições e a natureza. Por isso, quem trabalha com os índios, está vivenciando desafios muitos grandes. São desafios externos que refletem sobre a comunidade indígena, mas também internos – de antropologia indígena, que sofre mutações diante do que a realidade está oferecendo.

O que pode ser feito diante deste desafio?

É um tempo de mais perguntas do que respostas. Existe muito trabalho e muito testemunho da Igreja, especialmente no norte do país, de apoio destas culturas, de acompanhamento e de defesa dos seus direitos. Mas, aquilo que ameaça profundamente a experiência da vida e da cultura, continua sendo um desafio muito preocupante.

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