''Não estamos prontos para entrar no conclave'', afirmam cardeais dos EUA

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07 Março 2013

O arcebispo de Chicago, Francis George, balança a cabeça e sorri: "Não é um problema de regras: mesmo que todos os cardeais eleitores já estivessem em Roma, eu não iria entrar em conclave agora. Por uma razão muito simples: nós ainda não estamos prontos".

A reportagem é de Paolo Mastrolilli, publicada no jornal La Stampa, 06-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O sol está caindo sobre o Gianicolo, que hospeda o Colégio Norte-Americano, onde se aloja a poderosa delegação dos Estados Unidos. O cardeal de Nova York, Dolan, volta do Vaticano e saúda com uma piada o colega de Chicago, seu antecessor à frente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.

Não muito longe, o arcebispo de Boston, O'Malley, envolto no seu "uniforme" de frei capuchinho, se prepara para dar um passeio pela cidade: "Ainda há muitas questões para discutir – diz o purpurado que lidera a lista de papáveis dos EUA – e muitas pessoas para conhecer. É cedo para entrar em conclave: é verdade que, para a Páscoa, gostaria de estar nas nossas dioceses, mas estamos fazendo uma escolha histórica e devemos tomar todo o tempo necessário". Também para entender o que aconteceu nos bastidores nos últimos tempos: "Eu não digo que o Vatileaks será determinante, mas espero conhecer todos os aspectos pertinentes ao trabalho que fazemos".

Os vaticanistas mais experientes contavam esta cena de bastidores: a Cúria, e os seus membros italianos em particular, querem apressar a votação porque isso favoreceria um candidato seu. Assim se explica também a interpretação das regras segundo a qual se pode votar a data de início do conclave mesmo que nem todos os eleitores estejam em Roma. Os cardeais estrangeiros, no entanto, querem mais tempo para entender, conhecer as implicações da investigação sobre o Vatileaks e talvez construir um consenso sobre um deles: um pastor, uma surpresa.

Agora, o pano de fundo se torna explícito, nas palavras de O'Malley: "É verdade, existem duas escolas de pensamento. A primeira defende que, como os problemas atuais da Igreja nascem da Cúria, devemos apontar para um líder externo; a segunda, ao invés, responde que é preciso procurá-lo dentro da Cúria, justamente porque a primeira tarefa do novo papa será reformá-la".

O frei de Boston está no topo dos desejos da primeira escola de pensamento, até porque ele foi muito eficaz na reforma da arquidiocese no centro do escândalo da pedofilia nos Estados Unidos. Ele, porém, debocha: "Há 40 anos eu visto este uniforme de capuchinho e penso em continuar fazendo isso até o fim". Ele sugere que se olhe por perto, no entanto: "A América Latina tem uma Igreja muito vital. Ela terá um grande peso".

Até alguns anos atrás, quando se imaginava a hipótese improvável de um papa norte-americano, o primeiro nome que vinha à mente era o de Francis George: um intelectual muito preparado, mas também um homem afável. Um líder, que tem o hábito de falar claro: "Sem violar o segredo das discussões ao qual estamos todos vinculados – explica o cardeal da cidade do presidente Obama –, eu posso dizer a vocês que a lista dos papáveis está aumentando, em vez de diminuir. Os nomes que vocês viram nos jornais têm sentido, mas estamos falando também de candidatos sobre os quais até agora ninguém havia discutido".

O arcebispo de Chicago também é franco ao descrever o andamento dos trabalhos: "Tudo prossegue segundo os planos, no sentido de que não há um plano: as discussões são muito livres. Porém, as congregações têm regras precisas, e, portanto, os verdadeiros contatos ocorrem à margem. Um colega se aproxima e lhe pergunta o que você pensa sobre um potencial candidato: ele pretende dizer que você o apoie, juntamente com o grupo que ele lidera. Então, você reflete sobre aquele nome, sabendo que por trás tem um certo consenso. Mas esse consenso só se tornará mensurável quando começaremos a votar".

Sem pressa, no entanto. É melhor ter uma longa discussão antes e um conclave breve depois, do que o contrário: "A minha percepção nunca foi a de que começaríamos no dia 10 ou 11 de março".

Até porque George, até agora, não ficou sabendo tudo o que gostaria sobre o Vatileaks: Pedimos as informações necessárias para uma boa escolha. O que deu errado, criando essa quebra da confiança no governo da Santa Sé? É uma preocupação sobre a qual ainda não recebemos um relatório formal".