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Por: André | 16 Abril 2013

Nem a trabalhosa negociação no Congresso para regular minimamente a venda de armas a particulares. Tampouco a discussão sobre o pagamento de impostos por parte do 1% mais rico e dos 99% restantes. Se a agenda do presidente norte-americano Barack Obama já era complexa, as bombas de Boston trouxeram uma nova preocupação à Casa Branca. Um atentado terrorista? Um atentado terrorista de origem interna, como o dos ultradireitistas de Oklahoma, em 19 de abril de 1995, com 168 mortos? Um atentado de origem externa, como o das Torres Gêmeas, em 2001, que custou quase três mil vidas? Enquanto buscava uma resposta, a Casa Branca apressou-se para informar o presidente com quem analisava os dados: o diretor do FBI, Robert Mueller, e a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano. Uma foto de Obama telefonando para Mueller divulgada pela presidência mostrava que também se encontravam no Salão Oval o chefe de gabinete, Denis McDonought, e Lisa Mónaco, assessora presidencial para segurança e contraterrorismo.

A reportagem é de Martín Granovsky e publicada no jornal argentino Página/12, 16-04-2013. A tradução é do Cepat.

As informações e as imagens parecem indicar a provável decisão de Obama de não colocar, de saída, um marco global às bombas enquanto não contar com uma informação certeira. Ninguém da Agência Central de Inteligência. Ninguém do Departamento de Estado. Neste último caso, além disso, o secretário de Estado, John Kerry, foi senador por Massachusetts, o Estado a que pertence Boston, correu, nos anos 80, a maratona atacada ontem, e seus familiares mais jovens continuam participando.

A Secretaria de Segurança Nacional é um ministério poderoso criado para melhorar as redes de proteção e agir diante de ataques terroristas. Napolitano é uma dirigente democrata experimentada que governou o Estado do Arizona entre 2003 e 2009. Sua política a fixa no Conselho Nacional de Segurança, o órgão de assessoramento presidencial para coordenar as políticas em assuntos exteriores, interiores e militares. Fundado pelo presidente Harry Truman, em 1947, o Conselho nasceu no começo da Guerra Fria junto com a CIA e o Pentágono (Ministério da Defesa).

Os ataques encontraram os norte-americanos absorvidos por uma de suas ocupações anuais: preencher as planilhas para a dedução do imposto sobre os lucros, que vencia nesta segunda-feira. Antes dos fatos de Boston, o mais importante que se podia ler no The New York Times era uma coluna do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz queixando-se de que os 400 indivíduos mais ricos pagam menos de 20% de imposto sobre os lucros, menos ainda que os milionários situados abaixo deles, que pagam 25% e o mesmo que aqueles que ganham por ano entre 200.000 e 500.000 dólares. Segundo Stiglitz, em 2009, 116 dos top 400 pagavam menos de 15%. O 1% mais rico ganha o dobro que em 1979 e 0,1% nada menos que o triplo. Stiglitz conta que hoje a situação é exatamente a oposta àquela que os Estados Unidos viveram em matéria de impostos durante a Segunda Guerra Mundial e até o final da década de 1970. Truman e seus sucessores parecem ter combinado a batalha contra a União Soviética com o menor nível de desigualdade interna de seu país. Ronald Reagan, que em 1981 presidiu os Estados Unidos durante a vitória final contra Moscou, foi quem começou a baixar os impostos dos mais ricos com determinação de cruzado. O Nobel afirma que antes da posse de Reagan os Estados Unidos cresceram mais que depois.

No final da coluna, Stiglitz alerta não somente contra a lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e a injustiça do sistema impositivo. Sustenta que “uma sociedade não pode funcionar sem um mínimo sentido de solidariedade nacional e coesão”. Para o economista, “se os norte-americanos acreditam que o Estado é injusto – se acreditam que o nosso é um Estado do 1% para o 1% e pelo 1% –, a confiança em nossa democracia, sem dúvida, sofrerá uma deterioração”.

O papel que exercerão, neste contexto, as bombas desta segunda-feira é uma incógnita que irá se desvelando nos próximos meses. Enquanto isso, convém apontar que é a primeira explosão com vítimas no meio do auge das redes sociais – ou seja, que o efeito de magnificação é muitíssimo maior que em 2001, quando a principal via de transmissão era a TV – e que foi produzida em uma celebração massiva.

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