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04 Fevereiro 2013

Os católicos e católicas devem agradecer às mulheres teólogas pelos seus 70 anos de dedicação à construção da Igreja.

A reportagem é de Heather Grennan Gary, publicada na revista U.S. Catholic, de janeiro de 2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Kathy Barkdull começou sua carreira no ministério paroquial da mesma forma que muitos outros: o diretor de educação religiosa da sua paróquia cutucou em seu ombro e perguntou se ela poderia dar uma aula. Com um espírito voluntário e não muito mais, ela concordou. Vinte e cinco anos depois, Barkdull é agente de pastoral da comunidade católica Espírito Santo, de Pocatello, Idaho, e supervisiona os programas de evangelização e de discipulado, o Ritual de Iniciação Cristã para Adultos (RICA), e de outros ministérios na paróquia de 1.200 famílias.

Ao longo dos anos, Barkdull recebeu treinamento por meio do programa de certificação diocesano, oficinas e seminários, e finalmente se graduou no programa de Extensão em Ministério da Loyola University, em Nova Orleans. Mas Barkdull começou a entender o seu trabalho sob uma nova luz depois de participar de uma conferência da Associação Nacional de Ministros Leigos dos Estados Unidos (NALM, na sigla em inglês) em 2004 e ouviu Zeni Fox, professora de teologia pastoral da Seton Hall University, falar sobre a teologia do ministério leigo. Uma luz se acendeu.

"Encontrar formas de chamar os ministros leigos a se pronunciar, de apoiar uns aos outros, de se sentirem conectados se tornou realmente a minha paixão", diz Barkdull, que saiu da conferência com a idéia de começar um conselho para o ministério leigo na Diocese de Boise, um território de 135 mil quilômetros quadrados que abriga apenas 40 padres. No seu primeiro encontro, em 2004, mais de 300 pessoas vieram para ouvir Fox dar a palestra principal. "Esse foco realmente me energizou e me encorajou", diz Barkdull.

De uma forma muito real, o trabalho de Barkdull como ministra paroquial profissional e defensora do ministério leigo foi moldado não apenas por Fox, mas também por uma série de mulheres católicas que têm estudado, ensinado e contribuído com a teologia. O fato de as mulheres só terem sido admitidas nos programas de graduação em teologia em instituições católicas nos últimos 70 anos significa que a adição das mulheres aos cargos de estudiosas da Igreja é uma mudança relativamente recente.

Nas décadas seguintes, no entanto, as teólogas católicas ajudaram a formar a compreensão das lideranças eclesiais tanto leigas quanto ordenadas sobre liturgia, escritura, ética, ministério pastoral, espiritualidade, formação na fé, teologia e a própria Igreja. Isso significa que os católicos comuns, também, foram influenciados pelas teólogas – quer saibam disso ou não.

Irmãs fundadoras

Segundo o documento dos bispos dos EUA de 2005 intitulado Co-operários na vinha do Senhor: Diretrizes para o desenvolvimento do ministério eclesial leigo, havia cerca de 31 mil ministros leigos eclesiais atuando profissionalmente em paróquias católicas há oito anos, aproximadamente 80% dos quais eram mulheres. Só o fato de abrir a graduação teológica católica a leigos é um fator-chave no aumento substancial de ministros eclesiais leigos profissionais.

Muitas dessas oportunidades educacionais surgiram por causa do Sister Formation Movement, diz Kathleen Sprows Cummings, professora de estudos norte-americanos e diretora do Centro Cushwa para o Estudo do Catolicismo Norte-Americano da Universidade de Notre Dame.

Uma iniciativa que começou em 1953 para promover estudos avançados em teologia e espiritualidade para irmãs religiosas (que muitas vezes eram acusadas de ensinar essas disciplinas em escolas católicas), o movimento também abriu as portas para todo o laicato. Na época em que o Concílio Vaticano II publicou a sua constituição pastoral Gaudium et spes, em 1965, "era quase como se o Vaticano II havia lhes dado a linguagem para justificar essa medida e a convicção de que as mulheres deviam começar a estudar teologia", diz Cummings.

"Eu acho que muitas pessoas – mulheres, em particular – que estão envolvidas na educação religiosa e no planejamento litúrgico utilizam os recursos que as teólogas criaram", diz a Ir. Mary Ann Hinsdale, das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, professora de teologia do Boston College.

Uma das pessoas que ajudou a desenvolver os recursos litúrgicos é a Ir. Kathleen Hughes, irmã do Sagrado Coração de Jesus, teóloga litúrgica que atuou por quase 20 anos no conselho consultivo da Comissão Internacional para o Inglês na Liturgia (ICEL, na sigla em inglês) e presidiu a subcomissão que elaborou os textos originais para o culto entre os falantes de inglês. (Hughes, a primeira mulher a concluir um doutorado em estudos litúrgicos pela Universidade de Notre Dame, deixou sua posição na ICEL antes que a tradução mais recente do Missal Romano fosse aprovada.) "É sempre incrível ouvir orações que eu ou que alguém da minha comissão compôs sendo rezadas na liturgia", disse ela.

Em 2012, a Madeleva Lecture, um evento anual no Saint Mary's College, em South Bend, Indiana, que sempre conta com a presença de uma proeminente teóloga, Hughes falou sobre a compreensão da Igreja sobre os sacramentos à luz do Concílio Vaticano II. Em certo ponto, ela fez referência aos textos originais na Ordem dos Funerais Cristãos que ela ajudou a desenvolver – quase 50 orações que são específicas para diferentes situações, tais como a morte de um bebê ou uma morte devido à violência, um acidente, ou por idade.

Svea Fraser, da Paróquia São João Evangelista, de Wellesley, Massachusetts, diz que é precisamente a beleza dos rituais católicos – especificamente a Eucaristia e o rito do funeral – que a mantém enraizada em sua fé católica. "A antropologia católica é muito esperançosa, você é amada incondicionalmente", diz. Fraser dirige o programa RICA da sua paróquia e aproveita a oportunidade para incluir o trabalho de teólogas mulheres no processo de explicar a doutrina e da tradição da Igreja para os participantes. O grupo discute os aspectos femininos de Deus e o valor da linguagem inclusiva – uma ferramenta que eles podem usar em sua própria vida de oração, mesmo que não seja usada na missa.

E quando se trata da doutrina da Igreja sobre temas como a contracepção e a homossexualidade – ensinamentos que alguns catecúmenos discutem –, Fraser consegue trazer uma amplitude de compreensão que ela adquiriu em seus próprios estudos no Seminário Nacional Papa João XXIII, em Weston, Massachusetts, em vez de simplesmente dizer-lhes que leiam e sigam o catecismo. O trabalho de Fraser ilustra como o fato de incluir mulheres na comunidade de estudiosos da Igreja tem contribuído para uma Igreja mais bem instruída.

"As mulheres podem não ter uma voz na Cúria, mas, pensando nas mulheres que eu li – Elisabeth Schüssler Fiorenza, Rosemary Radford Ruether, Pheme Perkins, Elizabeth Johnson, Joyce Rupp, Joan Chittister, Macrina Wiederkehr... –, nós, mulheres, certamente temos uma voz no fórum público".

Essas vozes a ajudaram a reconhecer por que ela permanece ardentemente católica, mesmo que a fé de muitos católicos tenha sido abalada por uma onda de frustrações de alto perfil: a avaliação doutrinal da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) pela Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, a saga dos abusos sexuais do clero, a nova tradução do missal e outras situações.

"Eu tenho amigos que estão se segurando na Igreja pelas unhas", diz. "É fácil demais se sentir empurrado para baixo por causa de tudo isso. Mas há muitas partes maravilhosas da Igreja, e essas coisas podem nos alimentar e nos ajudar a ser uma pessoa melhor. Elas podem nos dar um pouco de esperança e de fé, e podem nos ajudar com as complexidades e as complicações da vida".

Nas notícias

Certamente, as manchetes mais recentes sobre as mulheres teólogas católicas em particular têm se focado na polêmica. Em junho passado, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma notificação de que o livro de 2006 da Ir. Margaret Farley, das Irmãs da Misericórdia, intitulado Just Love: A Framework for Christian Sexual Ethics (Ed. Continuum) não era "consistente com a teologia católica autêntica" e "não pode ser usado como expressão válida da doutrina católica, seja no aconselhamento ou formação, seja no diálogo ecumênico ou inter-religioso".

Vários meses antes, a Comissão de Doutrina dos bispos dos EUA censurou o livro de 2007 da Ir. Elizabeth Johnson, das Irmãs de São José, intitulado Quest for the Living God: Mapping Frontiers in the Theology of God (Ed. Continuum). Eles alegaram que a obra era "seriamente inadequada como apresentação da compreensão católica de Deus".

Esses pronunciamentos conseguiram simultaneamente unir os defensores das autoras – a venda de ambos os livros disparou na Amazon.com depois que as declarações foram emitidas –, assim como os seus críticos, que comentaram a teologia suspeita ou a franca deslealdade dos livros. "Ocorreu uma maior divisão entre bispos e teólogos na última década ou mais", diz Hinsdale, que foi presidente da Sociedade Teológica Católica dos Estados Unidos (CTSA, na sigla em inglês), quando o pronunciamento foi feito contra Johnson. A CTSA emitiu declarações de apoio às duas teólogas após a turbulência.

Em setembro passado, o cardeal Donald Wuerl, de Washington, escreveu uma carta aos seminaristas diocesanos alertando-os contra reflexões teológicas que não estão em total alinhamento com os ensinamentos da Igreja. "Há escritores teológicos que apresentam ensinamentos contraditórios aos do magistério da Igreja, mas que justificam os seus escritos com base de que são o papa e os bispos que não entendem a natureza da teologia. (…) Se vocês tiverem alguma dúvida de que um ou outro ensinamento que vocês leram ou receberam não condizem com a fé católica, vocês podem se voltar para o o Catecismo da Igreja Católica. (…) A Igreja, de fato, define que os mestres autorizados da fé não nos levarão ao erro e para longe de Cristo. Mais ninguém pode fazer legitimamente essa reivindicação".

O papel de um teólogo

A descrição tradicional da teologia – a famosa e milenar definição de Santo Anselmo, "a fé buscando entender", ainda se mantém, mas há escuridão hoje em dia em torno de que papel um teólogo deve ou deveria ter. Isso está ligado, em parte, ao recente movimento dos bispos de exercerem mais vigorosamente o seu magistério.

Tomemos o caso de Farley e do seu livro Just Love. No livro, Farley explora "o significado do amor e do desejo em um esforço para demonstrar a relação entre amor, sexo e justiça", e apresenta sete normas para as relações sexuais (não causar dano injusto, livre consentimento, mutualidade, igualdade, compromisso, fecundidade e justiça social).

A notificação da Congregação para a Doutrina da Fé de junho passado apontou para os "erros e ambiguidades [do livro, incluindo] os seus posicionamentos sobre masturbação, atos homossexuais, uniões homossexuais, a indissolubilidade do casamento e o problema do divórcio e do recasamento". Farley respondeu em um comunicado que o livro "não se destinava a ser uma expressão do atual ensino oficial católico, nem estava dirigido especificamente contra esse ensino".

"O que Farley faz é responder como teóloga à cultura do sexo casual, à violência contra as mulheres e à banalização do sexo. Essas são realidades do mundo em que vivemos", diz Hinsdale. "A Legião da Decência do ano passado – essa abordagem simplesmente não funciona hoje. Onde exatamente os teólogos deveriam fazer o tipo de trabalho que fazem?", questiona.

Uma parte de como os teólogos "fazem" teologia é através da escuta de todos os aspectos da Igreja. Farley, por exemplo, baseou-se em sua colaboração com teólogos africanos para responder à crise da Aids e em sua conexão com os universitários aos quais ela lecionava na Universidade de Yale. Esse aspecto criativo da teologia, diz Hinsdale, é uma forma pela qual as mulheres influenciaram a teologia – trazendo uma experiência e uma perspectiva que anteriormente faltavam na reflexão teológica.

Hinsdale diz que a teologia precisa ser uma colaboração mútua entre teólogos e bispos. "Em última análise, eu acho que estamos no mesmo lado que os bispos", diz Hinsdale. "Mas eu acho que alguns bispos não sabem como se relacionar conosco [com as teólogas]. Eles não veem as mulheres como iguais a eles e veem a si mesmos sozinhos, sustentando o papel magisterial na Igreja".

Apesar das situações de Farley e Johnson, a maioria do trabalho das mulheres teólogas não atraem manchetes. Mas ainda assim afetam os católicos em suas paróquias e nos programas de formação na fé e nas situações de cuidado pastoral.

"Será que realmente importa se um teólogo é homem ou mulher? Bem, sim e não", diz o padre franciscano Daniel P. Horan, um padre recém-ordenado e autor de Francis of Assisi and the Future of Faith (Tau Publishing).

"As vozes das mulheres foram excluídas dessa conversa por muito tempo. O desafio que todas as teólogas representam tanto para as lideranças da Igreja, quanto para os católicos médios é ouvir a sério as suas experiências e as suas vozes, e as experiências e as vozes de todo o povo. Mas você não pode amontoar todas as teólogas. Certamente, nem todas as teólogas são teólogas feministas".

Repensar o feminismo

Muitos católicos que ouvem a palavra "feminismo" talvez imaginem mulheres enfurecidas que se opõem à hierarquia e defendem o direito ao aborto. Isso é tão verdadeiro entre as principais lideranças, quanto entre as pessoas que se encontram nos bancos da igreja: a avaliação doutrinal do Vaticano sobre a LCWR do ano passado, por exemplo, observou "a predominância de certos temas feministas radicais incompatíveis com a fé católica em alguns dos programas e das apresentações [da LCWR]".

Mary Ellen McGuire, agente de pastoral da comunidade católica de St. Thomas More, em Chapel Hill, Carolina do Norte, se lembra do seu próprio baixo conceito sobre o feminismo durante a faculdade e de como isso influenciou a sua ideia de como a teologia feminista deveria ser. Na faculdade, ela se matriculou relutantemente em uma disciplina de teologia feminista. "Eu estava muito pessimista de cursá-la", diz.

Mas o que ela descobriu levou-a a reconsiderar o seu ponto de vista. Ela se lembra de ler o capítulo de abertura do livro de Elizabeth Johnson intitulado She Who Is: The Mystery of God in Feminist Theological Discourse (Crossroad Publishing). "Ele me ajudou a entender que a teologia feminista significa defender a dignidade da mulher como sendo feita à imagem e à semelhança de Deus. Ele me ajudou a abrir o meu coração para quem eu sou".

Outras leituras da disciplina levaram-na a ver realidades sociais e históricas que ajudaram a moldar a escritura e a tradição de uma forma que frequentemente deixa de fora as perspectivas e as vozes das mulheres.

Ela é cuidadosa na forma como apresenta essas ideias àqueles com quem trabalha. "As pessoas normalmente têm uma estrutura de fé bastante estabelecida, e é importante não ameaçá-la. Mas eu realmente me sinto chamada a chamar a atenção para certas coisas da nossa Igreja e do nosso mundo através da lente das mulheres", diz.

Como ministra de pastoral, ela contorna a palavra "feminismo", mesmo quando abraça os dons que a teologia feminista oferece a Igreja. McGuire sabe pessoalmente como o termo muitas vezes é mal compreendido. "Muitos católicos associam-no apenas ao fato de ser pro-choice [defensor do direito ao aborto], infelizmente", diz ela. "Essa não é uma compreensão acurada do que é a teologia feminista".

"As teólogas católicas, às vezes, são capazes de expressar coisas que eu me sinto incapaz de dizer", diz McGuire. "A sua coragem me inspira, e elas me ajudaram a articular as minhas intuições, a formar a minha vida de oração e a confiar nos meus instintos teológicos".

Quinze anos atrás, quando Jana Bennett era estudante do Princeton Theological Seminary, o seu professor comentou que os católicos estavam "muito à frente" dos protestantes no campo da teologia feminista.

"Talvez não seja tão gritante quanto o meu professor disse, mas é verdade que muitos dos grandes nomes da teologia feminista são católicos", diz Bennett, que cresceu como metodista e estava prestes a se ordenar quando se matriculou na disciplina. "Isso me fez pensar se havia alguma dinâmica no metodismo – ou no protestantismo em geral – pela qual a medida da igualdade de gênero era a ordenação, às custas de outros papéis na Igreja, como o de teóloga".

Bennett, que se tornou católica em 2003, é agora professora de teologia da Universidade de Dayton. Ela também é editora-assistente do blog Catholicmoraltheology.com e leciona no programa de estudos de gênero e das mulheres da universidade. Ela também indica o livro Freeing Theology: The Essentials of Theology in Feminist Perspective (Ed. HarperOne), uma coletânea de artigos de 1993 das principais teólogas, aos seus alunos. "Ele foi publicado há 20 anos, mas ainda dá o pano de fundo que eles precisam ter", afirma.

Levando o trabalho para a Igreja

"Quando eu penso no meu papel como teóloga, parte dele envolve catequizar os meus alunos na fé, e parte envolve empurrá-los para os seus limites. Eu tento fazer com que os meus alunos pensem sobre as grandes questões", diz Bennett, cujo livro mais recente é Aquinas on the Web? Doing Theology in an Internet Age (Ed. Continuum).

Bennett também é mãe de dois alunos da pré-escola e está envolvida com a Catequese do Bom Pastor (CBP), um programa baseado no programa de formação na fé de Montessori, na Igreja Imaculada Conceição, em Dayton. "Com a Catequese do Bom Pastor, estou introduzindo os meus filhos a admirar e a temer a Deus. É isso que eu estou fazendo com os meus alunos de faculdade também". A Catequese do Bom Pastor, indica Bennett, foi fundada por Sofia Cavalletti, uma biblista italiana que usou a sua experiência profissional para revolucionar a educação religiosa para crianças. O programa já está em 37 países e em mais de 1.000 igrejas dos Estados Unidos.

Bennett não é a única professora de teologia que leva o seu trabalho para a sua paróquia. Colleen Campion, diretora de liturgia da Paróquia St. Timothy, em Norwood, Massachusetts, aponta para a paroquiana Jane Regan, professora de teologia e de educação religiosa na Escola de Teologia e Ministério do Boston College, que ajudou a dirigir programas para os pais de crianças que se preparam para a primeira comunhão.

"Eu fiquei muito impressionada com a sua abordagem", diz Campion. "Ela falava de uma forma que realmente se conectava com as pessoas e tornava real a sua teologia. Ela também tem filhos e falou sobre o seu desenvolvimento na fé".

"O tema sobre o qual ela escreve – catequese comunitária total – e o que ela faz em sala de aula realmente honra o lugar em que uma pessoa está em sua própria vida de fé. Ela tem sido muito influente na forma como eu me aproximei do meu próprio ministério".

O futuro das mulheres católicas na teologia

Hinsdale, que leciona para estudantes de teologia há três décadas, diz que, nos últimos anos, os seus alunos tomam como algo normal o fato de terem mulheres como professoras de teologia. Mas esse certamente não era o caso quando ela estava fazendo os seus estudos de graduação na Universidade Católica dos Estados Unidos e no St. Michael's College da Universidade de Toronto.

E, embora Hinsdale continue vendo jovens leigas (mas poucas irmãs religiosas, ao contrário de quando ela era estudante) completar programas de graduação em teologia, a sua trajetória de carreira típica é diferente da sua. Muito poucas passam a ensinar em seminários diocesanos, que foi onde ela desembarcou depois de terminar o seu doutorado

"À época, os seminários eram um lugar maravilhoso para ensinar", diz Hinsdale, que lecionou no agora extinto Seminário Provincial São João, em Plymouth, Michigan. Ela aponta para a visitação apostólica aos seminários no início dos anos 1980 como um momento em que o ambiente universitário começou a mudar e em que os seminários diocesanos voltaram o seu foco para os estudantes que buscavam a ordenação. "No fim, a maioria das mulheres [professoras] acabaram deixando os seminários diocesanos".

Svea Fraser representa outra perspectiva dessa época – ela foi uma das duas únicas mulheres a concluir um mestrado em teologia no Seminário Nacional Papa João XXIII. "A minha maior tristeza é que não houve nenhuma estudante mulher desde que eu saí", diz Fraser, que se tornou mestre em 1989.

E, acompanhando o maior controle sobre os escritos teológicos por parte dos escritórios doutrinais tanto em nível nacional quanto vaticano, Hinsdale vê outro sério desdobramento. "Há um fator de resfriamento entre as estudantes de doutorado. Elas veem o que aconteceu [com Johnson e Farley], e elas estão acordando para a realidade de que elas querem fazer o seu trabalho em um contexto eclesial, mas não sabem se terão a permissão para isso".

Ela indica o site Womenintheology.org, um blog em que um grupo de mulheres estudantes de graduação em teologia de várias faculdades postam reflexões sobre questões sociais e o ensino da Igreja – mas a maioria das blogueiras não se identificam com os seus nomes completos.

Independentemente de quão frio o clima poderá ficar para as teólogas católicas no futuro, no entanto, há um reconhecimento de que o seu impacto até agora é significativo e permanente.

Cummings aponta para o que aconteceu uma noite, há sete anos, como um exemplo. Ela era uma das centenas de pessoas que assistiam a uma palestra com ingressos esgotados de Elizabeth Johnson, que estava falando o sobre então último livro, Truly Our Sister: A Theology of Mary in the Communion of Saints (Ed. Continuum). Depois, Cummings viu uma amiga, casada e mãe de cinco filhos adultos e uma católica de berço, que balançava a cabeça com admiração.

"Eu sempre tive um problema com Maria e eu não sabia qual era", disse Cummings, referindo-se à senhora obediente, virginal e doméstica vestida de azul que havia sido a sua imagem de Maria até aquela noite. Johnson despedaçou essa imagem e a substituiu com a imagem de uma refugiada espirituosa, escandalosa, profética, pobre, liberta e feliz: "Essa é uma Maria com a qual eu consigo viver", disse Cummings.

"Mulheres como Johnson estão transformando a Igreja de uma forma profunda", diz Cummings, que testemunha alguns de seus alunos com o mesmo tipo de descoberta a cada semestre depois que alguma leitura em particular capta a sua imaginação. "Você não pode colocar o gênio de volta na garrafa. Uma vez que você o experimentou, você não pode voltar atrás".

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