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04 Março 2013

"Para qualquer sionista liberal – como eu – convencido da necessidade da solução de dois estados prevista pela resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1947, que estabeleceu o moderno estado de Israel, tanto o impulso religioso-nacionalista israelense para manter toda a terra quanto a recusa dos palestinos em abandonar o insustentável e inaceitável "direito de retorno" (não existe esse direito na história; basta perguntar aos judeus) são motivo para um desânimo profundo", escreve Roger Cohen, colunista do jornal The New York Times e reproduzido pelo portal Uol, 02-03-2013.

Eis o artigo.

Um dos ministros da equipe que está deixando o governo de Israel após as últimas eleições me disse, sem rodeios, durante uma recente visita que fiz ao país: "Pela primeira vez, os palestinos não influenciaram as eleições".

A maioria dos israelenses se sente confortável o suficiente para ignorar seus vizinhos. É como se eles estivessem no Titanic e preferissem não pensar no assunto.

É um fato aceito e conhecido por todos na Casa Branca, e para além dela também, que a atual situação é insustentável – a ocupação da Cisjordânia por Israel, que já dura 46 anos, as fronteiras indefinidas, o conflito latente, a opressão. Mas pensar que essa situação poderá ser resolvida pode não ser nada além de uma ilusão.

Israel sente que sua situação é sustentável. O milagre econômico que faz com que regiões do país se pareçam com o sul da Califórnia poderá continuar: o isolamento diplomático de Israel não equivale a isolamento comercial. A ocupação militar vai crescer com o apoio dos Estados Unidos. Uma forte corrente nacionalista israelense – nós ganhamos todos os territórios no campo de batalha e, por isso, ele é nosso! – vai prevalecer sobre a fadiga gerada pelas negociações de paz entre os israelenses liberais e um fragmentado movimento palestino.

Atravessar o muro-cerca que circunda Israel e entrar na Cisjordânia nos faz sentir como se estivéssemos viajando no tempo, retornando 30 anos rumo ao passado. Em breve, considerando-se o avanço da atual situação, vai parecer que estamos voltando 40 anos no tempo, para 1973. Nessa época, talvez o meio milhão de israelenses que viviam atrás da Linha Verde (designação dada às fronteiras entre Israel e os países vizinhos, definidas no armistício de 1949, ao final da guerra árabe-israelense de 1948) dificilmente saberiam do que se tratavam a solução de dois Estados baseada nas fronteiras de 1967 – com exceção das trocas de terras acordadas entre as partes –, pois esse tema era uma ficção diplomática e intelectual.

 

Sim, Israel, país que se estende por todas as terras de Eretz Israel (um termo bíblico usado para fazer referência à área localizada entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão e que abrange toda a Cisjordânia), é sustentável. O status quo não é estático. Em suma, apesar dos padrões demográficos, que favorecem os palestinos, o poder pende para o lado de Israel. A vitalidade supera a demografia.

"Muitos anos vão se passar sem que haja nenhuma definição", disse-me Tom Segev, ilustre historiador israelense. "Vamos continuar oprimindo; Eles vão continuar tentando lutar. Atualmente, a maioria dos israelenses sente que sua segurança está garantida sem ter que abrir mão de nada. Esse é o problema. A opressão dos palestinos é terrível. Mas a situação está calma. Por isso, os israelenses não percebem essa opressão cotidiana. Ninguém acredita mais em paz".

Do lado palestino também ficou mais difícil de encontrar quem acredite em um acordo de paz baseado em dois estados. A expansão dos assentamentos com a aquiescência dos EUA levou à convicção de que não haverá um estado palestino viável na Cisjordânia e em Gaza.

"Israel não está interessado em permitir a criação de um estado palestino e os EUA, que estão subsidiando esse esforço, não podem e não querem mudar essa situação por causa de sua política interna", afirmou via e-mail Yousef Munayyer, diretor-executivo do Centro Palestino, sediado em Washington. Ele disse que os palestinos perderam a fé na mediação norte-americana do conflito. Os palestinos provavelmente vão "mudar sua estratégia, distanciando-se da luta separatista baseada na criação de um estado e caminhando em direção a uma luta baseada em direitos (que já está acontecendo)", pois a "colonização israelense destruiu a integridade territorial de um possível estado" palestino.

Em outras palavras: os palestinos vão buscar seus direitos – incluindo o direito de retornar a sua terra – dentro de um estado único, em vez de buscar o estabelecimento de seu próprio estado nacional. O único problema é que, como me disse recentemente o romancista israelense Amos Oz, "o direito (dos palestinos) de retornar a sua terra é um eufemismo para a liquidação de Israel. Mesmo para uma pomba da paz como eu isso está fora de cogitação".

Como Omar Barghouti, líder do movimento Boicote, Alienação de Investimentos e Sanções contra Israel disse recentemente a estudantes de Yale: "se os refugiados retornassem a Israel, você não teria uma solução de dois estados, você teria uma Palestina ao lado da Palestina".

A solução de um único estado equivale ao fim de Israel como um estado nacional judeu. Isso não vai acontecer – e não se deve permitir que aconteça. A busca palestina por esse objetivo é igual a aceitação de um conflito eterno. Os judeus, depois da experiência do século 20, não vão desistir da pátria que eles lutaram tão duro para construir.

Para qualquer sionista liberal – como eu – convencido da necessidade da solução de dois estados prevista pela resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1947, que estabeleceu o moderno estado de Israel, tanto o impulso religioso-nacionalista israelense para manter toda a terra quanto a recusa dos palestinos em abandonar o insustentável e inaceitável "direito de retorno" (não existe esse direito na história; basta perguntar aos judeus) são motivo para um desânimo profundo.

Eu disse a situação de Israel é sustentável. E ela é, em termos físicos. Mas não é em termos éticos. Israel é um estado cuja Declaração de Independência, de 1948, diz que ele seria "fundado com base nos princípios da liberdade, da justiça e da paz de acordo com o espírito das visões dos profetas de Israel; que implementará a igualdade total de direitos sociais e nacionais para todos os seus cidadãos sem distinção de raça, religião e sexo; prometerá a liberdade de culto, opinião, língua, educação e cultura". A ocupação da Cisjordânia, onde vivem mais de 2,6 milhões de palestinos humilhados, contraria cada palavra dessa declaração.

Em breve, o presidente Barack Obama visitará Israel e a Cisjordânia. Ele não tem nenhum motivo para ter esperanças. A paz está além de uma solução funcional, mas capenga. A falta de limites para a força de Israel e para a vitimização palestina estreitaram o caminho para que se chegasse aos conhecidos compromissos necessários para acabar com o conflito.

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