Emissões de CO₂ dos EUA voltam ao nível de 1994

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08 Abril 2013

As emissões de dióxido de carbono decorrentes do consumo de energia nos EUA caíram mais uma vez em 2012, atingindo em 5,3 bilhões de toneladas, o menor nível desde 1994. Bastante expressiva, essa trajetória de queda resulta de fatores como o crescimento baixo da economia, o aumento dos preços dos combustíveis e a troca do carvão por gás natural na produção de eletricidade, em função dos custos menores. É uma notícia positiva, mas que precisa ser relativizada, segundo analistas.

A reportagem é de Sergio Lamucci e publicada no jornal Valor, 08-04-2013.

O primeiro ponto é que uma parcela expressiva da redução se deveu ao ritmo mais fraco de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) depois da crise que começou em 2007 e se agravou em 2008.

Já os ambientalistas observam que, na extração do gás de xisto por meio do processo de fratura hidráulica das rochas, há a questão do vazamento de metano, muito mais potente do que o CO2 em termos de efeito estufa. Além disso, há o risco de contaminação de fontes subterrâneas de água potável. Nos últimos anos, a revolução na exploração do gás de xisto nos EUA barateou tremendamente o gás natural.

O crescimento econômico mais fraco tem um peso decisivo para explicar a redução das emissões de CO2. Divulgado no mês passado, o relatório anual do Conselho de Consultores Econômicos do presidente Barack Obama estima que 52% da queda na liberação de dióxido de carbono ocorrida entre 2005 e 2012 se deveu à expansão abaixo do ritmo potencial da economia americana.

O processo de mudança para fontes de energia mais limpa, como gás natural e combustíveis renováveis, respondeu por 40%. Os 8% restantes decorreram de ganhos de eficiência energética. Os EUA são hoje o segundo maior emissor de CO2 do mundo, atrás da China. Mas o país foi por décadas o maior emissor.

Professor da Universidade da Califórnia, em San Diego, James Hamilton destaca a redução do consumo de petróleo nos últimos anos. Para ele, o crescimento econômico baixo é de fato importante nesse processo, mas o aumento dos preços dos combustíveis também ajuda a explicá-lo.

Hamilton lembra que muitos economistas defendem a introdução de um imposto sobre emissões de carbono como modo mais eficiente para reduzi-las. Segundo ele, as estimativas mais elevadas apontam para algo como US$ 100 por tonelada de CO2, o que significa cerca de US$ 1 por galão de gasolina (o equivalente a 3,78 litros).

A questão é que os preços do combustível subiram muito nos últimos anos, mesmo sem o governo ter implementado a taxação. No fim de março de 2003, por exemplo, o galão de gasolina custava, no varejo americano, pouco menos de US$ 1,60. Hoje, está na casa de US$ 3,60, segundo números da Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês), um órgão do governo. Em 10 anos, houve uma alta na casa de US$ 2 por litro, observa Hamilton. É o dobro das estimativas mais salgadas para o imposto sobre emissões de carbono. Com a alta dos preços, diz ele, há o incentivo para que parte dos americanos compre carros menores, que consomem menos combustível, por exemplo.

O diretor do Carnegie Mellon Electricity Industry Center, Jay Apt, afirma que a fraca recuperação econômica interrompeu o crescimento histórico do consumo de energia elétrica nos EUA. "Houve um declínio do pico de 2006, e pode ser que apenas em 2015 ou depois o país volte a usar o mesmo volume de eletricidade."

Hamilton ressalta também a importância do aumento da produção de gás natural nos EUA, o que tornou o produto uma opção mais barata para a geração de energia elétrica.

"Gerar eletricidade usando gás natural emite cerca de metade do dióxido de carbono do que com o carvão", observa ele.

Desde o pico atingido em 2005, a emissão de CO2 do consumo de carvão caiu 23,7%. Para Hamilton, essa troca é vantajosa, ainda que haja preocupações sobre o impacto ambiental do processo de extração do gás de xisto. "Nós devemos monitorar com cuidado a questão das emissões de metano e da contaminação da água, mas acredito que é possível lidar com isso."

Apt observa que as "emissões fugitivas" de metano de poços de gás natural e do transporte (tanto no gás convencional quanto no de xisto) ainda são uma área de pesquisa em andamento. "Mas nós podemos certamente dizer que há menos incentivos para controlá-las quando os preços do gás estão mais baixos do que há alguns anos."

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