A homossexualidade em debate. Uma experiência

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Por: Darli | 14 Abril 2013

Buscando debater questões cruciais de um mundo em constante, rápidas e profundas mudanças, que gera uma série de indagações e inquietações, o Cepat/CJ-Cias, em parceria com o Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), deu início, na quinta-feira, dia 11 de abril, ao projeto intitulado “Temas de Fronteira”.

A reportagem e as imagens são do Cepat.

O primeiro tema foi o da homossexualidade, que vem produzindo muitos debates, com sujeitos almejando direitos e reconhecimentos de suas relações afetivas e práticas. Isso vem desalojando arraigadas percepções culturais e propondo uma nova moralidade.

A chamada para esse debate contou com o assentimento de mais de 30 pessoas. Um público formado por pessoas que se definiam como homossexuais e heterossexuais. Estavam presentes ativistas do movimento social, gays, lésbicas, religiosos, ateus, interessados e curiosos sobre o assunto.

A metodologia contemplou a leitura, em quatro grupos, de textos sobre o tema, tendo como referência a teologia, a história, a antropologia e a psicologia. Todos os textos foram selecionados no site do Instituto Humanitas (IHU), nosso parceiro estratégico, com quem comungamos, não só a linha de pensamento, referências de análise, mas, também, a programação de algumas das atividades que se retroalimentam.

Para a discussão proposta, todos receberam textos para a leitura e análise. A discussão de cada grupo foi partilhada na plenária geral. Não foi uma discussão fácil, e nem acabada, para nenhum(a) dos(as) participantes. E nem era essa a proposta. O consenso primado estava somente na importância e pertinência do tema.

Nas discussões em plenária, muitas questões foram suscitadas a partir dos textos. Destacou-se a importância da acolhida e do combate ao preconceito contra os homossexuais. O pastor Feliciano e Jair Bolsanaro foram citados como exemplos de preconceitos em esferas importantes da política e, portanto, do poder.

Citou-se que as “práticas homoafetivas” parecem gerar uma neurose na sociedade. A preocupação com a adoção de crianças por homossexuais evidenciam as dificuldades que se tem em trabalhar a questão da sexualidade e o estabelecimento de fronteiras que direcionam e condicionam orientações.

No debate, houve destaque para o papel dos interesses do grande capital, que busca lucrar com a manifestação homossexual, pensando em ampliar sua lucratividade, com um “nicho” específico. Citou-se o turismo sexual e outras formas de inserção via mercado.

Uma das dificuldades apresentadas esteve relacionada ao envelhecimento do público homossexual, pois a sociedade, em grande medida, não acolhe bem nenhum tipo de idoso. Muitos são abandonados pela família e o homossexual normalmente é abandonado muito antes.

Mencionou-se a difícil discussão sobre a desconstrução das identidades sexuais, das verdades e aprendizados impostos pela heteronormatividade, que não são acompanhados pela sociedade, e pelos movimentos sociais, ficando restrito, muitas vezes, aos grupos LGBTs ou aos teóricos de gênero.

Depoimentos: “Só quem sente sabe!”

Após a discussão plenária, houve o depoimento de três pessoas militantes do movimento LGBTs, convidados para um momento de partilha sobre a trajetória pessoal, diante da orientação sexual, nos momentos de descobertas, desafios, dificuldades, tristezas e alegrias pessoais.

A primeira a partilhar a sua experiência foi Juliana, que se define como bissexual.  Ela iniciou suas experiências sexuais com parceiros masculinos, em razão do direcionamento da sociedade. Juliana não teve grandes dificuldades com a família a respeito de sua orientação, mesmo quando resolveu se unir a uma mulher. Ela destacou que a sua autonomia financeira foi importante para isso.

Syr-Daria, professora aposentada, a segunda a conceder um depoimento, disse que por ser mais velha do que Juliana, teve uma experiência diversa. Primeiramente, teve toda uma trajetória considerada “normal” pela sociedade. Casou-se, teve um filho, separou-se e assumiu sua identidade lésbica e seus relacionamentos homoafetivos mais tarde. Foi difícil partilhar com a família e, especialmente, com o filho, que ainda não aceitou plenamente o fato da mãe ser lésbica.

Por fim, o depoimento de Emerson, participante do movimento Dignidade. Ele se definiu como gay, evangélico (anglicano), estudante de história e leitor assíduo do sítio do IHU. Disse ter assumido a sua orientação sexual apenas depois de se afastar da família. O campo da homossexualidade é amplo, possui alguns conceitos que são mais acadêmicos. A discussão sobre a desconstrução da identidade, por exemplo, é complexa. Emerson salientou que agora que se assumiu como gay, dentro desta desconstrução, não poderia mais se denominar desta forma. “Como assim?”, diz sorrindo.

Após os depoimentos, na avaliação realizada, houve uma proposta de continuidade da discussão, para aprofundamento dos temas.

Texto de Darli Sampaio e fotos de Karen Albini, ambas da equipe do Cepat/CJ-Cias.

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