Agentes confirmam curso do SNI para repressão na América do Sul

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19 Março 2013

Argentinos, uruguaios e chilenos estiveram entre os alunos de um curso para formação de agentes da repressão ministrado no Brasil entre 1971 e 1972 pela Escola Nacional de Informações (EsNI), braço escolar do Serviço Nacional de Informações (SNI) que deu suporte à ditadura militar brasileira. Na sede dos destacamentos de operações (Doi-Codi) de São Paulo e Rio de Janeiro, foram introduzidos a aulas práticas de técnicas violentas de interrogatório, nas quais eram usados presos políticos brasileiros.

A reportagem é de Vandson Lima e publicada pelo jornal Valor, 20-03-2013.

O período antecede a eclosão dos regimes militares nos vizinhos latino-americanos - em 1976 na Argentina e 1973 no Uruguai e Chile. "Quando se fala em operação Condor, sempre se coloca que ela aconteceu de fato a partir de 1975, quando o general chileno Manuel Contreras batiza uma coordenação das forças de repressão do cone sul às organizações de esquerda. Mas descobertas como essa mostram que ela existia há muitos anos", diz Ivan Seixas, coordenador da Comissão da Verdade de São Paulo, em referência à aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul.

Foi Ivan quem tomou os depoimentos de três agentes da repressão que participaram desses cursos. Deles, apenas o ex-sargento e analista do Doi-Codi/SP, Marival Chaves Dias do Canto, permitiu a divulgação de sua identidade. Chaves também falou à Comissão Nacional da Verdade em outubro, mas não havia revelado tal fato à época.

Segundo os relatos, a presença estrangeira não se restringia aos alunos. Alguns dos professores se comunicavam apenas em inglês, e tinham seus ensinamentos traduzidos por Fred Perdigão, conhecido como Dr. Nagib, homem-forte do Doi-Codi e que posteriormente teria participado do grupo de militares que colocaram a bomba no estacionamento do Riocentro, em 1981. Até hoje pairam dúvidas em relação à participação efetiva dos EUA na Operação Condor, em que pese sua ciência do que se passava estar documentada.

"Durante muito tempo, teve-se apenas ideia da existência desse tipo de treinamento. Agora podemos dizer que temos a comprovação dele em depoimentos de quem participou. As falas foram muito convergentes nesse sentido", avalia Seixas.

Ele diz que a comissão foi na maioria dos casos procurada por interlocutores desses agentes, que sondavam as condições destes falarem à comissão. "Vamos respeitar o pedido de alguns deles de não terem seus nomes divulgados, porque ainda há muito medo de sofrerem consequências, mesmo hoje. Mas o que contaram vai ser divulgado na íntegra". Como algumas conversas duraram até cinco horas, o grupo paulista se dedica neste momento a fazer o registro textual. Depois, o coordenador da comissão fará um relatório das informações coletadas.

No dia 25, as Comissões Nacional da Verdade e a comissão paulista farão um evento conjunto em São Paulo para tratar especificamente da violência da ditadura contra mulheres. A ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, estará presente, bem como as integrantes da Comissão Nacional Maria Rita Kehl e Rosa Maria Cardoso.

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