O verdadeiro poder de Deus é o poder de reter-se. André Wenin, exegeta belga, analisa Gênesis 1-4

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18 Março 2013

Um trabalho de exegese e de transposição para compreender a bíblia em nossos dias. Esse é um dos grandes esforços empreendidos pelo exegeta belga Andre Wenin, que está na Unisinos de 18 a 20 de março ministrando diversas atividades ligadas a uma análise do primeiro livro bíblico, o Gênesis. O evento faz parte do cronograma da 10ª Páscoa IHU – Ética, arte e transcendência, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “É preciso ter em consideração que em suas origens a bíblia foi escrita em hebraico, portanto se trata de uma matriz cultural radicalmente diferente da grega, latina e mesmo europeia”, disse na manhã desta segunda-feira, na abertura do curso Aprender a ser humano. Um estudo de Gênesis 1 – 4.

Wenin frisou que a natureza desses textos é peculiar, pois podem ser qualificados como míticos, embora não sejam mitos em seu sentido próprio. “A bíblia é escrita num contexto monoteísta, por isso não fala em deuses, mas em Deus. A narrativa, assim, vai se tornar algo que não é um mito no sentido próprio do texto. Contudo, é mítica porque contem uma explicação do começo do mundo. Suas primeiras palavras são ‘no princípio’”, acrescentou.

E por que os homens contaram mitos? Isso ocorre em quase todas as culturas para tentar compreender o mundo em que se encontram. O mundo chamado de primitivo é tido como algo que amedronta e que não desvendamos. Então, os mitos devem ser compreendidos como narrativas que organizam o mundo dentro de uma história. De acordo com Wenin, “conta-se história para organizar o mundo. É dessa maneira que encontramos os elementos da natureza. Também encontramos aquilo que será contando como tais elementos se relacionam entre si”.

O mito é a filosofia através de uma história narrada. Na bíblia, então, os mitos não estão ali. O que há é uma narrativa mítica, legível no primeiro capítulo do Gênesis. Tais relatos se organizam em uma sequência narrativa que se sucede. Essa sequência leva ao primeiro ancestral de Israel, que é Abraão. Todos esses relatos são contados se fossem as primeiras coisas que aconteceram na humanidade. Tais narrativas pretendem dar o que é válido por toda parte e sempre, embora tratem de uma cultura particular. O trabalho do leitor consiste em observar se essa pretensão ao universal está nos textos, ou se não é simplesmente o fato de uma cultura particular.

Estão na bíblia todas as grandes perguntas que até hoje nos fazemos, afirmou o pesquisador belga. Assim, nas Escrituras se interroga pelos relacionamentos entre pais e filhos, irmãos e conjunges, sobre o que é o amor, o motivo do nosso sofrimento e por que existe a violência. “A essas perguntas damos respostas espontaneamente através do nosso modo de viver e da forma como nos comportamos em relação aos animais, por exemplo”.

Tais questões são universais, para as quais os textos trazem suas respostas. Ler um relato como esse é necessariamente questionar-se a si mesmo. Dialogar, fazer com que nossas respostas inconscientes dialoguem com as respostas do texto. Paul Ricoeur disse que tais textos exigem uma dupla hermenêutica. “A interpretação que dou, portanto, é a minha própria, uma vez que se interpreta a partir do que se é. O texto, assim, também me interpreta. A via é dupla”, raciocinou Wenin.

Harmonia do mundo

Ao iniciar sua fala, André Wenin assinalou que os textos a serem estudados não são “textos de catecismo, nem são dogmáticos. Mas são histórias”. E acrescentou: “Eu proponho a bíblia para pensar. Em outras palavras, eu diria que tais textos não nos dão certezas. Eu me distancio da dogmatizaçao desses textos, no sentido do que eles pretensamente diriam a verdade acabada”. Os textos, continuou, não são teologia, mas são relatos de questões teológicas. Servem para nos ajudar a refletir sobre tais questões teológicas, e não para nos dar certezas.

A leitura que Wenin propõe se baseia numa leitura narrativa dos textos.  Não se trata de uma exegese histórica, portanto. O que interessa mais a esse pesquisador é lê-los como relatos e o apreender o que eles têm a dizer sobre os humanos em sua existência.

Falando sobre a criação do universo narrada pelo Gênesis, o estudioso belga disse que esta nada tem de científico. Ele exibiu uma representação do Universo feita por ele próprio com desenhos. Em seu ponto de vista, o que há no Gênesis não é uma visão científica, que tem apenas a vontade de classificar e fazer distinções. Tal raciocínio procura distinguir e nomear as coisas. O que o texto procura dizer é que tal universo ordenado é fato e resultado de uma transcendência de um ser que não pertence a esse mundo.

A narrativa da criação do mundo é muito bem composta nessa passagem, observou. Dessa forma, nos primeiros dias, Deus organiza o ambiente que irá receber os elementos que serão colocados nos dias seguintes. São três dias de separação e outros três de ornamentação. Esse esquema demonstra que o mundo foi criado de maneira lógica e organizada, exposto num texto extremamente bem escrito e calibrado. “Esse texto procura nos mostrar essa harmonia do mundo”.

Humanidade inacabada

A seguir, Wenin realizou uma tentativa de compreensão do Gênesis 1 – 4. “Trata-se de um texto onde não há uma única negação. Tudo está na forma positiva. Tentem escrever um texto de 420 palavras sem usar nenhum advérbio de negação”, desafiou o exegeta. Nesse trecho da Bíblia dois dos grandes questionamentos feitos são qual é o lugar do ser humano e quais são seus deveres no Universo.

Wenin questiona sobre o sentido do plural “façamos” quando Deus fala em criar o homem. Trata-se de fazer algo totalmente novo, jamais visto. Deus já fala com os humanos, e faz sua parte, que é criar - o que somente Ele pode. O ser humano é incompleto e sabemos que somos seres inacabados. “A humanidade é uma realidade inacabada. É o agir, a ação é que permitirão acabar essa criação”.

Quando se refere à humanidade, Deus não termina os versículos no Gênesis dizendo “que isto estava bom”. Se retomarmos a Escritura, veremos que esse refrão aparece em toda parte, exceto quando Deus criou o céu e depois houve manhã e tarde. “Não estava escrito que estava bem porque não estava terminado”, acrescentou Wenin. Trazemos em nós a imagem de Deus, mas essa imagem precisa se tornar a imagem do original, submetendo a Terra por nossa ação, caminhando rumo à semelhança.

A humanidade não está acabada. A tarefa dela está em tornar-se acabada em função da perfeição de Deus. Essa potencialidade precisa ser desdobrada. O ser humano tem de emergir da sua humanidade para ir em direção a Deus. Não se trata de negar a animalidade, contudo.

Deus criou o humano à sua imagem. Mas que Deus é esse de que fala o Gênesis? Temos cada um a nossa imagem de Deus. Os exegetas não podem, contudo, dizer que imagem é essa de Deus. Eles devem se perguntar que Deus é esse que inspira a imagem a partir da qual fomos criados. É preciso retomar o relato para ver de que Deus está sendo trazida a representação.

Um poder que liberta

Muitas vezes os comentadores dizem que o Deus do capítulo primeiro do Gênesis é o Todo Poderoso. “Isso é um pouco fácil, porque se fosse necessário dizer isso, não seria necessário escrever 415 palavras para prová-lo”, rebateu André Wenin. “Gostaria de mostrar as nuances que devem ser acrescentadas à noção de Deus Todo Poderoso. Deus não cria a partir do nada, mas a partir de um material caótico: as trevas, o abismo e o vento. Quando Deus trabalha esse material, não elimina nada. As trevas vão permanecer, o abismo continua e fica nas águas de baixo e de cima, será canalizado. Esse abismo é limitado, colocado no seu lugar, e não estará mais presente em toda parte”. O vento, por sua vez, emenda Wenin, é necessário para a emissão dos sons que serão ditos. A Bíblia em hebraico contém os primeiros sons emitidos por Deus, que estava metrificando-os para criar a palavra. Assim, os três elementos são transformados e dominados por Deus. Quando Deus cria, não destrói nada. O conjunto é harmonioso. Trata-se de um poder todo poderoso que não destrói. Quando cria a vida, a cada momento Deus acrescenta vidas que ele não vai continuar controlando. Ele planta as plantas que irão produzir suas próprias sementes e que poderão se reproduzir sozinhas. Deus dá a vida, mas o faz de maneira generosa. É um poder todo poderoso que dá, mas que não controla, que não quer reter, mas ao contrário, que liberta.

Quando lemos no Gênesis que Deus “viu que estava bom”, Ele conclui seu trabalho e se distancia para poder contemplá-lo. A mais bela metáfora que se pode dar disso é o afastamento do artista de sua obra de arte.  Deus, ao se afastar, se admira daquilo que saiu de suas mãos, mas que não é ele próprio. Isso é fundamental, diz Wenin. Para que uma criança cresça e se desenvolva, é indispensável que ela seja olhada com admiração por alguém, disse usando outra metáfora. É preciso para um crescimento sadio que essa criança tenha um espaço do olhar do outro, no qual se sinta considerada e admirada – isso é o que dá confiança em si.

Portanto, um Deus que se afasta de sua obra e permite a esta se desenvolver sobre seu olhar admirado, não é poder absoluto ou potência. O verdadeiro poder é o poder que é capaz de reter-se.

Espaço da autonomia e responsabilidade

Wenin mencionou que há um detalhe “esquisito” na narração do sétimo dia, no Gênesis. Assim, relembrou a plateia de que Deus termina sua obra ao cessar de trabalhar. “Isso é extremamente importante, porque o mundo não seria completo se Deus não se retirasse dele. Deus foi procedendo por uma série de separações, e a última delas é a separação Dele próprio da sua obra. O mundo só é completo a partir da retirada de Deus. E quando se retira, o que faz Ele? Como explicar o repouso de Deus?”, questionou. Durante seis dias, Deus colocou em exercício seu poder organizador para ordenar os espaços e criar a vida. Trata-se de um Deus que agiu e lançou mão de seu poder. No sétimo dia, contudo, Deus não exerce mais seu domínio – ele coloca um ponto final ao seu domínio e o recurso de seu poder. Isso é crucial. Deus põe termo ao seu domínio sobre a criação. Ele é, assim, mais forte que o seu próprio poder. É um mestre de seu poder. Mais forte que sua força.

No Livro da Sabedoria há uma passagem que diz que Deus pode ser clemente e doce porque Ele domina sua força. Deus domina sua própria força, e dominar sua própria força é ser Todo Poderoso. É ter poder sobre o próprio poder, controlar e limitar seu próprio poder. No texto do Gênesis, não se trata do poder sem limites, mas sim daquele capaz de se autolimitar. Nesse sentido é que podemos falar na doçura, não aquela do cordeiro, mas daquela do poderoso que é capaz de limitar o exercício do seu poder. Esse é o primeiro aspecto desse sétimo dia.

Porém existe ainda outro, já não relacionado com Deus, mas com o mundo. Quando Deus controla seu próprio poder, manifesta que não deseja preencher tudo, mas deixa um espaço para a criação do ser humano. Para esse ser humano há um espaço de responsabilidade. Deus não preenche todo o espaço, mas dá um espaço de autonomia e responsabilidade para o ser humano em relação à criação. É aqui que se podem compreender o sentido das palavras em particular.

Abençoar sua obra significa fazer do sétimo dia um dia de vida. A benção é uma palavra eficaz de Deus para o desenvolvimento da vida em termos de qualidade. Tem-se, por isso, um dia abençoado por Deus ter se retirado e deixado a autonomia ao homem. O verbo santificar está sempre ligado a um conceito de separação, distinção. “Lembrem-se que na visão de Isaías, capítulo 6, se fala em Deus do Universo. O sétimo dia é santificado porque é diferente dos outros dias. É o dia em que Deus dá ao ser humano seu próprio espaço de responsabilidade. Nesse texto, então, qual é a imagem de Deus? Certamente de um Deus poderoso, mas essa força e poder são nuançados, pois Ele não destrói nada, integra na harmonia geral até mesmo aquilo que pode parecer negativo”.

Em segundo lugar, continua Wenin, trata-se de uma potência de apelo à vida que se mostra generoso e que não guarda para si a chave da vida. Em terceiro lugar, é um Deus que pode interromper sua potência para olhar e admirar o que vê. Por fim, é uma força que sabe limitar-se e dominar-se para dar ao Outro o seu lugar e autonomia, dando ao ser humano seu lugar de responsabilidade.

Raízes do antropocentrismo?

A tarefa do homem no Gênesis é dominar os animais. Mas o que significa isso? A comida que Deus destina para os homens é somente vegetal, aponta o exegeta belga André Wenin. Deus diz que o homem deve dominar os animais, mas deve comer somente os vegetais. Dominar o animal sem mata-lo é colocar um limite no seu próprio domínio. Como Deus, os homens devem dominar, mas precisam fazê-lo controlando seu domínio para que seu poder não se torne fonte de morte. “A imagem do homem será igual à de Deus à medida que irá dominar os animais estabelecendo limite para seu domínio. O homem deve então, prevalecer, mas deve fazê-lo sem violência. Se o ser humano quiser contribuir com a harmonia da criação, deverá respeitar a vida do animal”.

Quando o cristão lê os textos bíblicos e não entende ou não gosta de algo, tenta dar um jeito, brincou Wenin. Quando se vai à igreja e as Escrituras são lidas, se tira tudo que é estranho. Novamente dá-se um jeitinho. Mas quando o texto é difícil, significa que há espaço para a interpretação humana. É o caso daquilo que se diz a respeito da dominação dos animais pelo homem.

Noé é aquele que através da não violência reuniu os animais de forma que eles não se alimentassem uns dos outros. O mundo pode ser de paz e harmonia à medida em que o ser humano pode controlar sua força, potência e animalidade. “Lembrem-se que no Gênesis há menção ao macho e à fêmea. Nisso somos aparentados com os animais. Contudo, a animalidade de que fala o Gênesis não é apenas a externa. Mas é a animalidade que está dentro do próprio ser humano, com suas forças, dinamismos e energias. A palavra animal, em hebraico, é construída sobre a palavra viver, por isso ‘vivente’. Certas energias que precisam ser canalizadas, dominadas para que se tornem verdadeiramente humanas. Isso vale não somente para a pessoa humana isolada, mas para os grupos como um todo”, lembrou Wenin.

Recuperando a máxima hobbesiana do “homem como lobo do homem”, Wenin perguntou à plateia como é possível controlar essa animalidade sem destruir essas forças que a compõe? Tais forças devem ser, isso sim, domesticadas, destacou. Domesticar um animal pressupõe estabelecer limites a ele, educando seu instinto.

E como o ser humano faz para dominar os animais? Observem que ele utiliza não somente golpes, mas a palavra. Quando o animal se torna domesticado, basta que se fale com ele para que faça o que o amo quer. É através da palavra, sobretudo, que se domestica. Nomear os animais é identificar e distinguir para organizar suas próprias forças, reconhecê-las e dar lugar a elas. De modo cifrado, estamos à frente de um aspecto curioso do texto. O ser humano se dedica a dominar sua animalidade, que não é só externa, mas muito antes, interna. Por outro lado, o ser humano é incapaz de encontrar seu alimento sem que Deus o diga. E o ser humano será imagem de Deus quando puder organizar seu próprio mundo interno e externo através da palavra. Assim, o homem pode dominar sua força e poder para que não se torne violento.

Violência canalizada

Quando ouviu o jesuíta Paul Beauchamps explicar esse texto, recordou Wenin, ele dizia que no Gênesis havia uma espécie de caixa na qual existem coisas. Quando transportadas, normalmente marcamos a caixa para que esta não seja virada. Tudo é frágil porque depende da posição que o ser humano vai assumir em relação ao seu poder no Universo. A criação é um risco que Deus corre apostado no fato de que a humanidade possa se cumprir à sua imagem.

Relembremos o dilúvio. Esse evento acontece porque a violência se apossou do homem e estava destruindo a Terra. Deus “apaga” sua obra e recomeça do zero com Noé. O ser humano mostrou que, ao invés de dominar sua violência e poder, caiu no excesso. Deus constatou que o ser humano que tinha recebido um programa para controlar seu próprio domínio não conseguiu fazê-lo. O que deve ser feito dessa violência humana para tratá-la? Então, após o dilúvio, Deus dá a oportunidade para o homem canalizar a violência ingerindo os animais. Há limites, evidentemente, como a exortação de não comer o sangue dos animais. Trata-se de uma proibição ritual, acrescenta Wenin. Um ritual sempre tem um sentido metafórico, um segundo sentido. O sangue é a vida, e por isso não pode ser ingerido. O ser humano não pode absorver a vida do outro. Beber o sangue seria destruir o outro sem possibilidade alguma de redenção. Fazer isso significa o ódio. Não se pode, entretanto, proibir alguém de odiar, mas sim de agir de acordo com seu ódio para a destruição do outro. O preceito ritual visa, na verdade, a proibição do ódio. Essa violência não deve estar a serviço do ódio, da destruição total do outro e da vida. A primeira coisa que Deus faz é colocar o ser humano em guarda contra o motor da violência, que é o ódio. Em segundo lugar, Deus vai pedir contas de suas vidas. Se matar os animais não só para comê-los e se matar outros seres humanos, Deus vai colocar-se do lado da vítima e pedir contas dos atos do agressor. Ele se coloca como protetor da vida humana contra a violência. Quando lhe tomarem a vida, exigirei conta de qualquer vivente, disse Deus. Aquele que comete a violência corre o risco de ele próprio sofrer dela.

Nesse sentido, continua Wenin, a lei de talião não é uma lei de vingança, mas antes tenta estabelecer proporcionalidade para limitar a violência. Ela tem por objetivo que a violência não prolifere, e evitar a sua escalada.

Deus busca criar um espaço para a violência. Por isso aceita esta como ela é, mas cria um espaço, limitando-a. Se assim não o fosse, a violência se espalharia pelo mundo como era antes do dilúvio. Aquele que exerce a violência será vitima dela. O homem não foi feito para ser violento, embora esse aspecto de sua existência não possa ser excluído.

Quem é André Wenin

André Wenin nasceu em 1953, em Beaurang, e é teólogo belga. Ensina a exegese do Antigo Testamento e as línguas bíblicas (grego e hebraico bíblicos) na faculdade de teologia da Universidade Católica de Louvain, da qual foi decano de 2008 a 2012. Também professor convidado de teologia bíblica do Pentateuco na Universidade Gregoriana de Roma e secretário da Rede de Pesquisa em Análise Narrativa dos Textos Bíblicos (RRENAB).

Diplomado em filologia clássica pelas Faculdades Universitárias Notre-Dame de la Paix, em Namur (FUNDP), em 1973, obteve o título de Bacharel em teologia pela Universidade Católica de Louvain (UCL), em 1978, e de Doutor em ciências bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em 1988. Sua tese de doutorado intitulou-se Samuel e a instauração da monarquia (1 S 1-12), foi defendida em junho de 1987 com Summa cum Laude e publicada em 1988. Coordenou o Seminário “Tradições bíblicas” (Paul Beauchamps) no Centro Sèvres (Paris 1983-1986).

Privilegiando a análise narrativa e retórica do Antigo Testamento, suas pesquisas se dedicam principalmente à Bíblia Hebraica, em particular, ao Gênesis e aos livros dos Juízes e de Samuel. Interessa-se também pela antropologia e pela teologia dos textos bíblicos. É orientador de pesquisas nestas áreas.

É autor de extensão produção bibliográfica, da qual destacamos, em português, De Adão a Abrão. Ou as errâncias do humano (Loyola); José ou a invenção da fraternidade e O homem bíblico (Loyola).

Reportagem: Márcia Junges

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