Os ''segredos'' pessoais revelados pelo Facebook

Revista ihu on-line

Gauchismo - A tradição inventada e as disputas pela memória

Edição: 493

Leia mais

Financeirização, Crise Sistêmica e Políticas Públicas

Edição: 492

Leia mais

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

Mais Lidos

  • O Papa Francisco fracassou?

    LER MAIS
  • Para uma espiritualidade política

    LER MAIS
  • “Francisco é o primeiro Papa que fala das causas da injustiça no mundo”. Entrevista com Frei B

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

12 Março 2013

Um amplo estudo acadêmico acaba de revelar a crescente quantidade de informações pessoais que podem ser recolhidas por programas de computador que monitoram a maneira como as pessoas usam o Facebook.

A reportagem é de Bede McCarthy e Robert Cookson, publicada pelo Financial Times e reproduzida pelo jornal Valor, 13-03-2013.

Esses programas podem discernir informações privadas confidenciais, como as preferências sexuais dos usuários do Facebook, o uso de drogas e até mesmo se eles têm pais que se separaram quando eles eram jovens, mostra o estudo da Universidade de Cambridge.

Trata-se de um dos maiores estudos do tipo já feitos e nele a equipe de psicometria da universidade e um centro de pesquisas bancado pela Microsoft analisaram dados de 58 mil usuários do Facebook para prever características pessoais e outras informações que não foram fornecidas em seus perfis.

Os algoritmos foram 88% precisos na previsão da orientação sexual, 95% na previsão de raça e 80% no quesito inclinação religiosa e política. Tipos de personalidade e estabilidade emocional também foram previstos com exatidão que vai de 62% a 75%. O Facebook não quis comentar o assunto.

O estudo realça as preocupações crescentes com as redes sociais e como os registros de dados podem ser explorados em busca de informações sensíveis, mesmo quando as pessoas tentam manter em segredo informações sobre elas mesmas. Menos de 5% dos usuários prognosticados como gays, por exemplo, estavam ligados a grupos declaradamente gays.

Michael Kosinski, um dos autores do estudo, disse ao "FT" que as técnicas da universidade poderiam ser facilmente copiadas por empresas para deduzir atributos pessoais que uma pessoa não gostaria de revelar, como sua orientação sexual ou visão política: "Usamos métodos muito simples e genéricos. Empresas de marketing e da internet poderiam gastar muito mais tempo e recursos, conseguindo assim uma precisão muito maior que a obtida por nós".

Na semana passada, a União Europeia concordou em atenuar propostas de uma reorganização radical da regulamentação da privacidade de dados. A medida reflete a relutância do governo em obstruir companhias da internet com decisões que possam prejudicar o crescimento econômico, e segue-se a um forte lobby de companhias como o Facebook e o Google.

Os dados pessoais se tornaram um grande negócio. A Wonga, instituição financeira britânica que opera na internet, faz avaliações de crédito em segundos, com base em milhares de informações que incluem perfil no Facebook. A rede de supermercados Tesco começou neste mês a usar os históricos de compras dos clientes para vender propaganda online direcionada.

Kosinski disse que o estudo não foi elaborado para desencorajar o compartilhamento online: "Eu não desencorajaria as pessoas a evitar a tecnologia - até certo ponto, o leite já está derramado, e de qualquer maneira há muita informação sobre você circulando na internet. Eu sugeriria uma melhoria das configurações de privacidade".