Casamento gay: um sabor amargo? Artigo de Stéphane Lavignotte

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03 Mai 2013

A violência e o sectarismo dos opositores religiosos ao "casamento para todos" levaram a uma forte mobilização dos cristãos progressistas, que, pela primeira vez desde os anos 1970, participaram em grande número das manifestações em favor do casamento homossexual.

A opinião é de Stéphane Lavignotte, pastora da Missão Popular Evangélica da Maison Verte, de Paris, e presidente do Movimento do Cristianismo Social. O artigo foi publicado na revista Riforma, publicação das Igrejas evangélicas batista, metodista e valdense italianas, 03-05-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

A abertura do casamento aos casais homossexuais foi adotada na França, e os partidários da igualdade e do amor ao próximo deveria se alegrar com isso. Mas o modo pelo qual o debate ocorreu deixa um sabor amargo. Embora, segundo pesquisas, 40% dos católicos praticantes eram a favor da lei – o que leva a supor que uma maioria de protestantes estejam em uma posição semelhante –, os representantes das instituições tomaram uma posição contrária unânime, ignorando a diversidade das opiniões dos fiéis.

Acima de tudo, os responsáveis das Igrejas correram atrás dos seus respectivos extremistas: a Federação Protestante (que reúne reformados, luteranos e "evangélicos") se alinhou com as posições evangélicas conservadoras: se nos lembrarmos que, há 40 anos, a própria Federação havia se pronunciado em favor da legalização do aborto, pode-se medir a amplitude da regressão.

No campo católico, as coisas são ainda mais preocupantes. No centro da mobilização contra a abertura do casamento, encontravam-se os setores mais reacionários do catolicismo, incluindo o Civitas, movimento integralista próximo da extrema direita fascista. Esse movimento, há dois anos, multiplicou as ações brutais: primeiro, contra uma mostra do fotógrafo norte-americano Andres Serrano, católico e homossexual; depois, contra espetáculos teatrais (particularmente, de Roberto Castellucci), todos considerados blasfemos; e, por fim, contra a abertura do casamento.

Os bispos, primeiro, condenaram, depois quiseram ocupar o campo e, finalmente, se encontraram na vanguarda da mobilização. Os responsáveis católicos continuarão, portanto, correndo atrás da sua extrema direita? O Civitas tem como centro da sua ação a luta contra a "descristianização" e contra uma chamada "islamização" da França. Os bispos vão segui-los nesse campo?

Esses setores conseguiram reunir manifestações muito grandes, com milhares de participantes. A violência dos discursos feitos durante essas reuniões incluiu uma explosão de homofobia, com um aumento das agressões contra as pessoas homossexuais. O governo socialista e ecologista, agora, parece retroceder: ao contrário das promessas, parece pouco provável, de agora em diante, que haja uma abertura da reprodução medicamente assistida para os casais de mulheres, ou a criação de um quadro legal para as famílias homoparentais (estatuto do pai não-biológico).

Triste balanço? Festa arruinada? Certamente, os setores cristãos conservadores conseguiram promover uma das maiores mobilização da sua história. Mas também é possível que esse tenha sido o seu ataque derradeiro, e se entrevejam sinais de uma inversão de tendência, já que, nas Igrejas protestantes, começou agora o debate sobre as bênçãos de casais homossexuais.

A violência e o sectarismo dos opositores religiosos ao "casamento para todos" levaram a uma forte mobilização dos cristãos progressistas, que, pela primeira vez desde os anos 1970, participaram em grande número das manifestações em favor do casamento. Setores até agora prudentes com relação ao tema da homossexualidade tomaram posição: a esquerda católica, os pastores das grandes Igrejas "burguesas" de Paris, abaixo-assinados de milhares de católicos e protestantes.

Uma ressurreição depois de uma crucificação? Não seria a primeira vez...

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