“A África é e foi um grande laboratório”, afirma o antropólogo Juan Obarrio

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Por: Jonas | 26 Março 2013

O antropólogo argentino Juan Obarrio (foto) decidiu arrumar sua bagagem e viajou rumo à Universidade de Columbia, onde fez doutorado em Antropologia. Com o pé nessa Casa de Altos Estudos, desenvolveu seu trabalho de campo em Moçambique, um dos países mais pobres do continente africano. Ali estudou os efeitos políticos, sociais e culturais das reformas neoliberais, do ponto de vista do Direito. Sua experiência na África, onde continua suas pesquisas e intercâmbio acadêmico, fez com que se especializasse em questões relativas ao Estado pós-colonial, a política, a cidadania e o estudo dos rituais, nesse continente, e o seu vínculo com a América Latina.

Obarrio é professor do Departamento de Antropologia da Johns Hopkins Unisersity, membro do Comitê Executivo do Centro Giovanni Arrighi de Estudos Globais e do Conselho do Programa de Estudos Latino-Americanos Johns Hopkins. A partir destas instituições iniciou um trabalho em rede com acadêmicos e intelectuais argentinos – com base na Universidade General San Martín – para incentivar projetos de intercâmbio com sentido Sul-Sul, onde “intelectuais e políticos estão dando os primeiros passos”, explica o antropólogo.

A entrevista é de Walter Isaía e Natalia Aruguete, publicada no jornal Página/12, 25-03-2013. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

Por que você propõe comparar os colonialismos na América Latina e na África?

A discussão vem desde os anos 1980, com as teorias pós-colonialistas de intelectuais da Índia e da África. Após se consagrarem no Norte, chegam à América Latina. Proponho trazer esta discussão ao capitalismo global. Quando nós o pensamos para a América Latina, não devemos nos resumir apenas ao colonialismo espanhol. Parece-me muito mais importante estudar a América Latina como colônia de novos impérios, pensando a mesma como região e, em seguida, como Estados-nação. Quando a Índia estava se tornando independente, em 1948 – mesmo período de Israel, Palestina –, e na África começou a descolonização, nós aqui éramos, em teoria, Estado-nação independente desde 1800, mas sob uma órbita colonial informal. Desta forma, buscamos ver e estudar os mecanismos políticos e diplomáticos de dominação econômica em paralelo.

Quais são as semelhanças, entre as duas regiões, que dão conta de um colonialismo que subsiste?

O que é pós-colonial na Índia ou África, em nossa região teria que ser estudado na pós-ditadura, analisando as ditaduras latino-americanas como um processo semicolonial formal.

Por quê?

A questão é que não se tratou de uma colônia formal, com um exército de ocupação estrangeiro. Entretanto, é preciso estudar como os mecanismos de golpe de Estado, de ditaduras estrangeiras, diplomáticas, militares e políticas favoreceram mecanismos econômicos de extração, exploração e articulação econômica. Isso está bem documentado na Argentina e na América Latina. O interessante é abrir o panorama e ver coisas semelhantes na descolonização. A partir do Sul, devemos estudar a América Latina como laboratório do forte neoliberalismo, com os governos ditatoriais que são semicoloniais. A África, nos anos 1970, foi um campo de batalha da Guerra Fria, dividida entre governos ligados ao bloco do Leste e as ditaduras, que duraram 20 ou 30 anos, financiadas pelos Estados Unidos. Eu realizei meu trabalho de campo em Moçambique, que durante 15 anos foi um regime socialista aliado à União Soviética. Angola é outro caso, Etiópia outro. Embora as histórias sejam diferentes, esta perspectiva propõe ver paralelismos.

Como quais?

Por exemplo, o capitalismo de extração que está se dando como modo de acumulação global na Índia, na Ásia, na África e América Latina possuem traços parecidos no tipo de processo econômico de investimento, de extração, de acumulação. As empresas são as mesmas. Podemos falar de empresas mineradoras na África que também estão no Peru, Equador e Colômbia, locais em que foram geradas revoltas políticas de resistência.

A monocultura é também muito importante na África?

Sim. Todos os países estão centrados no único cultivo, do qual tentam sair, mas é muito difícil.

Quem e por que estão fazendo esta discussão?

Porque são economias que já foram estruturadas dessa maneira, desde o período colonial. Estamos falando de 1880, de estados que são satélite de uma colônia e produtores de café (Gana), petróleo (Nigéria), diamantes e ouro (África do Sul). Agora, o tema está sendo pensado a partir dos governos. Paralelamente, a China está desempenhando uma grande influência econômica e política, e gerando mudanças na demanda de um continente como a África, que começa a aumentar sua produção.

Em termos econômicos e sociais, quais são os principais prejuízos que a monocultura gera nos países africanos?

Na América Latina, todos os processos que vemos de violência, extração econômica, na África podem ser vistos em maiores dimensões. Há uma concreta fragilidade no institucional, uma herança clara do colonialismo. O colonialismo britânico e o francês deixaram estados muito frágeis, muito marcados, submetidos. Falamos de 150 anos de um altíssimo nível de violência, de capitalismo extrativo e de opressão colonial, que é o que define o colonialismo. Quando digo que é preciso falar de pós-colonialismo na América Latina, eu me refiro à violência política.

No que o colonialismo se diferencia do pós-colonialismo?

O que se denomina pós-colonial é aquilo que tem uma marca colonial. Com o prefixo, está se destacando que a experiência colonial, curta ou mediana, foi fundamental e que seus efeitos políticos, econômicos e culturais permanecem com um altíssimo grau de violência, com um aparato estatal que é uma cópia ruim, degradada, do Estado ocidental e com um déficit absoluto em termos de cidadania, pois a cidadania estava baseada na segregação racial. Esse é um tema muito importante para pensar a América Latina, sobretudo, a Argentina, onde supostamente não temos as categorias raciais.

Na África, como se explicam determinados conflitos armados entre povos dentro de um mesmo país, que geralmente são apresentados como “guerras tribais”?

O estereótipo colonial incorporado indica que são guerras tribais, de grupos arcaicos, que há milhares de anos estão lutando e se odiando. Não há nada disso. É uma história de violência política de muito curto tempo. O que se denomina com “grupos étnicos” também é uma configuração que não responde a uma realidade social concreta.

Por quê?

Porque esses grupos étnicos vêm se misturando, casando, juntando, lutando e voltando a se articular durante 100 ou 200 anos. Existem muitos grupos étnicos dentro de cada país, e isso é uma questão para esclarecer. O colonialismo dos antropólogos, aqui (na América Latina), leva a falar de tribos, de grupos étnicos, de raça. Sim, há grupos sociais, mas baseado em que são definidos? O que diferencia um wichí de um toba?

Partindo dessa visão crítica, como você explica o genocídio de Ruanda, em 1994, por exemplo?

Em Ruanda, uma minoria do “grupo étnico hutu” massacrou a centenas de milhares de tutsis no lapso de três meses. A CNN disse que esse massacre está baseado em ódios ancestrais, quando na realidade responde a uma lógica colonial movida pelo colonialismo belga, que trouxe grupos que não estavam no território de Ruanda.

Concretamente, o que o governo belga fez?

Trouxeram-lhes de lugares estrangeiros, instalaram e deram mais direitos a esses do que aos que viviam ali. A política colonial é dividir para reinar. Ao longo de 80 anos, hutus e tutsis foram se misturando. Então, como saber quem é quem? Quando é produzido o genocídio, bandos de hutus foram pelas ruas e casas procurando tutsis, e a única maneira de identificá-los era pelo documento de identidade, que dizia “Fulano de tal, tutsi”. Porque já não existe uma forma de identificar um tutsi de outro grupo étnico pela aparência. Porém, o documento estatal dizia que sua etnia é uma herança colonial de segregação racial. Num momento da história de Ruanda, hutus e tutsis eram quase grupos políticos, não grupos étnicos.

E em 1994, o que desencadeou tamanha violência?

Em 1994, houve uma grande crise política interna, um processo de ajuste estrutural de arrefecimento brutal da economia e, além disso, uma campanha dos meios de comunicação chamando à violência contra os tutsis. Foi bastante preparada por setores aliados ao governo. Os meios de comunicação foram um fator importantíssimo. O slogan político era: “Vamos matar as baratas”. Isto está acontecendo em muitos conflitos da África.

Esses episódios sempre foram marcados por altas quantidades de mortos.

E como, na Argentina, chegamos a matar 30 mil pessoas, e a torturá-las? Na África, às vezes, tudo aparece como mais exagerado, mas aquilo que se chama de violência étnica é importante entendê-la como violência política. Não é nenhum ódio étnico, biológico, nem ancestral, são processos histórico-políticos com forte marca pós-colonial. E para não jogar toda a culpa nos belgas ou ingleses, digamos que depois existem dinâmicas internas que são próprias. Em Ruanda, em três meses, houve 200 mil mortos com facão. Esses níveis exagerados, excessivos em todas as frentes – na economia, na política, na violência –, são onde eu acredito que a violência colonial interfere fortemente. Uma violência extrema, de 100 anos de colonialismo, deixa essa herança. Além disso, não foram criadas instituições que a canalizem. Contudo, não devemos estereotipar. A África não é o caso perdido da histórica universal, é um produto local e internacional.

O nível de armamento, que existe nos países africanos, é muito alto?

Entendo que Moçambique foi o primeiro lugar onde se aplicaram técnicas de terrorismo contra populações civis. Ali houve uma guerra civil de 15 anos, de 1977 até 1992. Havia, então, um governo socialista e o governo do apartheid, junto com a CIA, formaram uma guerrilha que foi muito famosa em sua época. E hoje em dia são os dois partidos políticos da democracia que compartilham muitas coisas. A África funciona muito como campo de experimentação. Os campos de concentração foram inventados numa guerra na África do Sul, em 1890, não contra britânicos, mas contra holandeses e outros europeus. A África-subsaariana é uma coisa e o norte, outra. O norte tem um desenvolvimento cultural muito importante, como o Egito, mas dizem que não é África. Porque desde Hegel a África “não pode ser nada, está fora da história”. Tanto geopolítica como pós-colonialmente é muito importante dizer que o que chamam de “revoluções árabes”, são revoluções africanas.

Por que começaram a produzir estas resistências?

Há dinâmicas de dominação muito embutidas, o pós-colonial herdou muito da dominação. A culpa não é somente das colônias, pois mesmo durante os governos democráticos são vistas dinâmicas de controle e coerção de elites políticas. Existem processos de resistência fragmentados, onde o ator fundamental é a juventude. E nos países islâmicos, onde as mulheres estão oprimidas, elas são um ator político e cultural fundamental. Juventude e mulheres são um foco de resistência que se articula e que lidera o movimento.

Qual é a problemática que maior interesse está gerando na África?

Um tema muito importante é a terra, principal recurso econômico e político. Estão entrando investimentos estrangeiros, individuais e de corporações, que fazem negócios com o Estado ou com algum aparato da elite. A maior parte do continente é formada pela população rural e caminha para um mundo que se urbaniza. Porém, tudo o que acontece na capital, com a elite política, tem ligação com a população rural.

E por que o setor rural continua sendo tão importante, quando o mundo caminha para o urbano?

É um mundo subdesenvolvido econômica e institucionalmente, além disso, as dinâmicas políticas e culturais estão fortemente presas ao rural, onde existe uma importante rede de clientela. Uma dinâmica que o neoliberalismo e o ajuste exacerbaram. O neoliberalismo reforçou muito profundamente toda a questão dos direitos consuetudinários, o tradicional; reforçou muitíssimo o poder dos chefes tribais. Há uma articulação entre Banco Mundial, Agência e chefes tribais que supõe um desmanche do Estado.

Qual é o interesse da China na África?

Repito que a África é e foi um grande laboratório. E também é reflexo de um mundo mais multipolar, porque a influência (norte)americana é muito forte, mas não é a única, nem a mais poderosa. Porque é uma globalização dirigida pelos Estados Unidos em retirada, mas os ex-poderes coloniais europeus são os principais clientes econômicos e políticos, com um controle diplomático e político e uma influência muito grande na sustentação de regimes autoritários, mesmo que sejam democráticos.

E como entra a China neste cenário?

A China tem se tornado a principal sócia econômica de todo o continente. Ocorrem duas dinâmicas. Por um lado, um forte endividamento – a China oferece créditos leves, para muitos anos – e, por outro, um forte capitalismo extrativo em recursos naturais e energia. A China compra ou financia projetos gigantescos em qualquer lugar do mundo, mas no caso da África mais ainda, por sua importância geopolítica. Em algum momento, a China pode ser a principal governadora da região. Está acumulando e “comprando” a África, empurrando-a para sair da monocultura e a se diversificar para a demanda chinesa, cedendo créditos leves para o desenvolvimento e infraestruturas das elites políticas, que vai cooptando de forma clientelar. Olhar para onde a China vai, agora, e que dinâmica está empregando na África, é um espelho para pensar a América Latina. Um pesquisador dizia que a China tem a dívida impagável dos Estados Unidos, mas com isso está comprando a África e meio mundo. E a elite chinesa diz ter prazos muito longos.

Você utiliza o termo “comprando” de forma simbólica ou literal?

Meio a meio. Por um lado, estão investindo. Por outro, gerando margem de manobra com as elites políticas africanas. (Com sua iniciativa) podem substituir os planos de ajuste estrutural. A China empresta a uma taxa muito baixa, para 50 ou 100 anos. Um dado etnográfico é a influência que a China possuía, desde a época da Guerra Fria, com países afins como Tanzânia e Moçambique.

E em relação ao seu trabalho de campo na África, em que consistiu?

Realizei, por dois anos e meio, um trabalho de campo em Moçambique. A metade do tempo na capital e o restante em localidades rurais. Vi as mudanças que as reformas neoliberais produziram, a partir do ponto de vista do direito.

E que efeitos você encontrou?

O neoliberalismo foi – e ainda é – um grande arcabouço jurídico, legal. Regulou a partir do discurso da desregulamentação. Ao estudar os mecanismos jurídicos e a proliferação de leis, sob a lógica do mercado, pude ver que o Estado é mais um ator privado, um sujeito de direito. O conceito “Estado de ajuste estrutural” é muito claro em Moçambique e talvez em outros países.

Concretamente, em que se traduz esse conceito?

Quero dizer que não há um aparato de Estado nacional e agências estrangeiras e investimentos estrangeiros, mas, sim, que existem dinâmicas muito fluídas, onde não se pode distinguir, em geral, entre o nacional e o transnacional, nem entre o privado e o público. São corporações estrangeiras que devem se associar a um personagem da elite local, que ainda dita os controles das privatizações. Não se trata apenas da questão das agências estrangeiras falarem sobre o que legislar, como parte dos programas de ajuste, mas também do fato de que são os consultores externos que fazem as leis que o Congresso aprovará. Inclusive, há membros da Corte que são consultores.

Membros da Corte e, ao mesmo tempo, consultores?

No Estado pós-estrutural, sim. Acontece muitas vezes..., é que o Estado não tem fundos. Neste caso (Moçambique), a metade do orçamento nacional provém de ajuda externa de tipo diferente. É um Estado muito precário. Algumas pessoas deixam seu posto no Estado para desempenhar o mesmo trabalho, porém, numa agência de cooperação que financia essa área do Estado. Por exemplo, alguém dirige tal subsecretaria, mas não cobra dinheiro do Estado, pois essa subsecretaria é parte de um projeto de desenvolvimento de uma agência sueca, e cobra o triplo como consultor desenvolvendo o mesmo trabalho.

Esse mecanismo também era efetivado em alguns países andinos.

Então, vendo isso a partir da experiência do ajuste na Argentina, lá enxerguei tudo mais exagerado, exacerbado e aprofundado. Ao mesmo tempo, eu fui com a ideia de que o Banco Mundial e as agências ditavam tudo. Porém, no Estado de ajuste deve haver uma negociação constante entre elites locais – com altos índices de poder no controle militar, controle de inteligência e segurança – e agências privadas e estrangeiras. Por exemplo, a agência escandinava financia e regula uma área importante de desenvolvimento, mas quando há uma licitação de porto e aduanas, vence uma empresa desse país. Isso não se anota de nenhum lado, mas pode ser estudado no marco do Estado de ajuste estrutural. Na América Latina, as dinâmicas e os limites que marca o capitalismo extrativo são muito fortes, claros e violentos, por isso está gerando resistências.

Como se articula o neoliberalismo com a cultura e a religião na África?

A África se globaliza e gera a exclusão de todo o local. Agora há celulares no Quênia, entretanto, desaparece o Estado-nação. A exacerbação das identidades locais é uma reinvenção das origens dos grupos locais que lutam pelo acesso à terra, reinventadas como o primeiro ocupante do lugar e com uma forte dose de exclusão do outro, do estrangeiro. O neoliberalismo liberou o mercado da terra e há cada vez menos acesso a ela por parte das comunidades locais. Isso fez com que em todos os lados houvesse conflitos candentes do que se chama “autonomia”: reforçar a identidade local apegada à terra e a rejeição do outro.

Que delineamentos você propõe em termos de linha política Sul-Sul?

O que nos une é a lógica dos enclaves: o neoliberalismo gera fragmentação dos Estados nacionais, porque a produção econômica está num enclave que se desconecta do resto dos Estados-nação e da economia. Adquire uma dinâmica própria, ligada aos centros financeiros internacionais. Isto na África é muito escancarado, mas começa a ser visto na América Latina. No interior do Estado, os enclaves são estados de exceção, áreas economicamente autossuficientes que se transformam em pequenos Estados privados. No Congo há enclaves de extração de diamantes e ouro, na Nigéria de petróleo. O mais interessante é ver a fragmentação social e cultural.

Nesse contexto, por que o interesse em estudar o pós-colonial?

Essa era a lógica colonial: dividir, segregar comunidades e povos em territórios que não se podiam articular, uma absoluta divisão territorial e político-cultural. O ajuste estrutural tem uma história colonial de fragmentação e lógicas de enclave. É importante estudar isto comparativamente entre África, Ásia e América Latina. O eixo de trabalho é para os acadêmicos que se instalem na rede Sul-Sul, em articulação com setores intelectuais e políticos no Sul.

Há intenções reais de concretizar esse trabalho em rede?

Nesse momento, há intenções. Vim até a Universidade de General San Martín para desenvolver esta iniciativa. Embora a lógica colonial seja o que está marcando o campo, o objetivo último é pensar isto a partir do Sul. Os intelectuais e políticos estão dando os primeiros passos. Brasil, Índia e África do Sul têm iniciativas em comum, discutem políticas públicas, estão em nível de governo no BRICS, no G-20. Estão na Agência das Nações Unidas de cooperação Sul-Sul, mas também existem iniciativas no marco das Nações Unidas e o Banco Mundial. Talvez seja muito purista, mas a aposta está em podermos saltar isso e entrarmos em rede com gente em Mumbai, em Nairóbi, Johanesburgo, Buenos Aires, México.

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