Georges Pontier: a força social do novo presidente dos bispos franceses

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19 Abril 2013

Os bispos franceses, reunidos para a sua tradicional assembleia geral, elegeram o seu novo presidente, o arcebispo de Marselha, Georges Pontier, um homem de diálogo, impregnado de cristianismo social. Ele sucede André Vingt-Trois, arcebispo de Paris.

A reportagem é de Marie-Lucile Kubacki e Jean Mercier, publicada no sítio da revista La Vie, 17-04-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"É um homem da cultura de rugby, que se adaptou à cultura do futebol". A frase é de Pierre-Philippe Leyat, leigo comprometido em uma paróquia de Marselha. Em poucas palavras, (quase) tudo está dito sobre o novo presidente da Conferência dos Bispos da França: simplicidade, calor solar e, acima de tudo, capacidade de se adaptar ao outro.

"Ele nasceu em 1943. Foi um bom ano! Eu compartilhei com ele, durante um ano, o mesmo corredor do pensionato dos jovens padres estudantes em Toulouse. Eu tenho certeza de que, naquela época, ele não pensava todas as manhãs, ao se barbear, que se tornaria bispo! Simples, caloroso, sorridente, com o sol nos seus olhos e na sua palavra, nunca abandonou o ritual do café que nos permitia refazer o mundo todos os dias entre o meio-dia e as 14 horas. Foi o ano universitário de 1967/1968!"

É dessa forma que Jean Casanave, padre da região dos Pirineus Atlânticos descreve Georges Pontier no seu blog. Elegendo o bispo de Marselha, Georges Pontier, como seu presidente, os bispos franceses escolheram uma personalidade calorosa e socialmente atenta, na linha do cristianismo social, aberta ao diálogo com as outras religiões, em particular com o Islã. Uma escolha estratégica em um momento em que a reflexão do governo sobre a laicidade preocupa os muçulmanos franceses que temem um recrudescimento dos atos islamofóbicos e em que uma pesquisa revela que 3 em cada 4 franceses têm uma imagem negativa do Islã.

Em fevereiro de 2011, ele havia participado de uma formação sobre o diálogo inter-religioso em Lyon, junto com cerca de 50 bispos. Em 2012, no período da assembleia dos bispos em Lourdes, ele havia declarado que, da parte católica, havia "dois posicionamentos" com relação aos muçulmanos: "Um deles concerne a pessoas habitadas por um sentimento de medo, ligado ao contexto internacional e mundial, e que desenvolve uma temática que contribui de fato para endurecer o posicionamento dos cristãos com relação aos muçulmanos. (...) Por outro lado, há aqueles que entram em contato e dizem que a situação é diferente na Europa e na França. No limite, aqueles que têm a linguagem do medo são aqueles que se encontram menos com os muçulmanos. (...) E os mais serenos são aqueles que vivem com eles, mesmo que não sejam ingênuos e notam que há novos enrijecimentos na comunidade muçulmana".

Um posicionamento equilibrado, que lhe valeu a reputação de ser um bom artesão do diálogo cristão-islâmico e um homem de diálogo. E não só com as outras religiões.

Pierre-Philippe Leyat explica: "Ele está à escuta de todas as sensibilidades, é um homem prudente, ainda mais que em Marselha o espectro das sensibilidades eclesiais é amplo. Nas reuniões, ele absorve o que lhe dizem uns e outros e sintetiza tudo de uma maneira brilhante".

A pessoa que Bento XVI nomeou como arcebispo de Marselha em 2006, cidade cosmopolita por excelência, se interessa de perto pelos jovens, pelos pobres e pelos imigrantes. Atento tanto ao aspecto social quanto ao espiritual, ele respondeu um dia a uma adolescente que lhe fazia perguntas anedóticas sobre a fé: "Olhe para o centro do alvo, Cristo. Não se perca nos detalhes que escondem o essencial...".

Georges Pontier nasceu há 63 anos em uma grande família de 11 filhos. Ordenado sacerdote aos 23 anos, em 1966, na diocese de Albi, começou lecionando no seminário menor dos jovens de Tarn. Em 1985, assumiu o cargo de pároco da Catedral de Sainte Cécile de Albi. Em 1988, aos 44 anos, tornou-se um dos bispos mais jovens da França, quando João Paulo II o nomeou a Digne. Em 1996, mudou-se para La Rochelle-Saintes, onde implementaria um sínodo memorável.

Paralelamente, aceitou o cargo de vice-presidente da Conferência Episcopal ao lado do presidente Jean-Pierre Ricard. Em Paris, liderou a reforma das estruturas episcopais. Foi uma tarefa ingrata para um pastor acostumado a trabalhar in loco, mas conseguiu completar a tarefa com um bom humor insuperável.

"Ele tem uma mentalidade muito forte, que se apoia em uma grande capacidade de recuar e também no bom humor", explica um de seus amigos. "Uma das suas expressões favoritas é: 'Os semeadores estão em forma, e os ceifeiros estão cansados!".

Semear iniciativas, portanto, ao invés de esgotá-las em tentar fazer número. E confiar o futuro a Deus. Próximo da espiritualidade de Charles de Foucauld, Georges Pontier é ao mesmo tempo espiritual e comprometido, homem de reflexão e de ação. A sua pregação é carismática, mas o seu ego permaneceu muito pequeno. Todos elogiam a intensidade da sua escuta, a sua inteligência ampla e sintética, a sua fineza de percepção das pessoas, mas também a sua capacidade de encontrar um consenso.

"Ele é um homem do Evangelho e luminoso, que vive o Evangelho de maneira pessoal", confidencia François Vayne, jornalista em Lourdes há 30 anos, bom conhecedor da diocese de Marselha. "Um testemunho de Cristo coerente, que gosta de trabalhar em equipe. Um padre transparente e irreprimível, distante de toda forma de carreirismo ou de cinismo. A sua eleição é uma boa notícia para o diálogo inter-religioso".

Há muito tempo responsável pela presidência da Cefal (Comissão Episcopal França-América Latina), Georges Pontier também é muito sensível aos problemas da globalização, dos estrangeiros. Há alguns anos, como vice-presidente da Conferência Episcopal, ele participou das negociações com Nicolas Sarkozy sobre o tema da imigração. "Ele se interessa por aqueles que foram destruídos pela vida, por aqueles que não necessariamente satisfazem os cânones da Igreja", testemunha um leigo em La Rochelle. "Como os divorciados em segunda união".

Atenção aos pobres, mas também aos jovens. "Eu me lembro da sua homilia cheia de força e de dinamismo para a missa de despedida para a Jornada Mundial da Juventude de Madri", conta Pierre-Philippe Leyat. "Ele sabe encontrar as palavras para lançar uma dinâmica".

Provavelmente inspirados nas palavras do cardeal Vingt-Trois, seu antecessor, que expressava o seu medo de ver se perfilar "uma sociedade de violência", os bispos franceses escolheram um homem de diálogo e de paz.

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