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Aumento de 1,5º C na temperatura é suficiente para iniciar o derretimento do permafrost

Um aumento da temperatura global de 1,5º C seria suficiente para iniciar o derretimento do permafrost na Sibéria, alertaram os cientistas na última quinta-feira.

A reportagem é de Fiona Harvey, publicada no sítio do jornal The Guardian, 21-02-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Qualquer degelo generalizado no solo permanentemente congelado da Sibéria poderia ter severas consequências para as mudanças climáticas. O permafrost cobre cerca de 24% da superfície terrestre do hemisfério Norte, e um derretimento generalizado poderia, no fim, provocar a liberação de centenas de gigatoneladas de dióxido de carbono e metano, o que teria um maciço efeito de aquecimento.

No entanto, qualquer degelo desse tipo provavelmente levaria muitas décadas, razão pela qual a liberação inicial de gases do efeito estufa provavelmente seria em uma escala muito menor.

Os pesquisadores, liderados por especialistas da Universidade de Oxford, estudaram estalactites e estalagmites em cavernas da Sibéria que se formaram ao longo de centenas de milhares de anos. As estalactites e estalagmites se formaram durante períodos de degelo gradual, quando a água derretida escorria para dentro as cavernas, mas pararam de crescer quando as temperaturas caíram novamente, e o permafrost congelou novamente. Os cientistas podem medir o crescimento e a suspensão do crescimento das estalactites e estalagmites cortando as estruturas em vários pontos correspondentes a dados períodos de tempo da história da Terra.

Eles descobriram que as estalactites em uma distante caverna do norte, na fronteira de um permafrost contínuo, cresceram durante um período de 400 mil anos atrás, quando as temperaturas eram 1,5º C mais altas do que em tempos pré-industriais. Isso indica que o permafrost estava derretendo à época e que, portanto, poderia descongelar novamente se as temperaturas subirem a níveis semelhantes.

"Seria possível ver o permafrost contínuo começar a derreter ao longo das fronteiras nesse limiar de 1,5º C [no futuro]", disse Anton Vaks, do departamento de ciências da Terra da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa. As temperaturas na região eram de 0,5-1º C mais altas do que nos tempos modernos durante um período de cerca de 120 mil anos atrás, e naquele tempo as estalactites nas cavernas mais ao sul, perto do Lago Baikal, mostravam sinais de crescimento e, portanto, de degelo.

Mas, nesse mesmo período, as estalactites da caverna mais ao norte – chamada de caverna Ledyanaya Lenskaya, perto da cidade de Lensk, na latitude 60N – não cresceram, mostrando que o permafrost permaneceu intacto a essas temperaturas. "Isso indica que 1,5º C parece ser algo como um ponto de inflexão", disse Vaks.

Atualmente, as temperaturas médias globais estão cerca de 0.6C-0.7º C acima dos níveis pré-industriais. Isso significa, de acordo com Vaks, que os modeladores climáticos deveriam incluir a possibilidade de o permafrost começar a derreter nos seus modelos.

A equipe de cientistas, da Mongólia, da Rússia, da Suíça e do Reino Unido, usou técnicas de datação radiométrica das formações cavernosas. Eles relatam os resultados em um artigo na revista Science Express, publicado na quinta-feira.

Vaks disse que as descobertas podem ter implicações graves para a região, já que o derretimento do permafrost poderia afetar a exploração de gás natural e os dutos, assim como outras infraestruturas. Ele também poderia ter efeitos de maior alcance.

"Embora não tenha sido o foco principal da nossa pesquisa, o nosso trabalho também sugere que, em um mundo 1,5º C mais quente – quente o suficiente para derreter o permafrost mais frio –, as regiões adjacentes veriam mudanças significativas. O Deserto de Gobi, na Mongólia, poderia se tornar muito mais úmido do que hoje, e essa área extremamente árida poderia chegar a se assemelhar aos atuais estepes asiáticos".

Ele disse que são necessárias mais pesquisas para estabelecer a velocidade e a escala de degelo prováveis enquanto as temperaturas aumentam.

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