''Bergoglio soube ouvir a Argentina''. Entrevista com Adolfo Pérez Esquivel

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17 Março 2013

Adolfo Pérez Esquivel não é um homem de fazer concessões. Pela sua história pessoal – filho de família muito pobre, ativista pelos direitos humanos, preso nos anos da ditadura argentina – e pela sua reputação: prêmio Nobel da Paz, sabe bem que no cenário mundial as suas palavras pesam muito. Principalmente hoje que ele é chamado a comentar a ascensão ao sólio de Pedro do primeiro sul-americano.

A reportagem é de Francesca Caferri, publicada no jornal La Repubblica, 15-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Porém, às vésperas de uma viagem à Itália para participar de uma iniciativa da associação Libera, ele diz algo claramente: "Eu sei bem que o novo papa é acusado de não ter feito o suficiente durante os anos da ditadura e de ter se envolvido no desaparecimento de dois sacerdotes: mas eu sei que ele lutou diante dos militares para defender as pessoas, sei que ele ajudou muitas outras a fugir. Nem todas as suas palavras foram ouvidas. Os militares, no fim, faziam o que queriam. Mas ele não pode ser acusado de ter sido cúmplice".

Eis a entrevista.

Polêmicas estéreis, portanto, aquelas que acompanharam a eleição do Papa Francisco?


Eu só posso dizer que muitos bispos tentaram fazer coisas durante a ditadura e não foram ouvidos: posso contar sobre aquele que interveio em meu favor, por meses, tentando me libertar. Ele não conseguiu. Bergoglio tentou ajudar as vítimas da ditadura: nenhum de nós sabe exatamente como e quanto, mas ele o fez, e não é pouco. Eu acredito e espero que seja o homem certo para guiar a Igreja.

Que homem é o novo papa?

Uma pessoa serena, reflexiva, aberta ao diálogo e ao debate. Toda as vezes em que nos vimos, eu o encontrei pronto para ouvir as opiniões alheias, preocupado em sempre manter um diálogo aberto com a pessoa que estava na sua frente. É um homem que se preocupa com os pobres, com os fenômenos sociais que podem fazer com que as pessoas caiam na pobreza, como aconteceu aqui na Argentina. E é um bom diplomata: teve muitas dificuldades com Néstor e Cristina Kirchner, mas manejou a questão com tato e sempre se saiu bem.

Alguns dizem que ele é muito conservador nas questões sociais.

Tivemos bispos visionários, progressivas, que nos fizeram imaginar uma Igreja diferente. Que nunca se materializou. Seja bem-vinda, portanto, uma pessoa concreta que acredita no que diz.

Que mensagem ele levará da América Latina para Roma?

A necessidade de revitalizar a mensagem do Concílio Vaticano II é muito sentida aqui entre nós: abrir as portas e as janelas da Igreja para fazer sair a poeira, como dizia João XXIII. Esperemos que o Papa Francisco consiga recuperar a mística do Evangelho. Ele vai precisar de ajuda.

Os ambientes da Cúria poderiam não ser favoráveis a ele?

O que ele fará, irá depender também da acolhida que ele encontrar em Roma e daqueles que o irão cercar. Bento XVI deixou muitas questões em aberto. E depois há o descontentamento com relação à Igreja, que cresce em todo o mundo. Ser eleito papa também significa abraçar a cruz, e Bergoglio sabe bem disso.

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